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Centenas de animais domésticos e selvagens foram resgatados por voluntários após os incêndios que atigiram a região central da Grécia na última semana
G1 — Mundo · 2026-08-05T17:12:41.000Z
Centenas de animais domésticos e selvagens foram resgatados por voluntários após os incêndios que atigiram a região central da Grécia na última semana
Petros Giannakouris / AP
A vira-lata Sasa, de orelhas caídas e olhar atento, ainda não havia voltado para casa nesta quarta-feira (5), quando as últimas faixas de contenção foram retiradas após o avanço das chamas por áreas montanhosas e costeiras próximas à capital da Grécia.
A cadela foi um dos centenas de animais domésticos e silvestres resgatados por voluntários durante o incêndio, que provocou várias ordens de evacuação.
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Em seu momento mais crítico, o fogo avançou em cinco frentes. As chamas destruíram dezenas de casas e queimaram mais de 100 km² de vegetação.
O caso é mais um episódio da onda de incêndios que atinge a Europa durante um verão de calor extremo. As queimadas têm preocupado grupos de proteção animal, inclusive em países europeus acostumados a verões mais amenos.
Na cidade de Megara, cerca de 40 km a oeste de Atenas, a organizadora de resgates Elena Dede disse que voluntários salvaram mais de 280 animais, a maioria cães, em meio ao calor intenso e a ventos fortes.
Sasa e outros animais foram levados para uma quadra esportiva coberta. A filhote ficou em uma gaiola desmontável, com uma bola de borracha para brincar e uma tigela de metal com água.
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“Havia muito calor, e o fogo estava muito agressivo. Ele mudava de direção o tempo todo”, disse Dede.
Richard Parr, diretor do Center for Wild Animal Welfare, organização sediada no Reino Unido, classificou como “heroicos” os esforços de bombeiros e entidades locais para salvar animais. Mas afirmou que verões mais quentes aumentam o risco para milhões de bichos.
“Hoje, com muita frequência, esse trabalho é improvisado e fica sobre os ombros de indivíduos e pequenas organizações”, disse. “A escala do desafio, tanto pelo número de animais afetados quanto pela área atingida pelo fogo, é gigantesca e totalmente desproporcional.”
A organização defende a criação de um serviço específico da União Europeia para resgate de animais em emergências, além de recursos para financiar esse tipo de resposta.
“Há um descompasso enorme entre a dimensão do problema e os recursos disponíveis para enfrentá-lo”, afirmou Parr.
Ele também defendeu que governos criem “refúgios contra incêndios” para animais, como lagoas e áreas com pedras, que possam servir de abrigo durante as queimadas.
Na Grécia, o incêndio criou outro problema para os socorristas: decidir para onde levar animais deslocados como Sasa. Segundo Dede, autoridades locais ajudam a cruzar registros de animais desaparecidos com os resgatados. Também buscam lares temporários até que os tutores sejam encontrados.
Apesar disso, ela diz saber que os cães levados ao ginásio estão entre os que tiveram sorte.
“Foi muito difícil para todos os voluntários e para todas as pessoas envolvidas sobreviver à fumaça e ao estresse”, disse.
Centenas de animais domésticos e silvestres foram resgatados após os incêndios na região central da Grécia
Petros Giannakouris / AP