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Regina Casé destaca importância da escuta como motor da inovação no Rio Innovation Week: 'curiosidade é a chave de tudo'

Deh Bastos e Regina Casé no Rio Innovation Week

G1 — Brasil · 2026-08-05T20:38:55.000Z

Deh Bastos e Regina Casé no Rio Innovation Week

Cristina Boeckel/ g1

A atriz e apresentadora Regina Casé afirmou que a curiosidade e a capacidade de escuta são fundamentais para identificar tendências e inovar em qualquer área. Com quase 50 anos de carreira marcados pela descoberta de talentos e manifestações culturais, ela destacou a importância de dirigir o olhar para além do próprio círculo de convivência.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (5), durante uma conversa no Rio Innovation Week com a multicomunicadora Deh Bastos.

“O que me move para cada trabalho não é ter um texto, é alguma coisa que está rolando e que ninguém está reparando. O que está acontecendo de mais forte na cultura do Brasil, às vezes, não é o que está no caderno de cultura, mas o que acontece na periferia”, afirmou a atriz.

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Segundo ela, muitas vezes os temas mais relevantes ainda não ganharam atenção do público ou da mídia.

“É um assunto que está quicando e ninguém percebe que precisa ser dito. Acho que isso é importante em qualquer área.”

Curiosidade e desapego

Regina Casé no Rio Innovation Week

Cristina Boeckel/ g1

Aos 72 anos, Regina defende que é preciso se desapegar de espaços e definições que possam limitar a criatividade.

“Essa ideia de encontrar o seu nicho pode te prender a um lugar que te empaca e te cerca criativamente. Curiosidade é a chave de tudo”, destacou.

Como exemplo, ela citou os estudos sobre o funk realizados pelo antropólogo Hermano Vianna no fim da década de 1980. Segundo Regina, esse trabalho ajudou a ampliar sua visão e a desenvolver um olhar atento para novas tendências culturais.

Ela também lembrou a experiência à frente dos programas "Programa Legal" e "Brasil Legal", na TV Globo, que percorreram diversas regiões do país mostrando a vida de pessoas anônimas e as realidades de suas comunidades.

De acordo com a apresentadora, esses projetos surgiram em um período em que a cultura das celebridades ainda não ocupava o espaço que tem atualmente, embora já começasse a ganhar força.

Regina Casé e Tom do Cajueiro em entrevista no maior cajueiro do mundo no programa Brasil Legal.

Arquivo/ Rede Globo

Atualmente em cartaz com a peça "Viva a Vida", que aborda a criação do universo, Regina afirma que o trabalho despertou novamente sua curiosidade e abriu novas possibilidades de reflexão.

“Isso de achar seu nicho te prende em um lugar que te empaca, te cerca criativamente.”

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Regina Casé e Karine Teles em 'Que horas ela volta?'

Durante a conversa, Regina relembrou o início da carreira no grupo de teatro "Asdrúbal Trouxe o Trombone", na década de 1970, e sua participação em obras marcantes, como o filme "Os Sete Gatinhos".

“Eu fiz minha estreia no mundo criativo com um grupo chamado 'Asdrúbal Trouxe o Trombone'. Eu tinha 20 anos, era novinha. Ganhei um monte de prêmios que normalmente só gente mais velha ganhava. Recebi o Prêmio Molière aos 22 anos. Mas, se você se agarra a isso, acaba se prendendo àquele modelo, àquele jeito de fazer as coisas.”

Para a atriz, a capacidade de se renovar e acompanhar as transformações do tempo é essencial para manter a relevância artística.

“Se eu tivesse ficado agarrada em ‘Os Sete Gatinhos’, não teria feito ‘Que Horas Ela Volta?’. Você precisa caminhar junto com o tempo e experimentar outras coisas.”

Deh Bastos e Regina Casé falam sobre criatividade no Rio Innovation Week

Cristina Boeckel/ g1

Ao falar sobre o futuro da criatividade, Regina afirmou que não vê a inteligência artificial como uma ameaça. Para ela, a tecnologia depende da produção humana para existir.

“Alguém precisa alimentar a inteligência artificial com algo que já existe. E aquilo que eu faço, que é criar, ela não consegue fazer exatamente do mesmo jeito.”

Regina concluiu destacando que o Brasil possui uma vocação para a vanguarda e que a inovação depende, acima de tudo, da disposição para observar, escutar e se manter aberto ao novo.

Globo no RIW

A Globo também participa da programação do Rio Innovation Week com mais de 20 painéis distribuídos ao longo dos quatro dias de evento.

"A Globo poder dividir todo esse conhecimento e toda essa inivaçao com todo mundo que está aqui e com o público final, pode ter um momento de experimentar, de olhar, de sentir o cheiro, de entender a temperatura da inovação no Rio de Janeiro e Bo brasil é muito importante pra gente", disse o diretor de Marca e Comunicação da Globo, Manuel Falcão.

A expectativa da organização é receber cerca de 200 mil pessoas durante os quatro dias do Rio Innovation Week.

Para os organizadores, um dos diferenciais do evento é reunir áreas muito distintas em um mesmo espaço, promovendo conexões entre setores que normalmente não dialogam.

"Quando reunimos setores tão heterogêneos quanto o agronegócio, a robótica, os e-games e o futuro do trabalho, conseguimos conectar pessoas e áreas diferentes. Assim, a tecnologia pode trabalhar a serviço da sociedade", afirmou o diretor-geral do evento, Jerônimo Vargas.

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