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Fábrica da Bombril em São Bernardo do Campo, na Grande SP, alvo de ataque de um funcionário terceirizado.
G1 — Brasil · 2026-08-05T20:49:51.000Z
Fábrica da Bombril em São Bernardo do Campo, na Grande SP, alvo de ataque de um funcionário terceirizado.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um inquérito para investigar as condições de trabalho na Bombril, após assassinato de três empregados na fábrica de São Bernardo do Campo, no Grande ABC, no sábado (1º).
Segundo o órgão, a investigação tem o objetivo de verificar aspectos relacionados à organização do trabalho e à gestão de riscos psicossociais, diante de informações divulgadas pela imprensa e de relatos feitos por testemunhas à Polícia Civil sobre a possível existência de conflitos interpessoais envolvendo trabalhadores da unidade.
Segundo a procuradora do Trabalho Sofia Vilela de Moraes e Silva, responsável pelo procedimento, a apuração também tem como objetivo verificar se as medidas de prevenção e controle exigidas pelas normas de saúde e segurança do trabalho estavam sendo adotadas.
Funcionário mata três colegas a facadas dentro de fábrica da Bombril em SP
"É necessário averiguar as condições do meio ambiente de trabalho, especialmente no que se refere à saúde mental, a fim de assegurar a saúde das pessoas trabalhadoras e preservar o direito fundamental à saúde e à segurança no trabalho", afirmou.
De acordo com o MPT, recentemente a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), passou a prever expressamente a identificação e a prevenção de riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Com a mudança, as empresas devem incluir em seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) a identificação, a avaliação e a adoção de medidas de prevenção relacionadas a fatores que possam afetar a saúde mental dos trabalhadores.
"As medidas de controle e prevenção dos fatores de riscos psicossociais e de promoção da saúde mental no trabalho devem estar previstas nos programas de saúde e segurança do trabalho", explicou a procuradora.
No âmbito da investigação, a TPC Logística Sudeste S/A e a Bombril S/A deverão apresentar ao MPT documentos relativos à gestão dos riscos ocupacionais.
Entre os itens solicitados estão o PGR atualizado, o inventário de riscos, o plano de ação com medidas de prevenção e correção voltadas aos riscos psicossociais identificados, o cronograma de implementação, a definição de responsáveis, indicadores de acompanhamento, comprovação de treinamentos direcionados a gestores e lideranças, informações sobre canais de denúncia e normas internas relacionadas à prevenção e ao enfrentamento de assédio e discriminação.
As empresas também deverão prestar esclarecimentos sobre eventual registro prévio de conflitos entre os trabalhadores envolvidos, comunicações internas ou denúncias relacionadas ao caso, além de informar as providências adotadas antes e após a ocorrência.
De acordo com informações do inquérito, um trabalhador da TPC Logística Sudeste S/A, prestadora de serviços na fábrica da Bombril em São Bernardo do Campo, atacou colegas de trabalho dentro das dependências da empresa. Três pessoas morreram em decorrência dos ferimentos. Posteriormente, já na delegacia, o trabalhador tirou a própria vida.
Testemunhas relataram à Polícia Civil a existência de desentendimentos entre o autor das agressões e colegas de trabalho. O inquérito instaurado pelo MPT tem como finalidade apurar eventuais aspecto s relacionados ao meio ambiente de trabalho e verificar o cumprimento das normas de saúde, segurança e gestão de riscos ocupacionais aplicáveis ao caso.