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Natuza Nery, Andréia Sadi e Renan Santos (Missão)
G1 — Brasil · 2026-08-05T23:50:36.000Z
Natuza Nery, Andréia Sadi e Renan Santos (Missão)
O candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, foi entrevistado pelo g1 e pela GloboNews nesta quarta-feira (5).
Conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery nos novos estúdios da GloboNews, no Rio, a entrevista faz parte de uma série realizada com os presidenciáveis. Foram convidados os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada em 24 de julho.
Um sorteio no dia 27 de julho, com a participação de representantes das campanhas, definiu a seguinte ordem:
terça-feira (4) - Lula (PT) – a assessoria do presidente informou que ele não compareceria
quarta-feira (5) - Renan Santos (Missão)
quinta-feira (6) - Romeu Zema (Novo) – confirmou presença
sexta-feira (7) - Ronaldo Caiado (PSD) – confirmou presença
segunda-feira (10) - Flávio Bolsonaro (PL) – não havia confirmado presença até a última atualização desta reportagem
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Renan Santos. Leia:
"Isso significa que a maior parte dos jovens que cometem crimes no Brasil não têm a figura masculina por perto. Eu quero até entrar em um estudo da FGV, de 2007, que mostra que 80% dos meninos que vão parar na Febem [Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor, extinta em 2006] e que cometem crimes não têm a figura paterna. A ausência da figura masculina tem uma correlação mais forte com o cometimento de crimes do que o Índice de Gini, que é o índice de desigualdade."
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
O estudo "Determinações demográficas do nível de criminalidade no estado de São Paulo", publicado em 2007 pelos economistas Gabriel Chequer Hartung e Samuel Pessoa, vinculados à Fundação Getulio Vargas (FGV), menciona que a estrutura familiar impacta a criminalidade.
Ao analisar os dados de 643 municípios paulistas, obtidos no Censo Demográfico de 1991, os pesquisadores concluíram que, no caso de crimes violentos, como homicídios, indicadores econômicos como o Produto Interno Bruto (PIB) per capita e o Índice de Gini perdem relevância estatística quando o modelo inclui variáveis demográficas.
Mencionando outras análises internacionais, a pesquisa aponta que a ausência de uma figura paterna (do pai ou do padastro) e a "qualidade da criação" têm um peso estatístico mais robusto que a renda isolada, gerando impactos nas taxas de violência 15 a 20 anos depois, quando as crianças atingem a juventude.
Por outro lado, o trabalho da FGV não faz menção a algo parecido com "80% dos meninos na Febem não têm pai". Não há esse número no texto, que não lista censos com internos da atual Fundação Casa.
Uma citação correlata refere-se a um dado dos EUA, de 1991, segundo o qual 57% dos detentos vinham de lares sem a presença nem do pai nem da mãe.
Além disso, o estudo da FGV analisou restritamente o estado de São Paulo, e não o Brasil como um todo, e examinou a correlação de crimes violentos cometidos por crianças com a ausência paterna, a gravidez na adolescência e a baixa escolaridade materna.
"Eu fui para uma cidade no Ceará, que se chama Santa Quitéria. Essa cidade foi tomada pelo Comando Vermelho. O prefeito ganhou a eleição usando o Comando Vermelho. O prefeito ganhou a eleição chamando membros do Comando Vermelho para participar, servindo como capangas, impedindo que as pessoas votassem. E isso não é opinião minha, ele foi afastado por conta disso, pegaram a relação do Comando Vermelho."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Em 17 de março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou os mandatos do prefeito de Santa Quitéria (CE), José Braga Barrozo, e do vice-prefeito, Francisco Gardel, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024.
Segundo o processo, integrantes do Comando Vermelho intimidaram eleitores e apoiadores da chapa adversária durante a corrida eleitoral, com ameaças, pichações e coação.
Para o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa, as provas indicaram que o prefeito e o vice tinham conhecimento das ações da facção, que foram usadas para influenciar o resultado da disputa eleitoral.
"Eu aposto dinheiro que aquele cara que matou o menino autista é um reincidente, porque tem a proporção pareto. Quase todo mundo que comete crimes são as mesmas pessoas."
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
O "Princípio de Pareto" citado pelo candidato refere-se à teoria segundo a qual cerca de 80% dos efeitos decorrem de 20% das causas. Isso é comumente usado como método em unidades de Polícia Civil, segundo trabalho publicado em 2020 pelo delegado Breno Eduardo Campos Alves. A proporção indica que 20% dos criminosos seriam responsáveis por 80% dos crimes.
Em artigo publicado em 14 de agosto de 2023 na "Revista Pesquisa Fapesp", Diogo Viana menciona "uma cifra muitas repetida": "70% das pessoas que cumprem pena de prisão, no Brasil, reincidem no crime depois de algum tempo em liberdade". Mas o autor escreve: "A taxa desafia os especialistas: ninguém sabe dizer de onde ela teria sido extraída, nem como se chegou a ela. Estudos recentes realizados em diferentes estados do país chegaram a números que variam entre 24% e 51% de reincidência, todos distantes dos 70% usados como referência".
Outro trecho diz: "A última década trouxe os esforços mais amplos para entender a recidiva no país, principalmente após a publicação, em 2015, do relatório 'Reincidência criminal no Brasil', uma parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No estudo, foi considerada reincidente a pessoa que, depois de cumprir pena, voltou a ser condenada em ação penal. Chegou-se, assim, a uma taxa de 24%".
Já estudos mais antigos, conduzidos pelos sociólogos Sérgio Adorno e Eliana Bordini, ambos do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), aferiram taxas de reincidências entre 29% e 46%, em dados de 1991 e 1988, respectivamente.
No caso de latrocínio citado pelo candidato, a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) do Rio ainda conduz investigações sobre o crime, ocorrido nesta terça-feira (4). Até a última atualização desta reportagem, a polícia Civil não havia informado se autor foi identificado.
"[...] se você estiver diante de um assalto à mão armada, que é o grande problema que gera medo nas pessoas na rua em São Paulo, a taxa de homicídio a cada 100 mil habitantes — no meu estado, que é São Paulo — diminuiu bastante."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho deste ano, o estado de São Paulo tem a segunda menor taxa de mortes violentas do país (7,8 por 100 mil habitantes), menos da metade da média nacional (19,1 por 100 mil habitantes), seguindo uma tendência histórica de redução de assassinatos nas cidades paulistas. O estado com a menor índice de mortes violentas é Santa Catarina: 7,6 por 100 mil.
Entre 2024 e 2025, a redução da taxa de homicídio em SP, segundo o mesmo levantamento, foi de 3,9%.
"A direita jovem costuma ser mais masculina. Assim como a esquerda jovem costuma ser mais feminina. Isso não é nem opinião minha, isso são estudos internacionais que mostram isso. É natural da dinâmica das redes sociais."
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
Segundo a pesquisa "Juventudes: Um Desafio Pendente", divulgada em novembro de 2025 pela Fundação Friedrich Ebert Stiftung no Brasil (FES Brasil), as mulheres jovens brasileiras são mais progressistas que os homens, que declararam posicionamentos mais conservadores.
No Brasil, 20% das mulheres jovens se identificam com a esquerda, em comparação com 16% de homens jovens.
Em coluna publicada no jornal "O Globo" em junho deste ano, com o título "A geração Z é mais conservadora?", o professor de gestão de políticas públicas da Universidade de São Paulo (USP) Pablo Ortellado cita que a primeira análise internacional de grande repercussão sobre esse tema foi uma reportagem de janeiro de 2024 do jornal "Financial Times". Ortellado escreve: "É um fato antigo e conhecido: homens são mais de direita que as mulheres. Mas essa distância ideológica entre os mais jovens aumentava desde os anos 2010 em países tão diferentes quanto Alemanha, Coreia do Sul e Reino Unidos".
O texto cita a pesquisa da FES Brasil e outra da AtlasIntel, ambas de novembro de 2025: "No conjunto, os dados dessas pesquisas sugerem que jovens são mais de direita que os mais velhos, homens jovens são mais de direita que mulheres jovens e jovens defendem mais os papéis tradicionais de gênero".
No entanto, outras pesquisas citadas pelo professor não confirmaram a conclusão. O estudo "Brasil invisível", realizado em 2025 pela organização More in Common, "não encontrou nenhum padrão geracional ou de idade nas atitudes em relação a gênero e sexualidade para 11 questões".
O artigo justifica: "Séries de pesquisa de opinião internacionais como Lapop e Latinobarómetro também não mostram maior distância ideológica entre homens e mulheres jovens. [...] A distância ideológica entre homens e mulheres jovens no Brasil no século XXI é tão pequena que, em quase todos os anos, está dentro da margem de erro".
"Quando você tem um presidente que tem vontade de realizar algo, que ele tem um plano, mesmo quando ele não é bem aprovado ou quando ele tem dificuldade de construir maioria, eu posso dar um exemplo Fernando Henrique [Cardoso] no segundo mandato ou Michel Temer, com seus 3%, 4% de aprovação [...]".
A declaração é #FATO. Veja por quê:
O ex-presidente Michel Temer (MDB) ocupou a Presidência entre maio de 2016 e o fim de 2018. Uma pesquisa divulgada em 28 de setembro de 2017 encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), indicou que governo tinha aprovação de 3% dos entrevistados, e reprovação de 77%.
Um ano depois, um levatamento do mesmo instituto, encomendado pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S.Paulo", apontou que o governo tinha aprovação de 4% dos entrevistados, e reprovação de 77%. A margem de erro de ambas as sondagens era de dois pontos percentuais. Temer encerrou o mandato com 7% de aprovação, de acordo com pesquisa do Datafolha divulgada em 27 de dezembro de 2018, nos últimos dias de governo.
Entre as aprovações obtidas por Temer em sua gestão, estiveram a reforma trabalhista, que passou no Senado em 11 de julho de 2017 ; a Medida Provisória (MP) que reformou o ensino médio, sacionada em fevereiro de 2017; e a PEC do teto de gastos, promulgada no Congresso em 15 de dezembro de 2016.
Já o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ocorreu entre 1999 e 2002. Em 7 de fevereiro de 1999, o Datafolha apontou que o índice de rejeição de FHC havia ultrapassado, pela primeira vez, a taxa de aprovação: 36% avaliaram o governo do presidente como ruim/péssimo, contra 21% de ótimo/bom.
Em pesquisa do mesmo instituto de junho daquele ano, FHC voltou a bater recorde de rejeição, com 44% dos brasileiros considerando seu governo como ruim/péssimo contra 16% que avaliaram como ótimo/bom.
Em março de 2001, 26% consideram o governo como ótimo/bom, e 30% de ruim/péssimo. Em fevereiro de 2002, no último ano de mandato, a taxa de rejeição foi de 31%, enquanto o índice de aprovação chegou a 29%.
Entre as aprovações obtidas por FHC em seu segundo mandato, estiveram a instituição do Fator Previdenciário, em novembro de 1999, que reduziu o valor dos benefícios de quem se aposentava mais cedo; e a lei de responsabilidade fiscal, aprovada no Congresso em maio de 2000.
"Antes da posse a gente tem que passar ela com PEC da Transição. Você está se referindo à PEC, Natuza, que o Kim já protocolou junto com o Pedro Paulo e mais um outro deputado federal e está no processo de coleta de assinatura."
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) – que prevê uma trava para os ganhos acima do teto do funcionalismo público, o que não existe, e propõe desvincular benefícios previdenciários do salário mínimo – foi apresentada em 2024, mas ainda não existe protocolo.
Na entrevista desta quarta, Renan Santos reconheceu que a matéria "está no processo de coleta de assinaturas". Em 2024, os deputados federais Pedro Paulo (PSD-RJ), Kim Kataguiri (União-SP) e Julio Lopes (PP-RJ) começaram a recolher assinaturas para protocolar uma PEC "alternativa” ao corte de gastos do governo.
Para ser apresentada formalmente, são necessárias pelo menos 171 assinaturas dos 513 deputados. Procurado nesta quarta pelo Fato ou Fake, Pedro Paulo afirmou que, até agora, o projeto teve 61 assinaturas.
Participaram da checagem: Clara Gomes Simão, Danilo Perello, Jean Roque, Jerusa Campani, Joelmir Tavares, Jorge Fofano, Lorena Fraga, Mel Trench e Roney Domingos.
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