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Dia Nacional do Rap: batalhas revelam novos artistas e movimentam a cena no Alto Tietê

Dia Nacional do Rap: batalhas revelam novos artistas e movimentam a cena no Alto Tietê

G1 — Brasil · 2026-08-06T09:52:43.000Z

Dia Nacional do Rap: batalhas revelam novos artistas e movimentam a cena no Alto Tietê

As batalhas de rima têm unido artistas de diferentes cidades do Alto Tietê e aberto espaço para quem quer subir ao palco pela primeira vez. No Dia Nacional do Rap, celebrado nesta quinta-feira (6), rappers da região contam como a cultura hip-hop mudou suas vidas e ajudou a ampliar a cena local.

🔎 A data passou a integrar o calendário oficial do estado de São Paulo em 2008, por meio da Lei nº 13.201 de 2008, e valoriza o rap como manifestação cultural.

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No Alto Tietê, batalhas como Arena MC’s, Batalha do Karma, Fonte da Rima e Batalha do LD, em Mogi das Cruzes, e a Se Oriente Salé Rima, em Salesópolis, reúnem artistas e movimentam a cultura hip-hop na região.

Separados por trajetórias diferentes, Erick Diego Ferreira de Souza, de 21 anos, de Mogi das Cruzes, e Matheus Alves da Silva, conhecido como Testa MC, de 27 anos, de Salesópolis, acompanham momentos diferentes da cena.

Enquanto Erick começou nas batalhas em 2024, Testa está no rap há mais de dez anos.

🎤 Da primeira rima aos palcos

Erick e Testa MC são rappers da cena no Alto Tietê

Arquivo Pessoal/ Testa MC e Erick Diego

Erick conta que tinha vontade de disputar as batalhas desde 2017, mas só conseguiu colocar o nome na lista e subir ao palco em 2024. O contato com a cultura aconteceu por meio de MCs da região, que o apresentaram às rodas culturais.

“O rap salvou minha vida. As batalhas são uma forma de contar tudo o que vivi e ainda vou viver”, afirmou emocionado.

Desde então, ele participou da Arena MC’s, da Batalha do Karma, da Fonte da Rima e da Batalha do LD.

Já Testa começou no rap ainda na adolescência, após transformar problemas familiares em música. A primeira faixa que marcou sua trajetória foi “Madri”, do EP 'Não Conteste!', lançado de forma independente.

Em 2019, ele passou a integrar a gravadora independente 'Mais Uma Gota', onde continua produzindo músicas. Além da carreira como rapper, criou a batalha 'Se Oriente Salé Rima', em Salesópolis, e atualmente é mestre de cerimônias da Batalha do Karma, em Mogi das Cruzes.

⚔️ Batalhas como porta de entrada

Batalhas de Rap são porta de entrada para rappers do Alto Tietê

Arquivo Pessoal/Testa MC

Para Erick, as batalhas são um dos principais caminhos para quem quer começar a rimar.

Ele explica que durante as competições, os participantes colocam o nome artístico em uma lista e os confrontos são definidos por sorteio. As disputas seguem em formato eliminatório até a final, quando o vencedor é escolhido pelo público.

Testa acompanha esse movimento há anos. Além da Batalha do Karma, ele já apresentou a Arena MC’s e a Resenha Central, além de acompanhar diferentes batalhas do Alto Tietê.

Na Batalha do Karma, realizada uma vez por mês no Largo do Carmo em Mogi das Cruzes, os participantes podem concorrer a premiações que incluem dinheiro, gravação de música, mixagem, masterização e produção de videoclipe.

📈 Crescimento da cena

Desde começou a rimar, Erick percebeu um aumento no número de participantes das batalhas.

“Tem surgido muita gente nova e até pessoas que tinham parado voltaram. A cultura move a gente. Não é só falar palavras na hora, é um sentimento muito profundo [...] Às vezes, a pessoa só precisa de alguém dizendo para ela tentar”, destacou.

O artista lembra de uma edição de uma competição em que viu um pai apresentar o funcionamento das disputas ao filho. Em outro evento, acompanhou o incentivo de organizadores para que pessoas que assistiam às batalhas também participassem.

Para Testa, o crescimento também aparece na forma como o público passou a enxergar o rap.

“Quando comecei, muita gente dizia que rap era coisa de bandido e marginal. Com o passar dos anos, as batalhas cresceram, as músicas ganharam mais visualizações e hoje o rap alcançou muito mais pessoas”, completou o rapper.

🎵 Rap além das batalhas

Fora das rodas culturais, Erick concilia o rap com o trabalho como auxiliar de produção e a faculdade de jornalismo. Ele pretende seguir carreira como jornalista esportivo, mas quer continuar produzindo músicas e participando das batalhas.

Já Testa afirma que o rap é sua principal fonte de renda. Além das plataformas digitais e do trabalho na gravadora, ele vende doces em um semáforo de Mogi das Cruzes, onde também divulga o próprio trabalho.

Testa MC vende doces no semáforo para ajudar nos custos em Mogi das Cruzes

Arquivo Pessoal/Testa MC

O rapper também participa de apresentações em escolas e ações sociais, como arrecadação de roupas e distribuição de sopa para pessoas em situação de rua.

Mesmo com histórias diferentes, Erick e Testa têm uma visão parecida sobre o papel das batalhas. Eles concordam que elas continuam sendo espaços para revelar novos artistas e aproximar o público da cultura hip-hop no Alto Tietê.

*sob a supervisão de Gladys Peixoto

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