ITATIBA1
Uefa anuncia boicote às competições da Fifa. Mas como chegou a esse ponto?
ge — Futebol · 2026-08-06T13:12:31.000Z
Uefa anuncia boicote às competições da Fifa. Mas como chegou a esse ponto?
A Uefa planeja uma investigação independente dos planos de venda da Copa do Mundo. A entidade europeia busca avaliar se a Fifa, sob gestão de Gianni Infantino, tentou vender uma participação de 21% dos direitos comerciais do Mundial por um valor abaixo de mercado, segundo o jornal "The Guardian".
+ ✅Clique aqui para seguir o canal ge Futebol Internacional no WhatsApp
Gianni Infantino, presidente da Fifa
Evan Vucci TPX IMAGES OF THE DAY/REUTERS
A Uefa não se convenceu com o pedido de desculpas enviado por Gianni Infantino às 211 associações filiadas à Fifa, após as negociações de crise realizadas no Marrocos. A entidade pretende manter a pressão sobre o presidente e investigar sobre a proposta de venda apresentada pela Fifa a investidores privados.
O plano de Infantino previa a venda de uma fatia dos direitos comerciais do Mundial para um grupo de investidores. A iniciativa, no entanto, encontrou forte resistência da Uefa e de outras confederações, que demonstraram preocupação com a governança da entidade e com a possibilidade de perda de controle sobre um dos ativos mais valiosos.
+ Presidente da CBF se manifesta sobre projeto polêmico de Infantino: "Sou um pouco contra"
Diante da pressão, a Fifa decidiu abandonar a proposta. Agora, de acordo com o jornal inglês, a Uefa quer esclarecer se houve tentativa de negociar a participação por um valor inferior ao que ela considera adequado para os direitos comerciais da competição.
A reportagem afirma ainda que a investigação faz parte da escalada da tensão entre Uefa e Fifa, intensificada nas últimas semanas em meio às divergências sobre a estratégia comercial da entidade presidida por Gianni Infantino.
+ Infantino publica mensagem comemorando apoio recebido por alto escalão da Fifa
Julia Guimarães atualiza situação do boicote da UEFA a torneios da FIFA
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, saiu em três dias de todo-poderoso do futebol mundial a dirigente na berlinda na presidência da Fifa. O plano de criar a empresa Fifa Foward Enterprise (FFE) para a venda de ações a investidores privados fracassou rapidamente, e Infantino vive seu momento mais pressionado desde que assumiu o cargo.
A ideia de Infantino era criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária com controle majoritário da Fifa e participações minoritárias de investidores. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo era arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).
A Uefa foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que os 55 representantes boicotariam competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a ideia não fosse cancelada. A Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também reprovaram a medida em notas oficiais.
Com a impressionante rejeição e pressão sofridas, Gianni Infantino anunciou a desistência da criação da FFE na sexta, três dias após ter anunciado a possibilidade da venda de ações da Fifa a investidores privados.
A Uefa, que reúne as federações europeias, defendeu abertamente a mudança na presidência. Mas Infantino tem apoiadores importantes, caso do Marrocos - uma das três principais sedes da Copa do Mundo de 2030 - e tampouco sofreu críticas por parte da Conmebol, confederação sul-americana de futebol e uma das mais importantes mundialmente. Amparado a isso, pode tentar se sustentar no cargo até março, quando haverá a eleição para tentar seu quarto e último mandato.