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Por que o crack causa dependência tão rapidamente? Psicóloga responde dúvidas
G1 — Brasil · 2026-08-06T14:27:06.000Z
Por que o crack causa dependência tão rapidamente? Psicóloga responde dúvidas
Por que o crack provoca uma dependência tão intensa e rapidamente? Essa é uma das perguntas respondidas pela psicóloga Daniella Arana Feroldi, especialista em saúde mental e dependência química.
Ela é uma das entrevistadas da série especial da TV Vanguarda sobre o consumo de crack, que estreia nesta quinta-feira (6), no Link Vanguarda.
No g1, você confere a entrevista completa da especialista sobre a droga que afeta a vida de usuários e familiares - veja as perguntas e respostas abaixo.
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Nesta reportagem, você vai ver a explicação para as seguintes perguntas:
Por que o crack causa dependência tão rapidamente?
Em quanto tempo uma pessoa pode se tornar dependente?
Toda pessoa que usa crack começou pelo crack?
Por que usuários de crack deixam de comer, dormir e cuidar da própria higiene?
Existe tratamento para a dependência de crack?
Quem usa crack consegue parar sozinho?
A recaída significa que o tratamento deu errado?
Como prevenir o uso de drogas?
Equipe da TV Vanguarda percorreu diferentes regiões de São José dos Campos e registrou flagrantes do consumo de crack para a série especial.
1 - Por que o crack causa dependência tão rapidamente?
Segundo Daniela, o ser humano é naturalmente programado para repetir comportamentos que proporcionam prazer, como comer, descansar e criar vínculos. O problema é que o crack "sequestra" esse mecanismo natural.
A especialista explica que, por ser fumada, a droga chega ao cérebro em poucos segundos e provoca uma descarga de dopamina (neurotransmissor relacionado à sensação de prazer) muito maior do que qualquer estímulo natural.
"O cérebro foi programado para entender que aquilo que dá prazer deve ser repetido. A droga entra nessa via cerebral, sequestrando esse sistema de recompensa", explica.
Com isso, atividades comuns deixam de ser suficientes para gerar satisfação.
"Depois da entrada da droga, ir ao cinema, encontrar amigos ou comer um brigadeiro deixam de produzir uma sensação de prazer comparável à provocada pela substância", afirma a psicóloga.
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2- Em quanto tempo uma pessoa pode se tornar dependente?
Não existe uma quantidade exata de vezes que uma pessoa precisa usar crack para desenvolver dependência.
Segundo Daniela, cada organismo reage de uma forma, mas a velocidade com que a droga atua favorece uma instalação muito rápida do vício.
"Não existe um número mágico. Mas, na prática clínica, o que eu vejo há quase 30 anos é que não precisa muito tempo nessa caminhada. Esse é o aspecto mais triste da dependência", afirma.
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A psicóloga Daniella Arana Feroldi é especialista em saúde mental e dependência química e participa da série especial da TV Vanguarda.
3- Toda pessoa que usa crack começou pelo crack?
Segundo a psicóloga, normalmente existe uma progressão no consumo de substâncias. Em geral, a porta de entrada costuma ser o álcool, seguido da maconha e da cocaína. O crack aparece, muitas vezes, em um estágio mais avançado da dependência.
Ela explica que isso acontece porque, com o tempo, o cérebro passa a precisar de doses maiores ou de drogas mais potentes para alcançar o mesmo nível de prazer.
"Ninguém começa a usar droga pretendendo se tornar dependente. Todo mundo começa de forma recreativa, acreditando que aquilo vai proporcionar prazer."
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4 - Por que usuários de crack deixam de comer, dormir e cuidar da própria higiene?
Porque a droga passa a ocupar praticamente todo o espaço da vida do dependente. Segundo Daniela, durante o uso intenso, necessidades básicas deixam de ser prioridade.
"A droga preenche todo o espaço. Então ele não vai comer, não vai beber, não vai procurar os familiares. Vai ficar na rua", explica.
Ela ressalta que o efeito do crack dura pouco tempo. Assim que passa, o cérebro volta a exigir a droga, fazendo com que o usuário permaneça preso em um ciclo contínuo de consumo.
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5 - Existe tratamento para a dependência de crack?
Para a psicóloga, essa é a principal mensagem que precisa chegar às pessoas. "O caminho de saída existe. Acho que, se tivéssemos que deixar apenas uma mensagem dessa conversa, seria essa: existe saída."
Ela explica que ainda não existe um medicamento capaz de eliminar a dependência química, mas há tratamentos que apresentam bons resultados.
O acompanhamento normalmente reúne diferentes profissionais, como médicos, psicólogos e assistentes sociais, além da participação da família.
Segundo Daniela, a abstinência permite que, aos poucos, a pessoa recupere memória, autoestima, relações familiares e qualidade de vida.
"A abstinência opera milagres", resume.
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Equipe da TV Vanguarda percorreu diferentes regiões de São José dos Campos e registrou flagrantes do consumo de crack para a série especial.
6- Quem usa crack consegue parar sozinho?
Em alguns casos, sim, mas a maioria das pessoas precisa de ajuda.
Segundo Daniela, muitas vezes o dependente sequer consegue enxergar uma possibilidade de recuperação e precisa ser incentivado por familiares, amigos ou profissionais de saúde.
"A família costuma ser o elemento que demora mais para desistir. Ter alguém que consiga acessar essa pessoa e oferecer suporte faz muita diferença", afirma.
Ela também cita grupos como os Narcóticos Anônimos e clínicas especializadas como importantes aliados no processo de recuperação.
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7- A recaída significa que o tratamento deu errado?
A psicóloga afirma que a recaída faz parte da doença, mas não deve ser encarada como parte obrigatória da recuperação.
Segundo ela, o cérebro leva meses para voltar a funcionar normalmente após a interrupção do uso da droga, o que torna esse período especialmente delicado.
"A recaída faz parte da doença. Ela não significa falta de força de vontade."
Ela explica que, durante a recuperação, o cérebro ainda produz pouca dopamina naturalmente, enquanto a pessoa sabe que a droga proporciona uma sensação imediata de prazer, aumentando o risco de voltar a usar.
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8 - Como prevenir o uso de drogas?
Na avaliação da psicóloga, a prevenção começa muito antes do primeiro contato com qualquer substância.
Mais do que falar sobre os riscos das drogas, ela defende que crianças e adolescentes aprendam a lidar com frustrações, perdas e sofrimento emocional.
"A intervenção precoce é ensinar essas crianças quais são as alternativas para lidar com os momentos de sofrimento. É ensinar a falar das emoções e enfrentar o desconforto sem precisar anestesiá-lo", afirma.
Segundo Daniela, desenvolver habilidades emocionais desde a infância pode reduzir a vulnerabilidade ao uso de drogas e fortalecer a capacidade de enfrentar as dificuldades da vida sem recorrer às substâncias.
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