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Tudo sobre o polêmico projeto do Presidente da Fifa
ge — Futebol · 2026-08-06T14:47:58.000Z
Tudo sobre o polêmico projeto do Presidente da Fifa
A Conmebol se manifestou nesta quinta-feira sobre a crise envolvendo a direção da Fifa e o presidente Gianni Infantino. A confederação sul-americana celebrou a desistência da entidade de abrir seu capital a investidores privados, mas pediu respeito ao processo eleitoral em meio a uma forte pressão da Uefa por mudanças na presidência.
- O Conselho manifesta, de forma unânime, sua preocupação com as reiteradas ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo nem aos mecanismos institucionais previstos para o tratamento desse tipo de situação - diz a nota da Conmebol.
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O texto, que foi publicado após uma reunião do conselho, lembra que a Fifa promoveu uma reforma em seus estatutos há mais de uma década e que existem "mecanismos específicos para solucionar controvérsias". A Conmebol ainda cita "respeito às normas", indicando preocupação com uma mudança repentina no comando da Fifa.
- Aqueles que têm a responsabilidade de conduzir nossas organizações devem sempre privilegiar o diálogo, o respeito às normas e a construção de consensos. Quando esses princípios são deixados de lado, perde o futebol e perdemos todos.
O comunicado lembra que há um prazo para a apresentação de candidaturas à presidência da Fifa, e que só o congresso da entidade pode eleger um novo comandante. A confederação sul-americana avisa que não apoiará qualquer mudança feita fora do processo eleitoral.
Consequentemente, a Conmebol não apoiará qualquer atuação ou procedimento que desconsidere ou se afaste desses mecanismos institucionais."
Manifestação da Fifa
A Fifa divulgou na última quarta um comunicado oficial, pouco depois de o presidente Gianni Infantino se reunir com funcionários de alto escalão em Rabat, no Marrocos. Na nota, a entidade apontou que Infantino segue tendo o apoio do secretário-geral e do conselho de administração e que "não irá mais tolerar ataques à sua integridade, governança e processos e tomará as medidas necessárias para proteger seu nome e reputação".
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Uma carta foi enviada às federações nacionais com um pedido de desculpas e a promessa de que um relatório sobre o episódio será produzido para ser apresentado na próxima reunião do Conselho.
A atual crise na Fifa criou um cenário que até semanas atrás parecia improvável, o de uma oposição com chances de vencer Infatino. A ideia de criar uma subsidiária aberta a investimento privado imediatamente enfrentou grande resistência e foi criticada duramente por dirigentes do futebol mundial - principalmente a Uefa, confederação que reúne as associações da Europa. Os planos foram abandonados, mas a entidade europeia defende, agora, uma mudança na presidência da Fifa.
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Em abril, o atual presidente anunciou, durante o Congresso da entidade, que seria candidato à reeleição no pleito previsto para o ano que vem. Naquele momento, três confederações declararam apoio ao dirigente: a Conembol, a AFC, da Ásia, e a CAF, da África - as três somam 111 votos, mais do que a metade necessária para reeleger o dirigente.
Agora, com a oposição aberta da Uefa, com a Concacaf crítica e possíveis dissidentes nas outras organizações, há espaço para uma candidatura rival. Um dos nomes comentados é o do canadense Victor Montagliani, que comanda a confederação das Américas do Norte e Central e do Caribe.
O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, tem sido um aliado do suíço e conta com ele para tirar do papel a ideia de ampliar a Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções, um projeto que traria para o continente 15 jogos além dos três já previstos para Argentina, Paraguai e Uruguai como celebração pelos 100 anos do torneio. O plano, porém, enfrenta grande resistência, especialmente na Europa.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, saiu em três dias de todo-poderoso do futebol mundial a dirigente na berlinda na presidência da Fifa. O plano de criar a empresa Fifa Foward Enterprise (FFE) para a venda de ações a investidores privados fracassou rapidamente, e Infantino vive seu momento mais pressionado desde que assumiu o cargo.
A ideia de Infantino era criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária com controle majoritário da Fifa e participações minoritárias de investidores. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo era arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).
A Uefa foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que os 55 representantes boicotariam competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a ideia não fosse cancelada. A Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também reprovaram a medida em notas oficiais.
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Com a impressionante rejeição e pressão sofridas, Gianni Infantino anunciou a desistência da criação da FFE na sexta, três dias após ter anunciado a possibilidade da venda de ações da Fifa a investidores privados.
A Uefa, que reúne as federações europeias, defendeu abertamente a mudança na presidência. Mas Infantino tem apoiadores importantes, caso do Marrocos - uma das três principais sedes da Copa do Mundo de 2030 - e tampouco sofreu críticas por parte da Conmebol, confederação sul-americana de futebol e uma das mais importantes mundialmente. Amparado a isso, pode tentar se sustentar no cargo até março, quando haverá a eleição para tentar seu quarto e último mandato.
O Conselho da Fifa pode convocar reunião de emergência para tratar da saída de Infantino caso 19 de seus 37 membros a solicitem. A distribuição dos 37 membros é a seguinte: nove da Uefa, sete da AFC (Confederação Asiática de Futebol), seis da CAF (Confederação Africana de Futebol), cinco da Concacaf (Confederação de Futebol das Américas do Norte e Central), cinco da Conmebol e três da Oceania. Infantino e o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, completam o quadro.