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Equipamentos utilizados para crimes foram apreendidos
G1 — Brasil · 2026-08-06T20:30:41.000Z
Equipamentos utilizados para crimes foram apreendidos
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou que a adolescente de 13 anos induzida ao suicídio em em Naviraí , foi vítima de um processo de escravização virtual promovido por uma organização criminosa que atua pela internet.
A conclusão foi apresentada nesta quinta-feira (6), durante coletiva de imprensa da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Campo Grande.
Segundo a delegada titular da DPCA, Karine Sanches, a investigação descartou a hipótese de suicídio e passou a tratar o caso como homicídio.
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A mudança de entendimento ocorreu após a análise dos materiais apreendidos durante a operação que resultou na apreensão de seis investigados, cinco adolescentes e um adulto.
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O que é a escravização virtual
De acordo com a delegada, os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para identificar e manipular crianças e adolescentes, principalmente meninas.
O primeiro passo é localizar vítimas com perfis públicos nas redes sociais. A partir das informações disponíveis, como escola, familiares, amigos e interesses pessoais, integrantes da organização criam perfis falsos e passam a se apresentar como pessoas da mesma idade e com gostos semelhantes aos da vítima.
Depois de conquistar a confiança da adolescente, ela é levada para plataformas menos conhecidas, onde há pouca ou nenhuma moderação de conteúdo.
É nesses ambientes que começam as ameaças, a manipulação psicológica e o controle exercido pelos criminosos.
Segundo Sanches, dentro da organização existe uma divisão de funções. Há integrantes responsáveis por localizar vítimas, por fazer a aproximação e aqueles que assumem o controle da adolescente após conquistar sua confiança.
As investigações apontam que os administradores desses grupos passam a tratar a vítima como uma propriedade, utilizando ameaças e violência psicológica para obrigá-la a cumprir ordens, como a automutilação, maus tratos aos animais e suicídio.
Violência como forma de prestígio
Ainda segundo a polícia, a organização criminosa é formada por diferentes grupos que competem entre si.
De acordo com a delegada, quanto maior o nível de violência imposto às vítimas, maior o prestígio conquistado dentro da comunidade virtual.
“Eles têm várias lideranças, eles concorrem entre si, são panelas que concorrem entre si. O que é o hype deles, porque é assim que eles falam, é ter mais violência”.
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Plataformas sem moderação
A investigação também revelou que os criminosos migram constantemente entre plataformas digitais para evitar bloqueios.
Segundo a DPCA, quando uma transmissão ou grupo é removido de uma plataforma, os integrantes rapidamente migram para outra com menor fiscalização e restabelecem a comunicação entre os participantes.
Para a delegada, muitas dessas plataformas ainda não adotaram mecanismos eficazes de moderação previstos na legislação de proteção de crianças e adolescentes, o que facilita a atuação das organizações criminosas.
Os adolescentes apreendidos viviam com as famílias e, segundo a polícia, não apresentavam comportamento que despertasse suspeitas.
Durante a coletiva, Sanches relatou que os pais ficaram desesperados ao descobrirem a participação dos filhos na organização criminosa.
“Foi frustrante ver o desespero da família, que não acreditavam no que estava acontecendo, porque aparentemente era um adolescente tranquilo, mas em conversa comigo, ele é um adolescente extremamente frio, ele estava muito satisfeito de me explicar como era cada detalhe, cada detalhe do crime”.
Alerta aos pais
A delegada fez um alerta para que pais e responsáveis acompanhem de forma mais próxima a vida digital de crianças e adolescentes.
Segundo ela, o uso de ferramentas de controle parental pode dificultar a atuação desses grupos criminosos. Também orientou que os responsáveis acompanhem os aplicativos utilizados pelos filhos e verifiquem os conteúdos consumidos na internet.
Sanches destacou que os criminosos ensinam as vítimas a ocultar conversas, arquivos e pastas no celular, o que dificulta a identificação do problema por quem faz apenas uma verificação superficial.
Ela reforçou que acompanhar a atividade digital dos filhos não representa invasão de privacidade, mas uma medida de proteção.
Por fim, a delegada alertou que o ambiente virtual pode representar um risco tão grande quanto o mundo físico.
"Às vezes, os pais acreditam que o filho está seguro porque permanece dentro de casa. Mas, hoje, o perigo também pode estar atrás da tela de um celular", afirmou.
A investigação iniciou em 22 de julho, após a morte de uma menina de 13 anos em Naviraí. A jovem foi coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord que durou cerca de 45 minutos.
A apuração revelou que os envolvidos utilizavam simultaneamente o Discord e o Telegram para atrair vítimas, disseminar discursos de ódio, promover radicalização violenta e cometer atos de misoginia.
Ao todo, cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, e um homem de 18 anos foram alvos de mandados judiciais nesta terça-feira (4), cumpridos no Ceará, em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio de Janeiro. O suspeito de liderar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido na capital fluminense.