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El Niño: governo decide reduzir geração de hidrelétricas para enfrentar fenômeno climático

O governo federal decidiu reduzir a geração de energia das hidrelétricas para armazenar mais água nos reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema elétrico para enfrentar os efeitos do El Niño, previsto para o segundo semestre deste ano.

G1 — Brasil · 2026-08-07T03:00:49.000Z

O governo federal decidiu reduzir a geração de energia das hidrelétricas para armazenar mais água nos reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema elétrico para enfrentar os efeitos do El Niño, previsto para o segundo semestre deste ano.

🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O evento, que costuma ocorrer a cada dois a sete anos, altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. No Brasil, pode intensificar o calor, aumentar o risco de seca em partes do Norte e Nordeste e provocar chuvas acima da média no Sul.

A medida faz parte de um pacote de ações aprovado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Segundo o colegiado, a probabilidade de ocorrência do El Niño no segundo semestre é de 70%.

Entre as demais medidas adotadas estão:

acompanhamento intensivo das condições hidrometeorológicas que afetam o sistema elétrico;

criação de uma sala de monitoramento do abastecimento de combustíveis para os sistemas de geração da Região Norte; e

participação em grupos interinstitucionais sobre o fenômeno, com órgãos como a Casa Civil e a Defesa Civil.

O plano também prevê o monitoramento e a adoção de medidas preventivas por agentes dos setores de geração, transmissão e distribuição de energia.

Usina hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo

Reportagem do Fantástico mostrou que o El Niño deve aumentar o risco de eventos climáticos extremos no Brasil nos próximos meses.

Segundo especialistas, o fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru, já começou a influenciar o clima e tende a favorecer tempestades severas e enchentes, especialmente na Região Sul.

A previsão ocorre em um momento em que diferentes partes do mundo enfrentam uma sequência de desastres relacionados ao clima.

Na Europa, incêndios florestais ganharam força com o aumento das temperaturas. Índia e China registraram enchentes e ondas de calor, enquanto o Chile enfrentou nevascas e inundações. No Brasil, o Rio Grande do Sul foi atingido por chuva intensa, granizo e tornados.

Segundo meteorologistas, o excesso de chuva registrado recentemente no Sul já indica uma antecipação da influência do El Niño.

"O que a gente vem observando é uma antecipação de potencial influência desse fenômeno nesse excesso de chuva que a gente viu recentemente no Sul do país", afirma um especialista ouvido na reportagem.

De acordo com os pesquisadores, o fenômeno já está formado e seus efeitos devem ficar mais intensos ao longo dos próximos meses.

"Ele agora já está influenciando. Já está favorecendo essas tempestades severas, inundações no Sul, e o pico que se espera desses eventos deve acontecer daqui a alguns meses", disse.

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