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Artista plástico Alex Flemming leva exposição sobre o fim do mundo às ruínas de prédio histórico no Centro de SP

Cartaz de divulgação da mostra 'Apocalipse', de Alex Flemming

G1 — Brasil · 2026-08-07T05:00:18.000Z

Cartaz de divulgação da mostra 'Apocalipse', de Alex Flemming

As ruínas de um edifício centenário redescoberto há poucos meses no Centro de São Paulo vão se transformar, a partir deste sábado (9), no cenário da nova exposição do artista plástico Alex Flemming. A mostra "Apocalipse" ocupará os Palacetes da Sé, conjunto formado por dois edifícios históricos anexos localizados entre as ruas Roberto Simonsen e Venceslau Brás, a poucos metros da Praça da Sé.

A série nasceu em 2015, quando Flemming acompanhou da Alemanha as notícias sobre os atentados terroristas ao Teatro Bataclan, em Paris. O episódio o levou a refletir sobre a fragilidade da civilização contemporânea e o colapso de valores como a tolerância e a convivência entre diferentes.

Como resposta artística, passou a representar alguns dos monumentos mais emblemáticos da humanidade em cenas de explosão e destruição. Entre eles estão a Catedral de Notre-Dame, a Sagrada Família, a Tower Bridge, em Londres, e a Mesquita Azul de Istambul.

O prédio esquecido de Ramos de Azevedo no Centro de SP

Apesar do tema sombrio, o artista diz buscar beleza e sensualidade nas pinturas. "Uma questão fundamental para mim, como colorista, é que a obra precisa ser bela, sensual e sedutora, mesmo quando trata de assuntos terríveis como o apocalipse. Nesse sentido, me reporto à pintura renascentista e pré-renascentista", explica o artista.

As obras também dialogam com os conceitos de Eros e Tânatos, referências à vida, ao desejo, à morte e à transformação que atravessam sua produção artística. "Tudo na vida é Eros e Tânatos. Tudo na vida é princípio e fim, é tesão e morte. E isso não é mau. São duas faces de uma mesma moeda", afirma Flemming.

Nos Palacetes da Sé, a mostra foi concebida como uma experiência imersiva. O percurso começa com a série "Retratos Invisíveis", formada por figuras humanas translúcidas e coloridas, e culmina nas telas de "Apocalipse", numa passagem simbólica entre vida e destruição. Ao todo serão exibidas 37 pinturas, todas em grandes dimensões.

Artista plástico Alex Flemming

Outro elemento central é a iluminação. O artista optou por não utilizar luz elétrica na maior parte da exposição. As obras serão vistas principalmente sob luz natural, que muda ao longo do dia e altera a percepção das pinturas produzidas com tintas metálicas. "Às 11h será uma experiência; às 14h, outra; às 16h, outra. O mundo está em constante transformação", diz ele.

A exposição marca o retorno de Flemming à capital paulista após 34 anos vivendo em Berlim, na Alemanha. Aos 72 anos, o artista decidiu dedicar o período final da vida ao país onde nasceu. "Eu morei muito mais da metade da minha vida fora do Brasil. Resolvi voltar para dar minha contribuição pessoal ao país", disse ao g1.

Nascido em São Paulo, Flemming construiu uma carreira internacional com trabalhos exibidos em museus e galerias da Europa, das Américas e da Ásia. Na capital paulista, sua obra mais conhecida é a intervenção permanente na Estação Sumaré do Metrô, inaugurada em 1998, que combina retratos fotográficos e poemas de autores brasileiros nos painéis instalados nas plataformas.

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O principal cenário da exposição será o imóvel da Rua Roberto Simonsen, recentemente identificado como uma obra de Ramos de Azevedo, arquiteto responsável por marcos paulistanos como o Theatro Municipal, a Pinacoteca e o Mercado Municipal. Após 85 anos sem uso regular, o predinho amarelo inicia agora a sua trajetória como espaço cultural. Conectado a ele está outro palacete histórico, projetado em 1910 pelo arquiteto italiano Giuseppe Sacchetti, também incorporado ao percurso expositivo.

A escolha dos Palacetes da Sé para receber a mostra não foi casual. Para o artista, o estado de conservação dos edifícios – que têm paredes descascadas, tijolos aparentes e marcas de infiltração – reforça a narrativa da exposição.

Obra da série 'Retratos Invisíveis', que será exposta na mostra 'Apocalipse' do artista Alex Flemming

"Existe uma simbiose conceitual muito forte, porque apresento o Apocalipse dentro de um cenário apocalíptico. Quero que as pessoas vejam o que é o declínio, o que é Tânatos, o que é o fim do mundo. Porque o abandono também é uma forma de fim do mundo", disse.

Acostumado a expor em espaços não convencionais, Flemming afirma que descobriu os Palacetes da Sé pela internet enquanto procurava um local para receber as obras. "Adorei. Ele dialoga muito com minha experiência em Berlim, onde vi diversas exposições em casas bombardeadas e bunkers", relembra.

📅 Quando? De 9 a 30 de agosto; diariamente, das 11h às 16h

📍 Onde? Rua Roberto Simonsen, 97 - Sé, Centro Histórico

💲 Quanto? Grátis

Artista plástico Alex Flemming ao lado de obra da série 'Apocalipse', que será exposta nos Palacetes da Sé em agosto

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