ITATIBA1
Franclim Carvalho, do Botafogo, explica início da carreira como treinador
ge — Futebol · 2026-08-07T07:00:18.000Z
Franclim Carvalho, do Botafogo, explica início da carreira como treinador
"A cada cabeça, a sua sentença" é um ditado muito comum em Portugal, que reforça que cada indivíduo tem sua própria opinião. Ex-auxiliar técnico, Franclim Carvalho pôde se inspirar na frase e nas muitas formas de agir dos treinadores com quem trabalhou. Agora, é ele quem expõe as próprias opiniões e estratégias como técnico do Botafogo , cargo que assumiu em abril. Um desafio quase inédito como treinador principal - antes, ele havia comandado apenas o Belenenses, por 18 jogos.
De lá para cá, Franclim chamou a atenção apenas pelo que fez dentro de campo: são dez vitórias, seis empates e três derrotas "a mais do que pretendia". Com uma personalidade mais discreta, preferiu manter o contato com a imprensa restrito às entrevistas coletivas pós-jogo.
Isso mudou no último domingo, quando o técnico do Botafogo recebeu a reportagem do ge e da TV Globo para uma longa entrevista, sua primeira exclusiva no clube. O português falou sobre o iminente clássico contra o Fluminense, descartou usar Allan e Júnior Santos, projetou as trocas na lista da Sul-Americana e citou a importância de Alex Telles, que negocia uma renovação de contrato.
+ Botafogo encaminha rescisão com Joaquín Correa, que será reforço do Estudiantes
+ Franclim projeta primeiro clássico no Botafogo e destaca duelo com técnico do Fluminense
Mas Franclim também aproveitou para passar a carreira a limpo - do fracasso como ponta direita às experiências como auxiliar e treinador principal, até os técnicos que mais lhe inspiram.
Questionado sobre o restante do 2026 do Botafogo, explicou suas ambições, a nova briga no gol e como pretende contar com Danilo e Montoro. E, afinal, o que foi que Franclim disse para Artur Jorge na cena que viralizou na final da Libertadores de 2024? Confira abaixo!
+ Mais dois jogadores: veja perfis buscados pelo Botafogo para reforçar o elenco
Franclim Carvalho faz balanço sobre trabalho nos primeiros meses de Botafogo
Leia a entrevista de Franclim Carvalho ao ge:
Começando pelo começo. Como foi o início da carreira como treinador?
— Em 2022, foi um convite um pouco inesperado por parte do então presidente do Belenenses (Portugal). Eu tinha trabalhado lá como auxiliar. Depois, o clube estava com alguns problemas. Dentro da nossa média pontual, daria para manter na primeira divisão, mas acabamos caindo. O primeiro turno tinha sido muito abaixo do esperado. Depois, surge o convite para regressar ao Braga enquanto auxiliar do Artur (Jorge). Eu já tinha trabalhado com o Artur antes. Na altura fui muito claro com as pessoas que falaram comigo, que seria auxiliar só do Artur.
— Acabou acontecendo. Na minha cabeça, já estava (definido) que eu queria ser treinador, as que me rodeavam sabiam disso. Era encontrar, realmente, o contexto ideal, até porque eu devia lealdade aos meus ex-colegas de trabalho, principalmente ao Artur. Quando encontramos o timing ideal, no nosso entender, acabei por sair (do posto) de auxiliar do Artur. Depois, próximo a essa data, surgiu o convite do Botafogo e de outras equipes de Portugal, mas eu preferi o Botafogo, obviamente. E aqui estou eu, para esse desafio duro e difícil, mas que nós temos aqui para enfrentar.
Essa transição de auxiliar para técnico não foi apenas no cargo, mas também na atenção voltada a você. Como foi esse processo?
— Graças a Deus, sempre tive alguma autonomia com os técnicos principais com quem trabalhei enquanto auxiliar. Eu gostava dessa autonomia, dessa responsabilidade, não me escondia dela. Gostava dessa intervenção, e tive a sorte de ter trabalhado com treinadores que me davam essa liberdade.
— Enquanto técnico principal, temos o foco mais virado para nós. Digamos que mais responsabilidades em outras áreas e não só no treino, que enquanto auxiliar é o que acontece mais vezes. Temos uma relação diferente com os jogadores, com a diretoria, com os torcedores principalmente, ainda mais aqui no Brasil.
— Mas eu lidei muito bem com essa alteração de função, porque sempre esteve na minha mente a ideia é de ser técnico principal. Eu já olhava muito para a minha profissão dessa forma, sempre respeitando as pessoas com quem trabalhava. Bebi do Artur, do Petit, do Ulisses (Morais). O Artur foi o treinador com quem trabalhei por mais tempo, temos uma relação pessoal mais próxima, então é normal que eu tenha “bebido” (inspiração) mais dali.
— Em Portugal, nós falamos “a cada cabeça, a sua sentença”. Nosso cunho pessoal é diferente, então acho que a diferença está mais para aí. Para mim a grande diferença, ainda mais aqui no Brasil, é a relação com os torcedores e o fato de ser reconhecido. Não fico muito à vontade, nem é a minha praia. Sou mais o treinador de campo, costumo dizer isso, não sou treinador de fotografia e de dar autógrafos, mas faz parte da nossa profissão. Tenho tentado melhorar nesse aspecto, e acho que tenho conseguido.
Franclim projeta primeiro clássico no Botafogo, contra o Fluminense
Costuma passear muito pelo Rio de Janeiro?
— Eu não saio de casa (risos). Eu vou a dois ou três restaurantes para jantar. Depois, é CT, casa, casa, CT. Nós temos muito trabalho. Eu sou um apaixonado pela minha profissão e tenho priorizado muito, até pelo lado pessoal. Minha família acaba sendo os elementos mais prejudicados com isso, mas sempre olhei para a profissão. Isso preenche. Como nós aqui temos também uma densidade competitiva grande, acaba restando ainda menos tempo para uma vida social, mas eu procuro não sair muito aqui para evitar essa abordagem.
— Quando tenho sido abordado? Graças a Deus, e até agora, tem sido com respeito, com carinho, com o desafio dos novos desafios que vêm, que se faça a redundância. O torcedor é muito apaixonado e nós temos que tentar ter uma cabeça fria para gerir as emoções. Eu percebo a paixão do torcedor. Eu também tenho um pouco esse lado, acho que pela idade também. Daqui a 10 anos, acho que não vou viver o jogo e o treino da mesma forma, ou pelo menos vou conseguir gerir melhor.
— Nós temos que desviar um pouco desse lado da paixão. Não retirar por completo, porque faz falta, mas desviar um pouco e ser um pouco mais cabeça fria. Essa paixão que vocês transmitem aqui no Brasil é muito desafiante e é algo único.
O que essa mudança representou em termos pessoais?
— (Estou) 100% mergulhado no Botafogo, eu moro sozinho. Em 2024 já morava sozinho. Sempre que temos uma pausa de data Fifa, eu procuro ir a Portugal, nem que sejam dois dias. Principalmente para estar com os meus pais e os meus sobrinhos. Nem sempre é possível. Eu tento fazer face a essa ausência quando estou presente. Não sou a pessoa mais afetuosa, a pessoa mais carinhosa do mundo, mas tento ser quando estou lá. Acho que tenho que tentar melhorar isso também com eles.
— Aqui, é 100% Botafogo. Os meus auxiliares sofrem um pouco mais com isso, porque tenho tempo para pensar 100% no Botafogo. Quando preciso de alguma coisa, peço que eles me deem. Tento também perceber que os jogadores já têm, neste ano de 2026, 42 jogos. Nós (comissão) temos 19. Tento perceber isso para quando posso, como agora nessa semana, dar um descanso extra se eles cumprirem determinadas metas, dar um tempo extra para eles estarem com a família, alguns irem para casa porque a família não é do Rio. Eu tento ter essa compreensão porque sei que o lado familiar é muito importante.
— Aqui no Brasil, nós abdicamos, não temos muito tempo para estar em casa e os jogadores também. Procuro dar esse tempo apesar de eu não poder aproveitar. O Botafogo preenche. Enquanto a minha família estiver bem, eu também estou bem.
Manda mensagem de madrugada para membros da comissão?
— Eu escrevo em um papel, ou digo ao Luís (Filipe, auxiliar) “amanhã, me lembre disso”. Para o Luís, costumo (mandar mensagens), porque é ele quem costuma escrever o que eu peço, senão vou me esquecer O Alfie (Assis) é um analista que já estava em 2024, acho que está há 16 anos no Botafogo, de quem gosto muito. Esse tem que estar 24 horas. Acordo muito cedo, deito muito tarde. Ele é o homem que trabalha com o vídeo, os cortes, lhe peço muita coisa durante a madrugada e normalmente está disponível.
Franclim explica necessidades do Botafogo e diz que escolheu cinco trocas na Sul-Americana
Quão próximo já está do estilo de treinador que quer ser?
— Em termos de relação pessoal, estou muito próximo do que eu pretendo ser, porque eu procuro... Vou dizer uma coisa que todos nós sabemos, que é impossível nós sermos justos. Aqui no Brasil, então, são 30 jogadores no elenco, mas temos que procurar sermos os mais justos possíveis com todos. Eu procuro isso, essa relação do olho no olho com eles.
— Eu sei que há coisas que eu vou dizer a eles que não vão agradar, mas acho que é melhor ouvir uma verdade dura do que uma mentira suave, porque mais à frente isto vai nos trazer problemas. Eu procuro ter esta relação com eles, acho que o grupo teve uma aceitação boa. Eu gosto de ser próximo dos jogadores, gosto muito de brincar com quem tenho confiança. Eu tinha a vantagem de ter trabalhado com alguns antes como auxiliar.
— Enquanto auxiliares, os jogadores olham para nós de forma diferente. Não como “eu não joguei por causa de você”. Quando somos técnicos, é assim. Quando somos auxiliares, é “eu não joguei, mas não por causa de você, é por causa daquele”. Para nós, auxiliares, ajuda.
— Neste caso, eu procuro manter esta relação de conforto entre nós, de abertura, de brincadeira, principalmente com os que vinham de 2024. Agora, já consegui criar também laços com jogadores que só conheci este ano, porque eu gosto disto. Portanto, neste lado pessoal, estou perto do que pretendo ser enquanto treinador.
— Pelo lado estratégico, acho que vou dizer que nunca estou perto do que eu pretendo ser, porque isto é muito volátil, está sempre em evolução. Nós temos que estar em constante adaptação. Lembro que, em 2024, nós pegamos um Fluminense que era muito vincado, uma forma de jogar muito diferente. Nós em Portugal pegamos um Sporting do Rúben Amorim que começou a jogar com três zagueiros, lá não era normal, e mudou muito o paradigma. Nós não estávamos habituados a jogar constantemente contra este tipo de estruturas, e isso nos obrigou (a fazer) uma adaptação sempre que jogávamos contra eles.
— Lembro que o Sérgio Conceição, quando estava no Porto, em todas as temporadas apresentava uma nuance diferente, fosse com a bola ou sem. Isso nos obriga sempre a procurar mais (alternativas). Eu, como gosto muito de ver futebol e vejo muito futebol, que é o programa que minha TV em casa normalmente transmite, procuro sempre beber de uma coisa ou outr. Se nós enfrentarmos isto, como é que vamos reagir? Com os jogadores que temos, conseguimos fazer isto? Como é que vamos conseguir controlar tudo assim? Isso me obriga a dizer que dificilmente vou estar perto do que eu quero ser enquanto treinador de estratégia. Acho que o futebol é muito jogo de gato e rato. Está muito no lado estratégico. E eu não quero castrar a liberdade que os jogadores devem ter. O jogador brasileiro tem uma relação única com a bola.
— Acho que é importante nós não castrarmos isso. Os jogadores sabem que há zonas do campo em que podem arriscar mais que outras. Sabem que se arriscarem três vezes seguidas e perderem a bola, na quarta eu vou dizer para jogarem dois toques em duas vezes seguidas, senão o torcedor começa a fazer muito barulho. Não quero castrar este lado da criatividade, porque acho que o futebol mundial está entrando muito por aí. Isto vem também do trabalho da base. Não quero castrar muito isso, mas há zonas, há regras.
— Não sou um técnico de dizer “não, porque o goleiro tem que jogar com os pés para jogar sempre curto”. O goleiro tem que ser, primeiro, bom com as mãos e fazer o básico com os pés. Se conseguir acrescentar qualquer coisa com os pés, melhor, porque é uma solução diferente, é uma superioridade que nós acrescentamos naquela zona. Mas eu não quero risco.
— Se for no último terço, eu posso falar, por exemplo, do Matheus Martins. É um jogador que em casa costuma ser assobiado (vaiado) na terceira ou quarta ação, porque ele se arrisca muito, perde muitas vezes a bola. Há vezes que eu lhe digo “já perdeu três seguidas, agora joga uma ou duas simples” para voltar a ganhar conforto e confiança. Depois arrisca de novo, porque é um jogador do último terço.
— Temos visto nos últimos jogos que o Montoro está confiante, voltando, aparecendo. Ele sabe que há zonas que não pode arriscar, e procura não fazer porque é um garoto que percebe muito bem o jogo. Mas é um garoto que perde duas bolas seguidas, tem 19 anos, quer uma terceira bola e vai arriscar na mesma. Eu não posso tirar isso dos jogadores, principalmente desses que são diferentes. Temos que tentar ajustar a equipe para, se o Montoro ou o Matheus perderem a bola, nós estarmos aqui. Isso é importante.
Franclim exalta Alex Telles no Botafogo: "Está cada vez mais líder"
De qual momento no Botafogo você mais se orgulha?
— Num jogo em si, não sei se lembro de algum momento desses. Lembro mais do que não foram tão bem, infelizmente, mas fiquei muito satisfeito com alguns jogos que nós fizemos. O jogo contra o Corinthians era um que eu tinha alguma expectativa, uma curiosidade para ver como nós íamos responder. Tínhamos tido a eliminação para a Chapecoense (na Copa do Brasil) nessa semana, tínhamos perdido para o Remo, era um momento não tão bom.
— Acho que nós fizemos um belíssimo jogo contra um adversário muito bom, um técnico bom e que faz coisas diferentes (Fernando Diniz), se nota a identidade. Não podemos esquecer que o Danilo não jogou e foi o primeiro jogo do Huguinho no Brasileiro. Jogou 90 minutos, perdeu no lance do gol de empate (de Raniele), e com 19 anos teve uma postura e uma maturidade que me surpreendeu, sinceramente. Uma coisa é em treino, e outra coisa é em jogo. O jogo é um tribunal, como costumo dizer. Ele chegou ao jogo e respondeu com o que fazia no treino, tem tido esta sequência.
— Não fiquei satisfeito com a forma que jogamos contra o Santos, mas ganhamos, após a pausa (da Copa do Mundo). Disse isso aos jogadores. Contra o Vitória, fizemos um jogo com bola muito conquistado, na minha opinião. Acabamos não conseguindo fazer nenhum gol. Nem sempre dá para ganhar e jogar bem. Depois, o Cruzeiro, não jogamos com bola o que queríamos, preparamos e tentamos. Os jogadores querem, preferem jogar com bola, mas soubemos sofrer, defender, ser unidos. Isso faz muita diferença para mim.
— Eu foco muito na força do grupo, no “um” não ser mais forte do que a unidade. Acho que faz diferença em muitos jogos, como acho que fez no Cruzeiro, para o nosso lado. Depois, também nos agarramos ao fato de ser o segundo jogo seguido em que não sofremos gols.
— Sofremos gol contra o Santos em um escanteio, no rebote, o Léo (Linck) fica no chão pedindo falta. Isso depois começa a nos trazer outras coisas. Gosto muito que a minha equipe ataque e que faça gols, mas também gosto que a minha equipe não sofra gols, e os jogadores se agarram muito a isto.
Sua carreira de jogador teve um fim precoce, aos 23 anos. Por quê?
— Eu era ponta direita porque era muito rápido, mas tinha muitas dificuldades técnicas (risos). Sempre gostei muito de ver futebol, então eu tinha muito esse lado de tentar perceber (as falhas). Quando tirei o primeiro e o segundo graus de técnico em Portugal, eu ainda jogava. Nós treinamos ao final do dia, e eu fui convidado por um dos preletores para ser auxiliar dele. Tive que escolher. Ou vamos começar isso a sério, ou vamos continuar aqui como jogador na terceira divisão, ou quarto. Optei, e bem, pela carreira de técnico. Me preenchi. Gosto de jogar com os amigos, (...) mas sempre preferi, desde menino, ver o futebol e analisar.
— Acho que foi muito por esse lado. A pessoa que me convidou era respeitada na minha cidade, em Coimbra. Tinha muitos contatos, muitos clubes, tinha sempre muitas opções, e eu entendi que era o momento ideal para dar esse primeiro passo. Ainda bem que foi assim, foi uma ascensão rápida do futebol amador ao profissional. Costumo dizer que sou uma pessoa com sorte, tive muita nesse caminho no lado profissional. Se sou um treinador com sorte ou não, vamos ver (risos).
O que falou na cena que viralizou na final da Libertadores de 2024?
— Enquanto auxiliares, é mais fácil termos uma visão diferente durante o jogo. Estamos mais na retaguarda, não estamos vivendo tanto o jogo quanto o técnico principal. É mais falar “vamos fazer assim”. Vocês viram que o Danilo (Barbosa) foi aquecer quando o Gregore foi expulso, mas nós nesse ano tínhamos quatro atacantes que eram muito acima da média (Luiz Henrique, Thiago Almada, Igor Jesus e Savarino). Para colocar o Danilo, teríamos que tirar um dos quatro, o que não era uma decisão fácil porque a qualquer momento do jogo um deles poderia resolver.
— Estávamos eu, Artur e o João (Cardoso, auxiliar), uma ou outra pessoa deu uma sugestão. “Vamos dessa forma, vamos dessa”. Conseguimos reajustar a equipe, com menos um atleta, sem tirar nenhum dos dez. No meu entender, preparamos muito bem aquele jogo.
— Aqueles quatro atacantes eram muito fortes. Nós tínhamos o Marlon, que era um jogo que percebia muito bem o jogo e o que nós pretendíamos. Quando queríamos passar uma ideia a um jogador do lado de lá (do campo), bastava dizer ao Marlon, percebia mais rápido. Ele passou a fazer o papel que estava destinado ao Gregore. E o Marlon entrou muitas vezes na zaga nesse jogo para fazer um quinto homem. Lembro que o Atlético-MG jogava com três zagueiros e tinha dois homens à largura. Nós tentámos manter esses cinco homens atrás, perdemos um dos homens da frente, depois tivemos que fazer aqueles quatro ali, eles fizeram isso muito bem.
— Foi mais nesse sentido. Com aqueles 10, tentamos ajustar para a nossa ideia. Era uma final, um jogo, para pensar que com 40 segundos teríamos um a menos em campo. Não venham dizer que é mais fácil ganhar com dez, porque não é (risos), ninguém pode dizer isso. Foi muito difícil para nós, mas naquele momento sugerimos e o Artur decidiu daquela forma. Ainda bem para todos nós botafoguenses, e para nós comissão, porque correu muito bem.
Técnico do Botafogo, Franclim explica o que sugeriu na final da Libertadores de 2024
Ir para cima do Atlético-MG foi uma sugestão pessoal sua?
— A minha sugestão desde que sou treinador é muito essa. Vamos para cima. Acho que isso também tem a ver com a minha personalidade. Talvez pela idade, sou jovem, daqui a dez anos posso olhar para o jogo de forma diferente. Mas nós tínhamos equipe para isso, no Braga também tínhamos. No Al-Rayyan, havia alguns jogos em que nossa equipe não era tão forte nesse sentido. Mas no Braga e aqui, tínhamos perfil de jogadores para isso, e se encaixava em nós. Tanto que nós em 2024, acho, só tivemos nove derrotas depois que chegamos. Para mim, é um número assustador. Não é fácil de igualar. Eu tenho essa ideia de ir para cima. Como disse na minha apresentação, gosto que minha equipe ataque muito. Vai atacar e tem atacado. E gosto que minha equipe faça muitos gols, vai fazer e tem feito. Tenho muito essa visão. Quando nós temos peças para isso, então, é o casamento perfeito.
Dentre os últimos técnicos do Botafogo, você chama a atenção por um uso maior da base. E não apenas relacionando jovens, mas os colocando para jogar. O que justifica essa ideia?
— Essa questão de o Lucas Emanuel ter jogado de início contra o Santos, eu acho que não causou surpresa nenhuma. Eu vi um dia ou dois antes: o Arthur Cabral não foi relacionado, vai jogar o Lucas Emanuel pois não tínhamos o Kadir disponível. Não sei como é que essa informação passou aqui para fora, mas acho que não causou surpresa.
— Mas eu não o conhecia. Falavam comigo sobre ele do sub-17, o Léo Coelho me falou dele. Na intertemporada ele vai treinar com a gente, porque eu quero observar o garoto. É um jogador que eu gosto muito, me faz lembrar um ex-atleta meu, que é o Vitinha, que agora está na Itália (Genoa). Na época, foi a maior venda do Braga, em termos de valor, para o Marselha. O Lucas tem muita coisa idêntica ao Vitinha. Ele finaliza bem, trabalha muito, está sempre correndo. Apesar de ter 17 anos, ele não se amedronta.
— Vocês viram no jogo contra o Santos, tinha o Luan e o Lucas Veríssimo, os dois tem 2 metros de altura cada. E ele ali com 17 aninhos, fez o que sabe fazer de melhor, na minha opinião, que é finalizar. É muito bom finalizando. De pé direito, pé esquerdo, de cabeça, de dentro da área, de fora da área. Isso ele já tem com 17 anos. Mas ainda falta muita coisa para ser um jogador do time principal do Botafogo, num Brasileirão Série A. Vai continuar trabalhando com a gente. A chegada do Danilo (Pereira) não significa que o Lucas vai voltar para as categorias de base, não vai. Ele é um jogador que é pra estar conosco. Mas é um jogador que eu prevejo que possa vir a se firmar no Botafogo se cumprir com as etapas. Não podemos queimar as etapas. Seja com o Lucas, seja com o Hugo, com o Justino, com o Kauan, seja com o Victor Hugo e o Herick que são também do sub-17 e têm trabalhado com a gente. São jogadores que eu aprecio. Eu gosto muito da qualidade.
— Os jovens nos dão uma coisa que eu gosto muito, que é andamento em treino. Intensidade de trabalho, capacidade de trabalho, pressão. Isso, para mim, é muito importante na equipe, e eles me dão isso. Depois, têm qualidade, como vocês têm visto. Aliás, vocês têm visto mais isso do que eu. O Huguinho tem crescido muito de rendimento. Antes, ele só desarmava e tocava de lado, agora já vai em progressão, chuta e faz gols, como contra o Bahia. Agora aqui contra o Vitória, pegou a bola na nossa área e chegou à outra área. Foi para frente, para trás, direita, esquerda.
— Eu acho que conviver com a gente e com o elenco principal faz com que cresçam nos treinamentos. Mas eu não posso tirar tempo de jogo desses atletas. Têm que jogar, têm que ter tempo de jogo. Seja no elenco principal, no sub-20, no sub-17. Se puderem treinar conosco, melhor para eles, porque são obrigados a crescer mais rápido. E para nós também, porque eles nos dão a irreverência da idade. Temos que encontrar aqui um equilíbrio.
— Eu tenho dito que nós não vamos ter um Botafogo em campo com 11 atletas da base até o final de 2026. Não vamos, não vai acontecer. Não sou bruxo, mas não vai acontecer. Temos que criar condições para lançá-los. Eles vão responder, porque têm qualidade. Eu não os tenho aqui para dizer que tenho atletas da base. Tenho aqui para eles jogarem.
— O Kauan já jogou. O Huguinho tem jogado. O Justino já foi não relacionado, não utilizado, suplente utilizado e titular. O Kadir já jogou, já fez gol e já deixou de jogar. O Lucas fez gol, depois entrou e agora não entrou, porque o jogo era diferente. Entendi que estava mais para o Kadir do que para o Lucas, são jogadores diferentes.
— Portanto, se eu entender que eles têm que ir lá para dentro, vão. Para o jogo contra o Santos, o Arthur (Cabral) se lesionou durante a semana, três ou dois dias antes. Era entre o Kadir e o Lucas, porque eu queria ter um 9. Optei pelo Lucas pela forma como pensei que seria o jogo, queria ter um atacante mais finalizador, mais de área do que mais de atacar espaço. Os dois acabaram fazendo gols, e ainda bem. O gol que o Kadir fez, o Lucas não faria. O gol que o Lucas fez, o Kadir não faria. Portanto, são diferentes. Mas conto com eles, como disse. Tenho dado provas disso, que os coloco dentro (de campo).
Aproveitando que você falou sobre o Arthur Cabral. Ele e Danilo Pereira podem jogar juntos, ou são concorrentes?
— Claro que podem jogar juntos. Arthur e Danilo (Pereira), Lucas e Danilo. Arthur e Lucas depende do jogo ou do momento do jogo. Arthur e Kadir já jogaram. Lucas e Kadir pode acontecer, Kadir e Danilo pode acontecer. Danilo sem nenhum deles pode acontecer. Danilo e Montoro ou Danilo e Kauan, por exemplo. Pode acontecer.
— Acho que a característica mais forte do Danilo é a inteligência. Movimentar-se, perceber o jogo, o espaço dele, o adversário e entender aquilo que nós pedimos. O Danilo está há pouco tempo conosco. Tem um fato curioso. Quando nós acertamos (a contratação) e eu falei com ele, em algumas horas (Danilo) me perguntou: “Mister, não tem um vídeo para eu ver o que você pede aos atacantes?” Fiz o vídeo chegar até ele. Estava preparado para todas as posições.
— Mas isso para dizer o quê? O Danilo veio com fome. Quer mostrar ao Brasil, ao país dele, onde nunca jogou como atleta profissional, quem é o Danilo. Na Europa, todo mundo o conhece. No Brasil, pode haver quem não o conheça, apenas da base. E ele veio com fome de mostrar. Veio com fome de vir para o Botafogo. Nós não podemos esquecer que o Danilo fez gols no Ajax, no Feyenoord, no Rangers. Fez gols em todo lado. No ano passado, não esteve tão bem em termos de gols. Eu não peço aos meus atacantes que façam 30 gols, só peço que corram, trabalhem muito.
— Depois, vão acabar fazendo gols. Vocês viram que o Cabral, desde que nós chegamos, fez sete gols até a parada (para a Copa do Mundo). Contra o Vitória, não fez porque o Lucas Arcanjo teve uma partida de outro mundo. Teve dois lances do Cabral que ele fez duas grandes defesas. Mas eu falei: “Calma, você vai acabar fazendo gols outra vez”, porque tem trabalhado muito. E o Danilo é muito assim.
— Eu acho que esse fato, de ele ter pedido o vídeo, mostra a fome e a vontade que ele (Danilo) veio. Isso pra mim é o mais importante. Os jogadores têm que vir com fome, com vontade de representar o Botafogo. Eu não quero jogadores que venham para o Botafogo pensando: “Eu vou porque o Botafogo ganhou em 2024, porque está nas oitavas da Sul-Americana, eu vou para ganhar dinheiro.” Eu não quero jogadores assim. No caso do Danilo, para ele, o mais confortável era ficar na Europa, tinham várias oportunidades. A esposa dele não é brasileira, vir (para o Brasil) requer um período de adaptação e de mudança de vida, porque já tem filhos. Ele estava preparado e com vontade de vir, e isso pra mim foi um fator muito importante.
Franclim confirma desfalque de Allan; Júnior Santos tem baixas chances de retorno
Há algum treinador que seja um norte para o seu trabalho? Uma grande influência...
— Eu gosto de muitos treinadores, porque acho que nós conseguimos beber muita coisa de diferentes técnicos. Eu tenho uma forma de estar bem-disposta, sou muito sorridente. Isso não é fácil de encontrar nos treinadores, normalmente são mais sérios. Eu vejo isso de uma forma um pouco diferente. Mas eu falo sempre das pessoas com quem trabalhei, porque convivi com elas. Portanto, vou falar sempre do Artur (Jorge), do Petit, do Ulisses (Morais), do (José) Viterbo, que foram as pessoas com quem trabalhei, com quem me relacionei durante o dia a dia.
— Uma coisa é nós vermos o treinador no jogo. Outra coisa é vermos o treinador nos treinos durante a semana: como pensa, como prepara, qual é a ideia. Isso é totalmente diferente. Depois, gosto muito do Rúben Amorim. Acho que teve um impacto muito forte em Portugal, principalmente em termos de comunicação. Em Portugal, era muito normal, e ainda é um pouco, perguntarem (algo do tipo) “Allan e Júnior Santos vão jogar contra o Fluminense, ou vão estar disponíveis?” E (a resposta ser) “ah, não sei, vamos ver.”
— O Rúben não fazia isso, na maioria das vezes. Acho que isso é importante por respeito ao trabalho de vocês (imprensa), para evitar notícias que não condizem com a verdade, porque vocês depois têm que apurar de alguma forma. E também para trabalharmos com clareza para os torcedores. Não é só quando está tudo bem que temos que abrir o livro (ser transparentes).
— Eu acho importante darmos dados para vocês, dentro do que nós conseguimos, também para valorizar o trabalho. Você perguntou se vamos buscar mais jogadores, eu te falei que gostaria de ter mais dois. Não vou dizer as posições, mas disse que são mais dois, não mais cinco ou três. Se conseguir. Se não conseguir, tudo bem. Eu acho isso importante, e o Rubén teve um papel importante nisso (transparência com a imprensa) em Portugal.
— O Sérgio Conceição é outro, pelo lado competitivo e porque conheço a pessoa. Obviamente vamos falar sempre de Jorge Jesus, pela forma vincada como conseguimos identificar “isso é uma equipe de Jorge Jesus”. Depois, José Mourinho, que foi o ícone dos ícones, principalmente em Portugal, mas em termos mundiais também teve um impacto muito grande. Vou falar só dos portugueses, porque acho que o treinador português tem muita qualidade.
— Eu valorizo muito o fato do Renato (Gaúcho) ter tantos jogos como treinador, eu não fazia ideia que ele tinha tantos jogos como técnico. O Fernando Diniz tem uma forma de jogar vincada (estilo de jogo claro e definido), como estou falando do Jorge Jesus. Não estou entrando no mérito se é certo ou errado, mas é marcante. O Fernando (Seabra) do Coritiba, e eu já lhe disse isso, em 2024 já nos causou dificuldades, perdemos as duas para o Cruzeiro. Depois, no Bragantino, também acompanhei um pouco. É um treinador que tem mostrado trabalho com armas e equipes diferentes. O elenco do Cruzeiro é completamente diferente do elenco do Coritiba. Acho que ele tem um Coritiba muito bem montado para os jogadores que tem, muito.
— Acho que nós aqui no Brasil temos técnicos qualificados. Não gosto quando dizem que agora os brasileiros só pensam em portugueses por causa do sucesso do Jorge Jesus e do Abel (Ferreira, do Palmeiras). Mas acho que nós temos que assumir o que o Abel tem feito aqui, e o que a direção do Palmeiras tem dado ao Abel. Não vou dizer que é único, mas hoje em dia é histórico porque é diferente. A estabilidade, o tempo, a conquista de títulos, as vendas. Os milhões que já faturaram desde que o Abel chegou ao Palmeiras, e também a forma competitiva que eles apresentam toda temporada, com fome de vencer. Não só no discurso, mas lá dentro.
— Costumo dizer que o Palmeiras é o Porto do Brasil. O Porto é muito “vamos defender a nossa rainha (no xadrez)”. O Palmeiras jogando é muito assim, é a equipe brasileira que mais se assemelha a esse lado sul-americano de competitividade. Isso é mérito total do Abel e da comissão, com suporte da diretoria para fazer isso há cinco, seis anos.
Queríamos que você fizesse um balanço do seu trabalho até aqui. Onde acha que o Botafogo precisa melhorar?
— Eu acho que nós temos que melhorar muito com a bola na primeira fase de construção, porque isso é que vai nos permitir controlar o jogo com a bola durante mais tempo. Contra o Cruzeiro, tivemos muita dificuldade nisso. O Cruzeiro nos pressionou muito e nós não conseguimos manter a bola. Contra o Vitória, o Vitória tentou pressionar e nós conseguimos quebrar (a pressão). Vocês podem falar das características dos zagueiros, dos volantes, dos goleiros, dos laterais, do que quiserem. Eu acho que é muita responsabilidade minha, nossa, da comissão. Nós vamos ter que encontrar formas de melhorar esse aspecto, e vamos melhorar. Temos trabalhado nisso.
— Esse é o aspecto que mais me chama a atenção, em que nós temos que melhorar muito. Depois, eu acho que, da segunda fase até a zona de finalização, nós já somos uma equipe com um processo bem consolidado. Dá para ver o que nós queremos fazer. Com uma ou outra nuance, mas está lá. Os jogadores percebem isso perfeitamente e têm conforto para fazer.
— Nós colocamos muita gente na área. Estão lá, aparecem, fazem gols. Nós reagimos à perda da bola e estamos muito melhores do que estávamos há três meses. E eu só falo desde que estou aqui. Sem a bola, estamos melhores. Somos uma equipe mais paciente quando temos que ser, e uma equipe mais pressionante quando temos que ser. Há uma margem muito grande para melhorar. Mas principalmente nessa questão da primeira fase, nós temos que melhorar com a bola, e vamos melhorar.
— Não gosto de fazer balanços (do trabalho) nesta altura do campeonato. Fico chateado por ter três derrotas: uma aos 93 ou 94 minutos contra o Remo; outra aos 91 ou 92 contra o Bahia, em que jogamos o segundo tempo com um jogador a menos (expulsão de Neto); e depois aquela derrota (Chapecoense) que eu não quero esquecer, e faço questão de que os meus jogadores não esqueçam, em que tivemos um primeiro tempo muito abaixo e diferente da cara que nós queremos mostrar.
— Eu tenho dito isso muitas vezes porque acho importante não repetirmos isso. Eu não quero que isso volte a acontecer, nem eu, nem os jogadores. Mas temos três derrotas a mais do que eu pretendia. Temos alguns empates, seis, mas eu costumo dizer que empatar não é perder, é somar. Portanto, estamos sempre somando.
— As contas do Brasileiro são feitas no final. Eu tenho dito aos jogadores: “Não olhem para a tabela”, porque isso é uma maratona longa. Começou agora o segundo turno, falta muito jogo. É importante não olharmos para a tabela, porque está tudo muito junto. Temos desafios internos que queremos alcançar e que começaram no jogo contra o Santos, depois da parada. Isso vai ser uma nova história, um novo rumo que o Botafogo terá que ter, e tem mostrado. Vamos lançar, como temos lançado, atletas da base se tiverem qualidade. Vamos contratar jogadores que entendemos que vão acrescentar qualidade. Se não, não contratamos.
— Vamos querer ser reconhecidos como uma equipe competitiva, um clube cumpridor e que vai orgulhar o seu torcedor. Esse é o novo rumo do Botafogo, a nova história. Vamos lutar durante todos os 90 minutos para ganhar o jogo, mas com respeito pelo adversário. Nós sabemos que vivemos um período conturbado anteriormente, mas como eu disse, no jogo contra o Santos nós vimos ali uma estrela brilhando, uma luz. Ela está distante. Vamos chegar até ela, e quero acreditar que vamos chegar sorrindo.
A Sul-Americana se aproxima, e com um desafio na altitude. Como projeta os jogos contra o Cienciano e as chances do Botafogo no torneio?
— Eu não gosto de pensar mais à frente, e vou confessar a vocês que eu nem sequer assisti a Cienciano x Lanús, porque tenho um problema para resolver antes, que se chama Fluminense. Não adianta nós falarmos, e eu também tenho dito isso aos jogadores, que queremos estar lá (na final) no dia 21 de novembro. Agora, temos dois jogos contra o Cienciano, o primeiro fora de casa, o que é muito diferente.
— O primeiro jogo que eu fiz pelo Botafogo (contra a LDU, em Quito), em 2024, foi na altitude, e aquilo, para mim, foi uma dificuldade tremenda. Eu tenho dito à minha comissão: “Agora é que vocês vão ver a dificuldade que é.” E, desta vez, são 3 mil e muitos metros de altitude. É muito diferente, é muito difícil. É um jogo que tem que ser bem preparado, completamente diferente daquele que será disputado aqui. O Botafogo pode começar com os mesmos 11 e o Cienciano com os mesmos 11. O jogo será completamente diferente devido às características que o rodeiam.
— Mas vai ser uma eliminatória difícil, porque o Lanús era o atual detentor do título (da Sul-Americana), veio da Libertadores, ganhou por 2 a 0 em casa e perdeu por 4 a 0 no segundo jogo. Portanto, nós não podemos olhar para o Cienciano com desrespeito ou pensar que somos favoritos, porque isso temos que mostrar lá dentro.
Danilo não pode mais jogar o Brasileirão 2026 por outro clube, e até o momento permanece no Botafogo. Como vê o papel e a importância dele?
— O Danilo é um bebê grande de 25 anos. É um garoto de 25 anos, eu costumo dizer isso. Tem uma personalidade muito característica e dá uma alegria diferente ao nosso grupo. Costuma ser o nosso DJ agora. Ele gosta (de pagode baiano), eu também gosto.
— Dentro de campo, é aquilo que todos nós sabemos. Nós temos um Botafogo com o Danilo e um Botafogo diferente sem o Danilo; um Botafogo com o Montoro, um sem o Montoro; com o Medina, que eu acho que é um jogador de quem pouca gente fala, mas que me preenche muito. Temos um Botafogo com o Medina e um Botafogo sem ele. Hoje em dia, temos um Botafogo com Huguinho e um sem, porque é um volante de características diferentes. Mas o Danilo, enquanto for meu atleta, meu jogador no Botafogo, será importante, desde que esteja com a cabeça no lugar. Fará a diferença, que muda a nossa forma de jogar.
— Jogar com o Medina e o Danilo como volantes é muito diferente de jogar com o Huguinho e o Medina. Jogar com o Danilo em uma das meias, entre as linhas, é diferente de jogar com o Villalba ou com o Kauan Toledo. Se ficar, enquanto estiver aqui, seja até amanhã, até dezembro, ou até 2029… Será um jogador muito importante para o Botafogo. Como foi dito por muitos de vocês, ele esteve entre os 11 melhores jogadores do primeiro turno. Fez muitos gols, foi convocado para a Copa. Um jogador que é convocado para a Copa e joga no Brasileirão, obviamente, é um jogador diferente.
— Tem coisas para melhorar? Claro que tem. Na visão do treinador, há sempre coisas para melhorar. Mas ele faz muita coisa diferente, porque é um jogador muito acima da média. Acho que é um jogador com futebol para atuar em um nível muito alto. E quando digo isso, vocês gostam de falar da Premier League, Itália, Espanha. Nós gostamos de falar disso porque os melhores jogadores estão nesses campeonatos. Acho que o Danilo tem capacidade para estar entre os melhores. Se o Danilo estiver aqui, será, sem dúvida, como foi e mostrou no primeiro turno, um dos quatro ou cinco melhores jogadores do campeonato. Disso eu não tenho dúvida nenhuma.
Montoro teve um início de ano aquém do esperado, mas vem se recuperando. Houve algum trabalho específico com ele?
— Não houve. Nós não podemos esquecer que o Montoro fez 19 anos quando eu já estava aqui, há menos de quatro meses. É um menino. Tem muita coisa de que eu gosto. Acho que é um jogador para quem muita gente olha. Muitos clubes, olheiros e agentes. É um jogador que chama a atenção porque assume a responsabilidade, como tem feito nesses dois jogos.
— Tem que melhorar algumas coisas, principalmente a questão do chute ao gol, da finalização, de fazer gols. Ele tem que marcar mais gols. Um jogador como o Montoro tem que ter mais gols. Na posição em que joga, com as características, a capacidade, a percepção de jogo que tem, precisa fazer mais gols. Sabe as zonas e o momento em que tem que aparecer.
— (Montoro) gosta muito de servir o companheiro, mas tem que arriscar mais. Eu tenho pedido isso. Vamos ver se conseguimos fazer com que melhore os números dele em termos de gols, porque isso também vende. Isso também chama a atenção de quem quer comprar, de quem quer contratar e de quem está disposto a pagar o valor que o Botafogo entende que o jogador tem.
O Botafogo fez uma reformulação total no gol e trouxe dois novos nomes. Como projeta a disputa entre os dois? Vai deixar um goleiro no Brasileiro e outro na Sul-Americana?
— Eu não tenho goleiro do Brasileiro e goleiro das Copas, nem goleiro nem jogadores de linha. Gosto de ter os melhores lá dentro. No meu entendimento, o Warleson estava mais preparado para esses dois jogos do que o Gabriel, que se integrou mais tarde. Estou satisfeito com o trabalho dos dois.
— É bom termos dois goleiros com capacidade, reconhecida por vocês, para brigar pela posição. Os dois eram titulares nas equipes em que estavam, ou seja, chegam com ritmo de jogo. É bom termos essa competitividade no gol, porque ela não pode existir apenas entre os jogadores de linha. Eu não posso ter um goleiro que adormeça porque sabe que está acima dos outros, ou à frente dos outros em termos de qualidade. Não posso.
— Depois, temos o Cleber (Lucas, da base), indo mais uma vez ao encontro daquilo que falei sobre os atletas da base. Na minha cabeça, não faz sentido um clube como o Botafogo ter um terceiro goleiro, com 24, 25 anos. Não faz sentido. Nós temos que ter um goleiro com 19 ou 20 anos. Vamos ver, neste período, se ele tem capacidade ou não para responder à exigência do Botafogo. Se entendermos que não, então terá que ser outro (terceiro goleiro) daqui a dois anos.
— Nós reconhecemos capacidade e qualidade no Cleber. A posição de goleiro é diferente, é mais fácil lançar jogadores de linha do que goleiros pela especificidade da posição. Mas estou muito satisfeito com os três. O Cleber está, neste momento, atrás dos outros dois no que diz respeito à condição de poder jogar amanhã, caso fosse necessário. (No último fim de semana), ele foi jogar no sub-20, tendo essa janela é importante. Não posso tirar tempo de jogo de atletas de 19 ou 20 anos. É importante que ele compita.
+ ✅Clique aqui para seguir o canal ge Botafogo no WhatsApp
🗞️ Leia mais notícias do Botafogo
🎧 Ouça o podcast ge Botafogo 🎧