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Operação mira golpe contra locadoras de veículos; bando revendeu pelo menos 36 carros alugados

A Polícia Civil do RJ iniciou na manhã desta sexta-feira (7) uma operação contra uma quadrilha acusada de clonar e revender carros de locadoras no RJ. De acordo com as investigações, os bandidos criaram uma empresa de fachada para alugar…

G1 — Brasil · 2026-08-07T09:59:33.000Z

A Polícia Civil do RJ iniciou na manhã desta sexta-feira (7) uma operação contra uma quadrilha acusada de clonar e revender carros de locadoras no RJ. De acordo com as investigações, os bandidos criaram uma empresa de fachada para alugar e, posteriormente, vender os veículos.

Para a Polícia Civil, a organização criminosa atua desde março de 2025. O prejuízo chega a R$ 1 milhão para as locadoras.

Ao todo, estão sendo cumpridos 9 mandados de busca e apreensão no Rio, São João de Meriti e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e Cabo Frio, na Região dos Lagos.

Na casa de um dos alvos, a polícia encontrou dinheiro falso. Ele foi preso em flagrante.

Segundo as investigações, uma empresa de fachada de Olaria, na Zona Norte do Rio, firmou 36 contratos de aluguéis de veículos com uma locadora. No entanto, os automóveis teriam sido revendidos a terceiros sem a autorização da proprietária.

O caso começou a ser investigado pela 41ª DP (Tanque), em janeiro deste ano, após a localização de 3 veículos pertencentes à locadora que, supostamente, haviam sido revendidos de forma irregular.

Um Hyundai HB20 foi encontrado em uma oficina mecânica, enquanto um Fiat Argo e um Fiat Mobi eram anunciados para venda em uma agência de automóveis, apesar de ainda estarem vinculados a contratos de locação em vigor. Um dos carros estava adulterado.

Um dos carros recuperados pela 41ª DP (Tanque)

Crime em etapas

De acordo com a Polícia Civil, o esquema funcionava em etapas. Na 1ª, uma empresa teria sido criada em nome de um suposto "laranja" para contratar os veículos junto à locadora. Em depoimento, o proprietário da firma contou que forneceu seus documentos e realizou os procedimentos necessários para abertura da empresa acreditando participar de uma operação legal para obtenção de crédito.

Na etapa seguinte, os automóveis eram retirados das unidades da locadora por pessoas recrutadas por meio de anúncios publicados nas redes sociais. De acordo com a investigação, os participantes recebiam R$ 150 por cada veículo retirado. A polícia identificou diversos envolvidos nessa função e aponta que um dos suspeitos teria retirado pelo menos 11 carros.

Ainda segundo a 41ª DP, após a retirada, os veículos eram entregues a um homem que utilizaria o nome "Vinícius" nas negociações.

Agentes da 41ª DP (Tanque) na casa de um dos alvos em Nova Iguaçu

Thiago Ramos/TV Globo

A terceira fase consistiria na inserção dos carros no mercado formal de compra e venda de veículos. A investigação aponta que automóveis da locadora foram oferecidos a intermediários e posteriormente revendidos a uma agência.

“Essa é uma organização criminosa especializada em fraudes envolvendo a venda de veículos obtidos de forma fraudulenta de grandes locadoras de automóveis. A investigação revelou um esquema muito mais amplo do que o identificado inicialmente. O dinheiro movimentado por essas vendas era distribuído em várias contas bancárias para dificultar o rastreamento da origem dos valores”, destacou o delegado Ricardo Barbosa, titular da 41ª DP.

Ainda de acordo com a 41ª DP, os veículos também eram clonados. Perícias da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) constataram adulterações em um Toyota Corolla, um Hyundai Creta e uma Iveco Daily.

Segundo a polícia, um dos carros teve o chassi raspado para dificultar a investigação

O rastreamento financeiro identificou movimentações consideradas suspeitas. A investigação apontou que em uma única venda o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 154,6 mil.

A investigação também aponta transferências de R$ 185,1 mil para um dos investigados e de R$ 115 mil para um adolescente de 16 anos, que, segundo a polícia, teria sido aliciado para receber recursos em conta bancária controlada por terceiros.

Os investigadores afirmam ainda que empresas teriam sido usadas para ocultar valores obtidos com o esquema. Uma delas, segundo o documento, recebeu mais de R$ 219 mil sem apresentar movimentação compatível com a atividade econômica declarada.

A polícia também apura a contratação de um empréstimo de R$ 150 mil por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) em nome da empresa apontada como de fachada.

Os envolvidos são investigados pelos crimes de estelionato, associação criminosa, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, corrupção de menores e lavagem de dinheiro.

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