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Câmara Cascudo: pesquisadores descobrem 10 livros inéditos 40 anos após morte do historiador

Instituto Câmara Cascudo, localizado no Centro de Natal.

G1 — Brasil · 2026-08-07T12:30:54.000Z

Instituto Câmara Cascudo, localizado no Centro de Natal.

Vinícius Marinho/Inter TV Cabugi

Quase quatro décadas após sua morte, Luiz da Câmara Cascudo continua revelando novas páginas da própria história. Pesquisadores do Instituto Ludovicus, casa onde o escritor viveu por cerca de 40 anos em Natal, identificaram dez livros inéditos durante o trabalho de organização e catalogação do acervo deixado pelo folclorista.

Entre as descobertas, uma chama a atenção: um livro de poemas intitulado Caveira em Campo de Trigo. A obra permaneceu desconhecida por cerca de um século porque o próprio Cascudo decidiu não publicá-la.

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Em uma carta enviada ao escritor Mário de Andrade, em 1925, Cascudo afirmou que havia escrito um livro de poesias, mas que não se considerava poeta e que iria "enterrar esse livro no inferno da biblioteca".

"Ele comenta com Mário de Andrade sobre essa obra, que tinha escrito um livro de poesia, mas que não era um poeta e que ia enterrar esse livro no inferno da biblioteca. Enterrou tão bem enterrado que a gente passou 100 anos para descobrir essa obra", conta Daliana Cascudo, neta do escritor e diretora do Instituto Ludovicus.

O livro de poemas faz parte de um conjunto de dez obras inéditas encontradas nos últimos anos durante o processo de digitalização e catalogação do acervo, que reúne cerca de 15 mil cartas, biblioteca particular, manuscritos e objetos pessoais do escritor.

"O primeiro dos livros inéditos, Ruas da Cidade do Natal, foi publicado em 2025. Agora estamos trabalhando com História Antiga de Ceará-Mirim, que deve ser lançado ainda este ano. Nosso objetivo é publicar todos esses inéditos", afirma Daliana.

Segundo ela, o trabalho de preservação do acervo transformou a casa onde Cascudo viveu em um espaço de pesquisa permanente.

"A casa toda é um documento vivo da permanência dele. Aqui estão sua biblioteca particular, as cartas que recebeu e todo o acervo museológico. É um trabalho diário para manter essa obra acessível às novas gerações", diz.

Reconhecido como um dos maiores folcloristas do Brasil, Câmara Cascudo dedicou a vida a registrar costumes, lendas, tradições e saberes populares. Para os pesquisadores, os manuscritos inéditos mostram que sua produção intelectual ainda está longe de ser totalmente conhecida.

"A grande contribuição que ele nos deixa é o olhar sobre a cultura popular e sobre a tradição oral. Ele entendia que esses saberes precisavam ser registrados porque fazem parte da nossa identidade", destaca Daliana.

Além da importância acadêmica, a descoberta tem um significado pessoal para a neta do escritor. Ela lembra que só percebeu a dimensão da obra do avô durante a adolescência.

"Para mim era apenas o vovô, muito amoroso, que gostava de chocolate. Só mais tarde descobri quem era o intelectual por trás daquele avô e comecei a conhecer sua obra", relembra.

As novas publicações reforçam que o legado de Câmara Cascudo segue vivo e em constante expansão, décadas após sua morte, revelando textos que permaneceram guardados por quase um século.

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