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Projeto de educação ESG criado em escolas públicas de Manaus se torna referência científica e pode ampliar modelo no Brasil e na Europa

Projeto de educação ESG criado em escolas públicas de Manaus se torna referência científica e pode ampliar modelo no Brasil e na Europa

G1 — Brasil · 2026-08-07T18:11:38.000Z

Projeto de educação ESG criado em escolas públicas de Manaus se torna referência científica e pode ampliar modelo no Brasil e na Europa

Um projeto criado em escolas públicas de Manaus para aproximar estudantes de temas como sustentabilidade, inovação e empreendedorismo passou a ganhar reconhecimento científico. Desenvolvido entre 2023 e 2024, o Projeto Escola ESG teve sua metodologia publicada em artigo científico e um segundo estudo já foi aceito para publicação pela editora internacional Springer, uma das maiores editoras científicas do mundo.

A iniciativa foi criada pelo professor Marcelo Brito da Silva, idealizador e coordenador pedagógico do projeto. Entre 2025 e 2026, ele desenvolveu uma pesquisa de pós-doutorado no Instituto Politécnico de Leiria, em Portugal, analisando os resultados da experiência realizada nas escolas de Manaus.

O projeto teve como objetivo aproximar o aprendizado da sala de aula da realidade de empresas e instituições que desenvolvem ações relacionadas à sustentabilidade. Durante dois anos, estudantes participaram de visitas pedagógicas, oficinas e atividades práticas para entender como temas ambientais, sociais e de inovação fazem parte do cotidiano de diferentes organizações.

iniciativa foi desenvolvida em três escolas públicas da capital amazonense: Colégio Militar da Polícia Militar VII (CMPM VII), Escola Estadual Professor Octávio Mourão e Escola Estadual Inspetora Dulcineia Varela Moura.

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Ao todo, foram realizadas 19 visitas pedagógicas e registradas 653 EduCotas, termo criado para contabilizar a participação dos estudantes nas atividades realizadas com as empresas parceiras.

Para Marcelo Brito da Silva, o principal resultado do projeto foi ampliar a visão dos estudantes sobre novas possibilidades de futuro.

"Eles entraram nas empresas não como visitantes, mas como jovens que perguntaram, observaram e interpretaram. Muitos passaram a enxergar naquele ambiente uma possibilidade de futuro."

Da escola para a pesquisa científica

A experiência desenvolvida nas escolas passou a ser estudada após os resultados alcançados com os estudantes. O primeiro artigo sobre o projeto foi publicado na Revista Eletrônica de Ciências da Sustentabilidade (RECSA), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e um segundo estudo foi aceito para publicação pela Springer.

Para Marcelo Brito da Silva, o reconhecimento mostra que uma iniciativa criada dentro de uma escola pública pode gerar conhecimento e inspirar novas formas de ensinar sustentabilidade.

"Aquilo que começou como um projeto de professor, dentro de uma escola pública de Manaus, virou ciência publicada e está sendo estudado como modelo. Isso mostra que uma experiência local pode inspirar outras iniciativas."

Além das publicações, a metodologia foi apresentada no VIII Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, realizado em Manaus em 2025.

Estudantes desenvolveram soluções sustentáveis

As atividades realizadas durante as visitas deram origem a projetos criados pelos próprios estudantes. Entre os trabalhos apresentados pelas escolas estiveram uma produção em formato de telejornal sobre combustível sustentável de aviação (SAF), a criação de um equipamento didático para explicar a produção de hidrogênio verde e a fabricação de biojoias com materiais reaproveitados e elementos da Amazônia.

O projeto também promoveu oficinas de empreendedorismo, ideathon e hackathon, atividades que estimularam os alunos a criar soluções para desafios ambientais e sociais.

Empresas abriram espaços para aprendizagem

O projeto contou com a participação de oito empresas e instituições parceiras: Visteon Amazonas, Fundação Rede Amazônica, Flex, Tutiplast, Cigás do Amazonas, Eucatur Urbano, Águas de Manaus e Breitener Energética.

Durante as visitas, os estudantes conheceram diferentes ambientes profissionais, como fábricas, laboratórios, estações de tratamento de água, sistemas de transporte urbano, unidades de geração de energia e os bastidores da produção jornalística.

Na Fundação Rede Amazônica, os estudantes participaram de três visitas pedagógicas, duas delas durante a Semana do Meio Ambiente de 2024. Além de conhecerem a rotina de produção de conteúdo jornalístico, participaram de uma atividade conduzida pelo escritor Ronaldo Barcelos, autor do livro Guerreiros da Amazônia, que apresentou a sustentabilidade por meio da literatura e da valorização da região amazônica.

"Quando abrimos nossos espaços para os estudantes, estamos criando oportunidades para que eles conheçam novas possibilidades, entendam como diferentes áreas funcionam e percebam que também podem contribuir para construir soluções para a Amazônia", destacou a diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante.

Projeto entra em nova fase

Após os resultados alcançados nas escolas e o reconhecimento científico, o Projeto Escola ESG entra em uma nova etapa. A proposta agora é ampliar a aplicação da metodologia em outras instituições de ensino no Brasil e na Europa.

Em Portugal, Marcelo Brito da Silva desenvolveu uma pesquisa para analisar a experiência realizada em Manaus e estudar como a iniciativa pode ser adaptada a diferentes realidades educacionais.

Com os estudos publicados e a apresentação em congresso internacional, o projeto segue em expansão e busca levar a experiência criada em escolas públicas de Manaus para outros espaços de aprendizagem.

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