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PF prende foragido por esquema de adulteração de combustíveis para lavagem de dinheiro do crime organizado em postos de Curitiba

PF aponta adulteração de combustível e irregularidades em bombas de postos

G1 — Brasil · 2026-08-07T19:36:54.000Z

PF aponta adulteração de combustível e irregularidades em bombas de postos

A Polícia Federal (PF) prendeu, na quinta-feira (6), em Curitiba, um homem que estava foragido da Justiça e é investigado por lavagem de dinheiro em um esquema de adulteração em postos de combustíveis.

O g1 apurou que o preso se trata de Felipe Renan Jacobs e aguarda resposta da defesa dele.

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Investigações da Polícia Federal apontam que Jacobs era um dos integrantes de um grupo autointitulado "diretoria", responsável por controlar a operação de empresas que eram usadas como fachada para lavagem de dinheiro de uma organização criminosa.

Ao longo das investigações, a PF analisou 50 postos de combustíveis de Curitiba e Região Metropolitana. Elas apontaram que o esquema acontecia de duas formas: fornecendo menos combustível do que o indicado na bomba ou aumentando a quantidade de etanol adicionado à gasolina.

Em outubro de 2025, quando a operação foi deflagrada, o g1 divulgou a lista com os nomes dos postos investigados. Desde então, muitos desses postos foram vendidos para outros donos, que não são alvos da PF. Por esse motivo, a lista não consta nesta reportagem.

Segundo a PF, a prisão de Jacobs foi possível após o desenvolvimento de trabalho de inteligência e investigação para localizar o homem. Após os procedimentos de polícia judiciária, ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

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Gerenciamento do esquema em grupos de WhatsApp

Conforme a Polícia Federal, os investigados gerenciavam lucros, adulteração e fraudes por meio de um grupo de WhatsApp. A contabilidade do esquema era registrada em planilhas que apontavam o lucro de cada posto, assim como a distribuição do valor entre os integrantes. Um deles chegou a lucrar quase R$ 249 mil em um mês.

Segundo o relatório da Polícia Federal, entre as evidências da lavagem de dinheiro, está a "quantidade colossal" de depósitos fracionados em dinheiro que os postos começaram a registrar logo depois de serem adquiridos pelo grupo criminoso, com um volume em média 187% maior, conforme a investigação.

"Enquanto os postos fora do controle do grupo tiveram uma média mensal de depósitos no valor de R$ 95,6 mil por posto, aqueles sob controle dos investigados perfizeram o valor médio de R$ 276,3 mil", detalha o relatório.

Gasolina a menos e qualidade inferior

Postos de combustíveis eram usados para lavagem de dinheiro

Durante as investigações, agentes da Polícia Federal coletaram, disfarçados, as amostras de gasolina comum para a investigação.

Em 46 deles, a perícia comprovou algum tipo de irregularidade. Deles, 28 postos eram administrados pelo grupo criminoso.

As coletas aconteceram entre os dias 26 de maio e 6 de junho de 2025. Segundo o laudo da perícia ao qual a RPC teve acesso, apenas seis das 50 amostras coletadas apresentaram a quantidade correspondente ao que estava descrito na nota fiscal fornecida pelos postos.

Nos outros 44 casos, os postos forneceram menos combustível do que o indicado na bomba, com diferenças que variaram de 1% até 8,1% a menos do que o pago pelo consumidor.

O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) determina que a variação aceitável entre o volume real e o informado é de até 0,5% para mais ou para menos.

Aparência dos combustíveis coletados também foi analisada

A perícia também analisou se o aspecto, o teor de etanol e a massa específica estavam dentro das especificações de qualidade determinadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A análise apontou que 28 das 50 amostras apresentaram qualidade inferior à exigida. Na análise da aparência, uma amostra foi reprovada, porque não apresentou aspecto límpido, homogêneo e isento de impurezas.

Em relação ao teor do etanol adicionado à gasolina, 28 amostras apresentaram valores acima do permitido.

Nesta avaliação, as amostras reprovadas tinham de 35% a 79% de álcool misturado à gasolina – na época da coleta das amostras, Ligação com o crime organizado

, com margem de variação aceitável de até 2% para mais ou para menos.

Conforme as investigações, a adulteração dos sistemas acontecia, inclusive, por meio de um aplicativo, diretamente no celular.

A prática, conforme a Polícia Federal, além de configurar crime, causa danos diretos aos veículos dos consumidores e aumenta artificialmente o lucro dos criminosos.

A polícia decidiu não indiciar os responsáveis por seis dos postos que apresentaram inconformidades na época. Segundo o relatório, apesar de terem apresentado inconformidades relacionadas à volumetria do combustível, a Polícia Federal não identificou outros elementos que permitam concluir a intenção de estelionato por parte dos responsáveis.

As irregularidades em todos os postos serão apuradas em um procedimento administrativo pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Ligação com o crime organizado

Postos de combustíveis eram usados para lavagem de dinheiro

A investigação demonstrou que a fraude nos postos era a base de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do crime organizado.

Os lucros obtidos enganando o consumidor eram injetados em uma estrutura financeira que movimentou bilhões de reais, utilizando empresas de fachada e "laranjas" profissionais para ocultar a origem ilícita dos recursos.

De acordo com a PF, as investigações tiveram início em 2023, quando um homem condenado por tráfico internacional e a esposa passaram a ostentar bens de luxo em um condomínio de alto padrão em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

O casal tinha mais de R$ 34 milhões sem origem lícita comprovada, aplicados em imóveis, veículos, barcos e outros artigos de luxo.

Durante as apurações, os agentes descobriram que eles se associaram a integrantes de uma empresa de produtos químicos e de uma distribuidora de petróleo com sede administrativa em Pinhais e sede operacional em Paulínia (SP).

Utilizando a empresa, os investigados compraram insumos como nafta e metanol, usados em misturas ilegais de combustíveis.

Em 2019, criaram uma distribuidora de petróleo que, entre 2020 e 2023, declarou faturamento de mais de R$ 7 bilhões. Segundo a PF, a companhia foi criada e funcionou com recursos ilícitos.

A investigação apontou que essa distribuidora estava ligada a pessoas citadas em esquemas de fraude de combustíveis em São Paulo e no Rio de Janeiro, inclusive com conexões com facções criminosas.

A PF explicou que a lavagem de dinheiro seguia três etapas: colocação, dissimulação e integração.

Colocação: o dinheiro ilegal entrava na economia formal por depósitos em espécie, muitas vezes fracionados em pequenas transações, além de transferências feitas por empresas de fachada registradas em nome de laranjas.

Dissimulação: os valores circulavam entre diferentes empresas do grupo, com simulações de operações e fraudes fiscais.

Integração: os recursos voltavam ao mercado como se fossem legais, registrados em contabilidade fraudulenta da distribuidora.

Ao todo, foram identificados R$ 594 milhões em depósitos em espécie sem origem comprovada. Parte do dinheiro foi disfarçada como "adiantamento de clientes" ou movimentada por postos e lojas de conveniência.

Os valores eram transportados em carros-fortes de empresas de pagamento também controladas pelo grupo.

R$ 148 milhões entraram diretamente nas contas da distribuidora;

R$ 203 milhões foram depositados nas contas de postos e conveniências;

R$ 163 milhões foram para uma instituição de pagamentos do próprio grupo, usada como "barreira" para ocultar a origem;

R$ 80 milhões foram distribuídos em contas de 13 operadoras financeiras;

R$ 482 milhões vieram de empresas de fachada ligadas a São Paulo.

Mais de 120 empresas suspeitas ainda transferiram cerca de R$ 1,4 bilhão sem qualquer justificativa.

No total, os investigadores estimam que mais de R$ 20 bilhões tenham circulado entre 2019 e 2025 em empresas sem declarações fiscais correspondentes.

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