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Rui Costa avalia passagem de cinco anos pelo São Paulo e comenta saída de Crespo

Grêmio x São Paulo: informações e palpite para o jogo

ge — Futebol · 2026-08-07T20:42:09.000Z

Grêmio x São Paulo: informações e palpite para o jogo

Um dos personagens do movimentado 2026 do São Paulo, o executivo Rui Costa fez um balanço dos cinco anos de trabalho no clube, disse que encontrou uma realidade "delicada" e comentou sobre a pressão vivida no Morumbi especialmente na reta final da passagem. O dirigente também afirmou que o momento da saída de Crespo poderia ter sido melhor conduzido.

A mudança do técnico argentino para Roger Machado, demitido menos de dois meses depois, colocou o executivo como principal alvo das cobranças da torcida são-paulina. Rui Costa admitiu que poderia ter conduzido a situação em um momento diferente, mas reforça que a decisão foi compartilhada.

– A decisão foi construída a partir de uma série de avaliações internas e não de um fato isolado. As escolhas em um departamento de futebol nunca são tomadas olhando apenas para um jogo ou um resultado específico. Envolvem desempenho, ambiente, perspectivas e aquilo que a gestão entende ser o melhor caminho para a sequência da temporada.

– O que eu reconheci anteriormente, e continuo reconhecendo, é que a condução daquele processo talvez pudesse ter sido em outro momento. A forma como uma decisão é comunicada também faz parte da gestão, e isso serve como aprendizado para qualquer profissional. No futebol, quando os resultados posteriores não acontecem, é natural que todas as escolhas sejam questionadas. Eu respeito isso, mas continuo convicto de que as decisões foram tomadas de maneira responsável e sempre pensando na instituição.

O Roger Machado estava mais que pressionado no São Paulo

O dirigente diz que ser pressionado faz parte da função e não norteou as decisões pelo impacto externo. Rui Costa estava no São Paulo desde janeiro de 2021, quando foi contratado pelo então presidente Julio Casares, que renunciou no início de 2026. O executivo trabalhou também com o Harry Massis, sucessor de Casares, até ser demitido em junho passado.

– É impossível dizer que a pressão não chega, mas faz parte da rotina de qualquer clube grande do futebol brasileiro. O papel do executivo de futebol é estar preparado para blindar o elenco e controlar situações de crise. A pressão faz parte do cargo e precisa ser administrada com serenidade, porque o planejamento de um clube não pode mudar a cada resultado ou a cada semana.

– Você acompanha o ambiente, entende o sentimento do torcedor, da imprensa e das pessoas que vivem o dia a dia da instituição. O que não pode acontecer é permitir que essa pressão determine as decisões. O executivo precisa ter equilíbrio para separar emoção de gestão e muitas vezes você precisa tomar decisões que sabe que serão impopulares naquele momento, mas que acredita serem as mais corretas para o projeto. Essa talvez seja uma das partes mais difíceis da função – destacou em respostas enviadas ao ge.

Quem é Rui Costa, diretor que virou alvo da torcida do São Paulo

Balanço e próximos passos

Desde a saída do São Paulo, Rui Costa está em Porto Alegre com a família e observando possiveis novos projetos. O dirigente teve o nome ligado ao Grêmio, onde já trabalhou, durante a eleição. Atualmente, Paulo Pelaipe é o diretor executivo gremista.

– Esse período tem sido importante para refletir sobre tudo o que vivi nos últimos anos. Os últimos meses no clube não foram como esperávamos, mas faz parte do futebol. Sigo motivado para seguir trabalhando no Brasil, porque acredito que ainda posso contribuir bastante, mas também aprendi que é importante escolher o projeto certo.

– A experiência adquirida no São Paulo e na capital paulista também é essencial para entender os próximos passos. Cada vez mais, o executivo de futebol tem responsabilidade direta para manutenção da saúde financeira do clube, com a necessidade de integração do departamento de futebol com o marketing, financeiro e novos negócios.

Rui Costa, ex-executivo do São Paulo

Rubens Chiri/São Paulo FC

A passagem de cinco aos no São Paulo foi a mais longeva da carreira do executivo. Rui Costa iniciou a trajetória no Grêmio em 2013, onde permaneceu até meados de 2016. Depois, conduziu a reconstrução da Chapeconese após o acidente, entre o fim de 2016 e agosto de 2018, além de passagens por Athletico e Atlético-MG.

– Foi o trabalho mais longo e também um dos mais desafiadores da minha carreira. O São Paulo é um clube de uma dimensão enorme, com uma cobrança permanente e uma responsabilidade muito grande em cada decisão.

– Encontrei uma instituição vivendo um momento delicado sob diversos aspectos, principalmente financeiros, e participei de um processo de reconstrução que exigiu planejamento, disciplina e muitas escolhas difíceis. Naturalmente, algumas deram o resultado esperado, outras não, porque o futebol tem variáveis que fogem ao controle, mas saio com a consciência tranquila de que sempre trabalhei com absoluta dedicação, transparência e pensando sempre no melhor para o clube.

– Conseguimos conquistar três títulos e participar de cinco finais. Carrego um carinho enorme pelo São Paulo, entendo as reclamações da torcida, mas todas as decisões foram pensadas para ajudar a instituição.

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