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Ex-técnico do Flamengo sub-20, Bruno Pivetti analisa carreira e elogia joias da base rubro-negra
ge — Futebol · 2026-08-07T20:56:20.000Z
Ex-técnico do Flamengo sub-20, Bruno Pivetti analisa carreira e elogia joias da base rubro-negra
Treinador campeão do mundo pelo sub-20 do Flamengo, Bruno Pivetti abriu o jogo sobre sua passagem de cerca de 10 meses no clube carioca. O técnico contou como foi a negociação para deixar a categoria profissional em troca de uma oportunidade no Flamengo, relembrou a conquista do Intercontinental sobre o Barcelona, explicou os resultados ruins no Carioca de 2026 e ressaltou a estrutura de trabalho do Rubro-Negro.
Em uma entrevista exclusiva ao ge de cerca de uma hora, Pivetti ainda revelou quais treinadores mais o influenciaram na carreira, destacou a importância dos títulos em sua trajetória e esmiuçou os motivos das dificuldades enfrentadas por Lorran nos primeiros passos no profissional do Flamengo. O meia-atacante é considerado uma das grandes joias da base rubro-negra. Pivetti sublinhou a necessidade de não se separar o lado humano de um jogador.
- Quando eu comecei a trabalhar com ele, eu fui entender o cenário geral do Lorran enquanto pessoa. É mais uma vítima da desigualdade social que nós temos nesse país, mais um indivíduo que teve muito pouco no seu processo de formação, em termos de informação geral, em termos de estrutura familiar, mas que é um vencedor só de ter alcançado esse nível que ele está no presente momento. A maior parte das pessoas que saem de um cenário social que o Lorran saiu, infelizmente são absorvidos ali ou pela questão da marginalidade ou uma questão da miséria absoluta e o Lorran já é um vencedor por ter conquistado tudo aquilo que ele conquistou. E, para mim, dentro de campo é um jogador genial.
- O que o Lorran faz com a perna esquerda para mim remete traços dos grandes ídolos que a gente tem na história do futebol brasileiro e mundial. Então, é um jogador que se for tratado com o devido carinho tem muito a contribuir não só com o Flamengo, mas com o futebol brasileiro. Agora, precisa se ter uma conexão com o Lorran, precisa se ter paciência com o Lorran e precisa ter uma atenção redobrada para que a conexão entre treinador, entre comissão técnica, entre diretoria favoreça com que o Lorran represente ali dentro de campo a sua melhor versão.
Lorran em ação pelo Flamengo no sub-20
Adriano Fontes / Flamengo
Na visão de Pivetti, a demora de Lorran para engrenar no profissional está ligada ao lado emocional. Para o treinador, o jogador pode contribuir muito com o Flamengo neste ano, desde que seja bem orientado e tenha a cabeça no lugar.
- São jogadores que saem de uma situação social extremamente delicada, né? E do dia para noite sai dessa situação para uma situação que ele tem acesso a tudo. Então, até as pessoas assim que porventura tiveram uma melhor formação sociocultural afetiva, já têm dificuldade. Você imagina aquele que sempre foi menosprezado pela sociedade, de repente se encontra numa posição de ter acesso a tudo e ali pode-se ter exageros nesse processo. Eu acredito que o Lorran se tiver a cabeça no lugar agora e, se for bem orientado principalmente, pode contribuir demais nessa temporada do Flamengo e pode ser um dos grandes ativos do futebol brasileiro para o médio e longo prazo.
Bruno Pivetti fala sobre Lorran: "É mais uma vítima da desigualdade social desse país"
Parceiro de Lorran na base rubro-negra, Matheus Gonçalves foi outro jogador que ganhou elogios do professor. Vendido ao Al-Ahli por 8 milhões de euros em agosto do ano passado, o meia é outro atleta genial na opinião de Bruno Pivetti.
- É um jogador muito inteligente taticamente. É um jogador que tem dificuldade quando você coloca ele num jogo mais posicional pra manter a própria posição ali, mas que é um jogador que tem um entendimento de jogo, que sabe identificar aonde está o espaço e como ele pode se mover para esse espaço para ser efetivamente decisivo para a equipe, seja com assistência seja com gols. É um jogador que tem um controle de bola muito avançado, que finaliza muito bem e que também se for bem orientado, tiver a cabeça no lugar para mim é um dos grandes ativos do futebol brasileiro para o médio e para o longo prazo.
Matheus Gonçalves e Lorran comemoram gol pelo Flamengo Sub-20 contra o Bayer
Gilvan de Souza / Flamengo
Crise no planejamento do Carioca de 2026
Responsável por comandar o Flamengo no início do Campeonato Carioca deste ano, Bruno Pivetti explicou o mau momento à frente do sub-20, com apenas um ponto conquistado em três partidas. Segundo ele, a ausência de jogadores do elenco principal enfraqueceu o grupo e tirou a sustentação que a equipe teve em outros resultados expressivos, como o empate em 3 a 3 contra o Mirassol na última rodada do Brasileirão de 2025 ou a goleada por 5 a 1 sobre o profissional do Bayer Leverkusen.
Flamengo Sub-20 5 x 1 Bayer Leverkusen | melhores momentos | amistoso internacional
A largada fraca no estadual gerou desgaste no ambiente rubro-negro logo no início da temporada. A ideia era que Pivetti seguisse no comando até o clássico contra o Vasco, mas a sequência de resultados ruins e o risco de rebaixamento levaram a diretoria a antecipar a volta dos titulares. O martelo foi batido após uma reunião no Ninho do Urubu. Segundo Pivetti, ele acompanhou todo o processo do lado de fora e não participou de nenhuma decisão.
- Eu só recebi as informações do Alfredo (diretor da base), do Kadu (coordenador da base), os direcionamentos daquilo que seria a demanda da categoria sub-20 e eu fiquei na mesma expectativa que a torcida e a imprensa. Não tinha muitas informações e procurava ali preparar a equipe como se fosse jogar. A gente não tinha direito o direcionamento do rumo que o planejamento tomaria, mas procuramos ali ter o máximo de profissionalismo possível. Preparar bem os jogadores nas quatro vertentes que o futebol exige: a parte tática, técnica, física e principalmente mental para que a gente tivesse as melhores condições em termos competitivos se tivéssemos que jogar.
Bruno Pivetti quando era o técnico do Flamengo
Íntegra da entrevista
Função de auxiliar técnico antes de virar treinador
- Eu trabalhei muitos anos como auxiliar técnico, tive a felicidade de ser auxiliar técnico de 14 treinadores em nível profissional. Como treinador principal, estou desde de 2020 no profissional no Vitória, quando eu fui efetivado. Também fui treinador principal em 2015 no sub-20 do Atlético Paranaense, mas antes desses anos eu trabalhei como auxiliar de grandes treinadores, como do professor Paulo Autuori, do professor Fernando Diniz, do Antônio Carlos Zago, do Geninho, do professor Carlos Amadeu. Então teve um número significante de profissionais que ajudaram a moldar o meu pensamento de futebol, meu modelo de jogo. E também para eu poder vislumbrar a melhor metodologia de treino no sentido de aplicar essas ideias no campo. Cada treinador tem a sua peculiaridade, a sua particularidade, mas todos eles me ajudaram muito para visualizar e para refletir em termos de modelo de jogo. A adaptação desse modelo ao contexto que nós estamos no momento, seja ele em termos de características de jogadores, características do clube que nós estamos servindo no momento, quais as ideias que têm mais ou menos chances de serem aplicadas. Isso é extremamente importante para qualquer treinador para que a gente possa ter uma coerência entre as nossas ideias e a capacidade de aplicá-las no campo.
- Eu pude trabalhar com todos esses treinadores que ajudaram a moldar o meu pensamento de jogo, o meu modelo, como adaptar esse modelo nos diferentes ambientes que eu pertenço. A gente sabe a diversidade que se tem de contextos no futebol. A melhor metodologia de treino a ser utilizada, a organização dos exercícios dentro de uma dinâmica semanal para que esses jogadores cheguem nas melhores condições de jogo. É importante também em termos metodológicos, como nós vamos passar as informações para os jogadores e aí nós temos recursos de imagens, de vídeo, de feedback. E também, para mim, o que é muito importante é a questão da liderança, que na minha opinião não tem uma fórmula certa, mas que cada treinador, segundo a sua personalidade, tem que adaptar determinadas situações para poder gerenciar o grupo da melhor maneira. Então, como eu tive a felicidade de trabalhar com um grupo diverso de treinadores.
Quais treinadores te influenciaram?
- Então, como exemplo, eu sempre cito o professor Paulo Autuori, que na minha opinião, tem um equilíbrio das três vertentes que norteiam o desempenho de qualquer treinador: o modelo de jogo, a metodologia de treino e a gestão de pessoas. Para mim, é o profissional que mais bem equilibra essas três características. Então, muito do meu modelo de jogo, principalmente na parte defensiva, eu constituí e consolidei, segundo as ideias de jogo do professor Paulo, que nós trabalhamos juntos em três clubes diferentes, em três cenários diferentes, três culturas diferentes. Como gestor de pessoas, é uma pessoa espetacular, que todos os profissionais que trabalham se sentem protegidos por ele.
Paulo Autuori e Bruno Pivetti no Athletico-PR
- Com o professor Diniz, por exemplo, eu evoluí muito as minhas ideias ofensivas de jogo, principalmente de jogo apoiado. É claro que é um treinador único, tem a sua visão e o seu modelo de jogo bem particular, a sua metodologia também, e principalmente a sua capacidade de gestão de grupo. É claro que ele tem uma personalidade forte, mas eu pude observar em algumas experiências que ele consegue extrair o melhor de cada jogador e é claro que isso nem sempre é feito da maneira mais harmoniosa possível. Às vezes, tem um conflito para que a partir dessa situação, tanto ele quanto o jogador possam crescer e assim ele vai estimulando esses jogadores a render cada vez melhor.
- Tive a oportunidade também de trabalhar com o professor Geninho, que é uma pessoa maravilhosa, consegue levar o grupo muito bem, né? Consegue deixar os jogadores confortáveis, tem uma proximidade muito grande com os jogadores. Eu acho que isso é importante também para estabelecimento de uma relação, que depois vai proporcionar confiança a eles. Então, foram treinadores muito importantes na minha trajetória. Cada um à sua maneira, treinadores extremamente diferentes entre si, mas que de alguma maneira contribuíram com a minha formação.
Geninho e Bruno Pivetti no Vitória
Letícia Martins / EC Vitória / Divulgação
Como os títulos pelo Tombense, alagoano pelo CSA e Paranaense pelo Operário o credenciaram para o mercado?
- Os títulos são muito importantes pra qualquer treinador. Nós somos medidos por isso, pelas conquistas que nós vamos tendo ao longo da carreira, mas mais importante que a conquista é o trabalho em si, né? Toda a trajetória que é feita pra se alcançar um determinado objetivo. Eu tive a felicidade de depois de ter saído do Vitória ter tido a confiança do Tombense, que me convidou para poder encabeçar um projeto de treinador principal em uma equipe profissional em 2021. E lá tive a felicidade de conquistar a Recopa Mineira, o troféu interior. Nós conquistamos a classificação para a semifinal do Campeonato Mineiro. Isso foi muito importante e, querendo ou não, credencia para você alçar voos maiores logo depois. Fui convidado pelo CSA e fui campeão alagoano. Isso é muito importante para a formação, para o aprendizado de cada treinador, porque cada clube vai ter uma situação problema diferente.
- E aí, tive conquistas importantes ao longo da minha carreira que me credenciaram a ter as oportunidades que tive em nível profissional e depois eu estabeleci ali na minha carreira um parênteses, que foi o meu retorno para a categoria de base no sub-20 do Flamengo, mas eu costumo salientar que foi um parênteses, dada a grandiosidade do projeto de trabalho que eu tive que aceitar para poder passar também por essa experiência de Flamengo, que para mim eu tinha certeza absoluta que seria muito importante, né? E realmente foi. Extraio só coisas positivas dessa minha passagem pelo Flamengo e agora o meu intuito é retornar ao cenário profissional e continuar a caminhada que eu vinha percorrendo até o ano passado.
Campanha do título do Paranaense em 2025 pelo Operário-PR
- Esse processo de trabalho foi muito importante na minha carreira, porque a gente constituiu uma equipe que tinha alguns remanescentes da temporada anterior. Eu herdei a equipe com um bom nível, um bom padrão de jogo, que tinha alguns remanescentes, mas ao mesmo tempo nós recebemos muitos jogadores novos no Operário. Então, nós tivemos que constituir o nosso trabalho praticamente da base e o diferencial naquele trabalho é que nós tivemos tempo de pré-temporada. Eu tive de quatro a seis semanas de preparação antes do início do Campeonato Paranaense. O Operário é um clube que trabalha de uma maneira muito segura financeiramente falando. Então, nós não tivemos um grande investimento, tivemos os jogadores remanescentes, algumas oportunidades de mercado que vieram para agregar ainda mais valor à equipe.
- Nós conseguimos consolidar uma identidade de jogo antes do início do Campeonato Paranaense e a partir dali nós conseguimos desenvolver um grande futebol. Lideramos a primeira fase da competição. Então, nós conseguimos fazer uma grande primeira fase e depois uma situação que foi um desafio muito grande é que a fase classificatória do campeonato: as oitavas, as quartas, a semi, a final, elas coincidiram com o início da Copa do Brasil. Nós tivemos que fazer um planejamento muito assertivo porque a Copa do Brasil era extremamente importante para a equipe se consolidar em termos orçamentários para o ano inteiro de 2025.
- Então, a gente tinha a obrigação de avançar as fases para poder ter o fôlego financeiro para competir bem na Série B. Nós conseguimos equilibrar bem a equipe e fomos muito competitivos na fase final do Paranaense, conseguimos sair com o objetivo que era o título. Conquistamos o título em cima do Maringá, nas cobranças de pênalti, que é algo que eu dou muita importância no nosso dia a dia. Nós trabalhamos demais essa vertente, porque sabemos que é um fator de desempate no futebol importante.
Comemoração do Operário-PR no título do Paranaense 2025
André Jonsson / OFEC
Negociação para assumir o sub-20 do Flamengo
- Eu tinha trabalhado com o Alfredo Almeida, que hoje é o diretor da base do Flamengo. Eu havia trabalhado com ele no Villa Nova de Minas. O Villa Nova na época, em 2022, eu fiz o módulo 1 do Campeonato Mineiro com o Villa. Só que o Villa tinha um processo de parceria com o banco BMG, que também é uma instituição parceira do Coimbra e o proprietário do Coimbra, o Issa Moisés também tem uma ligação forte com o grupo BMG e tava ajudando o Villa Nova a poder se estabelecer e disputar o módulo 1 do Campeonato Mineiro. Então, nós treinávamos na estrutura do Coimbra lá em Contagem em Minas Gerais e jogávamos em Nova Lima. Então, como a gente treinava no mesmo CT do Coimbra, na altura o Coimbra tinha uma parceria com o Benfica, e o Alfredo era o braço do Benfica no Coimbra, responsável pela direção do sub-17 para baixo. Era um processo de parceria e o Alfredo acompanhava todos os dias no meu treinamento e gostava da metodologia de treino, da gestão, da liderança. Então, ele já conhecia o meu trabalho. Nós estabelecemos ali uma relação.
- A partir dali, eu estabeleci uma boa relação com o Alfredo, a gente sempre trocou mensagens e como chamou muita atenção a campanha do Operário, na altura ele já tava no Flamengo. Ele foi incumbido pelo presidente de achar o substituto pro Nuno Campos, que tinha saído. Era o treinador português que estava no sub-20 do Flamengo antes da minha chegada e o Alfredo foi o responsável em procurar algum treinador pra assumir o sub-20 do Flamengo.
Bruno Pivetti quando era o técnico do Operário-PR
- E aí, como ele tinha visto jogos do Operário e já tinha essa relação comigo, ele me fez o convite. Muito em função da imagem positiva que ficou o jogo que nós fizemos contra o Vasco em São Januário. Ele vislumbrou em mim um perfil adequado para trabalhar no sub-20 do Flamengo, muito em função de eu ser um treinador do profissional e tem essa importância de passar para os jogadores a realidade profissional de perto. Então, era um treinador de profissional trabalhando com jogadores que estavam justamente da transição entre a base e o profissional. Então, ele achou que iria calhar bem colocar um treinador de profissional, que tinha ali uma coerência em termos de metodologia, em termos de modelo de jogo com aquilo que o Flamengo gostaria e me fez o convite para assumir o sub-20 do Flamengo.
- A partir daí, na minha visão, quando vem um convite de um clube do tamanho do Flamengo, a gente só tem o trabalho de dizer sim e iniciar o processo de trabalho.
O que encontrou de estrutura de trabalho quando chegou ao Flamengo?
- A estrutura de trabalho é fenomenal em termos estruturais, questão de campo, material de treino, tudo de primeira linha. O que foi desafiador para mim no sub-20 do Flamengo foi a situação do profissional recrutar todos os dias muitos jogadores para treinar em cima. E isso ser feito sem um aviso prévio. Então, por exemplo, você montou o seu treinamento, montou a sua semana de treino, mas ali poucos minutos antes de iniciar o treino, você pode perder alguns jogadores, mas você não sabe muito bem o número que você vai perder em termos de jogadores que vão ser recrutados pelo profissional. Isso é importante para que os jogadores vivenciem sempre o profissional, mas ao mesmo tempo é desafiador para quem programa e planeja os treinamentos. Aconteceu da gente perder jogadores também na véspera de jogos. E aí, o treinador tem que estar sempre atento, ter muita coerência na metodologia de treino, passar as mesmas informações para todos os jogadores porque efetivamente a gente não sabe se vai ter um percalço ou não.
- E aí, vindo esse percalço nós temos que resolver da melhor maneira possível e aí quem entra tem que corresponder igual ou melhor ao jogador que saiu. Então, se a gente quer fazer um trabalho mais coletivo e perde muitos jogadores, a gente tem que adaptar da melhor maneira e nem sempre era possível recrutar do sub-17 porque eles treinavam em outro horário. Então, isso para mim foi desafiador, mas ao mesmo tempo me gerou mais capacidade de improvisação para que o trabalho não fosse perdido. Apesar que não tem como mencionar que isso lá na frente vai afetar a maneira que a equipe vai entrar dentro de campo para defender as cores do clube. Isso é inegável, mas o que a gente buscava fazer ali era mitigar da melhor forma possível todo o ruído para que tivesse ali uma linha orientadora em termos de modelo de jogo, de metodologia de treino para oferecer o melhor para os jogadores.
Bruno Pivetti quando era o técnico do sub-20 do Flamengo em uma reunião da base
Gilvan de Souza / Flamengo
- Hoje, o Flamengo atua em duas frentes nas categorias de base: você subir o jogador pra ele ter condições ideais de render no profissional ou ele ser direcionado pro mercado pra gerar oportunidades de negócio pro clube.
Como era a troca de informações com a comissão técnica do profissional?
- O processo mais macro era feito pelo Alfredo Almeida, essa troca de informações, de planejamento. Então, era ele que tinha o contato direto com o Boto, com o Filipe Luís e depois com o Leonardo Jardim. Então, esse estabelecimento mais macro era feito pelo Alfredo e no dia a dia as informações chegavam através do nosso coordenador, o Kadu, que tinha uma conexão direta com o Marcinho, que é o auxiliar permanente do Flamengo. Então, ele que pegava as informações da comissão técnica do profissional, as demandas, passava para o Kadu e o Kadu passava para nós. O Kadu foi muito importante nesse sentido porque conseguia antecipar muitas informações e isso facilitava para a gente poder fazer um novo planejamento da maneira mais rápida possível e não comprometer a qualidade do trabalho do dia a dia.
Você tinha conversas com o Filipe Luís?
- Não, não tinha. Com o Filipe, eu conversei poucas vezes, acho que foram quatro vezes que eu conversei com ele. A comunicação era feita mais com o Alfredo e com o Kadu. E eu assistia todos os jogos do Flamengo no Maracanã e no dia a dia colocava as mesmas ideias, de uma maneira mais macro. Só que também eu tinha o cuidado de também respeitar as características dos jogadores que nós tínhamos à disposição no sub-20. Os contornos gerais a gente replicava aquilo que o profissional fazia, mas se nos faltava algum jogador com uma determinada característica, a gente improvisava sem ferir o contorno geral do modelo e isso facilitou muito a utilização dos jogadores da base no elenco profissional.
José Boto e Filipe Luís em treino do Flamengo
Gilva de Souza/Flamengo
Título do Intercontinental sub-20 sobre o Barcelona
- Eu estudo o modelo de jogo do Barcelona desde o início da minha carreira. Então, com o advento principalmente do Guardiola foi um grande boom, que chamou a atenção do mundo todo, mas eu em 2006, quando morei em Portugal, já estudava muito o Paco Seirul-lo, que foi uma figura extremamente importante no Barcelona, a influência do Rinus Michels, do Johan Cruyff, que estabeleceram ali um modelo de trabalho que influenciou demais o Guardiola e todos os treinadores que passaram pelo Barcelona, como o Luís Henrique.
- São princípios de jogo, são pilares extremamente coerentes,. E pilares iguais à equipe que nós enfrentamos sub-20 do Barcelona. Então, são jogadores que estão desempenhando o mesmo processo, o mesmo modelo de jogo, a mesma metodologia de treino desde a iniciação até a categoria profissional, respeitando sempre as necessidades particulares de cada estágio de formação do indivíduo em termos biológicos. Então, eles têm muito bem orientado aquilo que eles fazem na iniciação e depois no processo de aperfeiçoamento até o processo de alto rendimento.
- Então, é extremamente eficiente o processo, você vê que os jogadores atuam ali como peça de uma engrenagem. Então, como eu consumi muito dessas informações ao longo do meu processo de formação, eu sabia aquilo que eu ia enfrentar. Então, eu sabia aquilo que a gente precisava neutralizar em termos de pontos fortes do Barcelona, em todos os momentos que o jogo pressupõe, seja ele ofensivo, defensivo e sabia também eventuais vulnerabilidades que a gente poderia atacar. E deu certo assim naquele jogo na maior parte do tempo. A gente estabeleceu uma boa organização defensiva para poder neutralizar as ações mais agressivas do Barcelona sobre o nosso gol e a gente foi extremamente assertivo no momento da recuperação da posse de bola e nós conseguimos criar muitas chances em transição.
Flamengo 2 (6) x (5) 2 Barcelona| Melhores momentos | Final | Intercontinental Sub-20
- É bom que se diga que foi o único período no Flamengo que eu tive uma estabilidade de duas semanas para trabalhar o grupo sem a interferência de recrutamento de jogadores para atuar no profissional ou atuar no sub-17. A gente conseguiu fechar duas semanas. Isso o presidente Bap nos ajudou bastante porque era um jogo extremamente importante e nessas duas semanas a gente trabalhou bastante todos os momentos que o jogo pressupõe. A gente sabia que o Barcelona jogava em linha alta e fizemos muito trabalho de a gente poder agredir a última linha do Barcelona nesse sentido, sabíamos que tínhamos que ter o pé na bola o tempo inteiro e foi uma equipe que conseguiu um excelente nível de compactação durante a maior parte da partida. Logo depois desse título, teve o Mundial sub-20 e praticamente todos aqueles jogadores que a gente enfrentou do Barcelona serviram a seleção espanhola no Mundial. Então, era uma verdadeira seleção espanhola e a gente vê hoje em dia a seleção recrutando a maior parte dos jogadores do Barcelona. Então, é um modelo de jogo extremamente forte que o Flamengo conseguiu vencer com méritos aquele dia. É um jogo memorável para a torcida se lembrar durante muitos e muitos anos.
Autor de um gol na decisão, o que pode se falar do Lorran ao trabalhar de perto com ele?
- É importante a gente nunca separar o homem do jogador. Então, o jogador é um homem, é um ser humano que precisa ser entendido no seu contexto geral para que a gente possa conseguir uma conexão com esse indivíduo e contribuir para que ele renda da melhor maneira possível para que ele alcance a sua melhor versão. E o Lorran, quando eu comecei a trabalhar com ele, eu fui entender o cenário geral do Lorran enquanto indivíduo. É mais uma vítima da desigualdade social que nós temos nesse país, mais um indivíduo que teve muito pouco no seu processo de formação, na sua infância, na sua adolescência, em termos de informação geral, em termos de estrutura familiar, mas que é um vencedor só de ter alcançado esse nível que ele está no presente momento. A maior parte das pessoas que saem de um cenário social que o Lorran saiu, infelizmente são absorvidos ali ou pela questão da marginalidade ou uma questão da miséria absoluta e o Lorran já é um vencedor por ter conquistado tudo aquilo que ele conquistou. E, para mim, dentro de campo é um jogador genial.
- O que o Lorran faz com a perna esquerda para mim remete traços dos grandes ídolos que a gente tem na história do futebol brasileiro e mundial. Então, é um jogador que se for tratado com a devida atenção, com o devido carinho tem muito a contribuir não só com o Flamengo, mas com o futebol brasileiro de uma maneira geral. Agora, precisa se ter uma conexão com o Lorran, precisa se ter paciência com o Lorran e precisa ter uma atenção redobrada para que a conexão entre treinador, entre comissão técnica, entre diretoria favoreça com que o Lorran represente ali dentro de campo a sua melhor versão.
Lorran comemora gol na Flamengo Adidas Cup
Marcelo Cortes / Flamengo
- Em alguns momentos, eu consegui ter a felicidade de ser testemunha ocular disso e dois jogos não saem da minha memória. Vão ficar na minha retina o resto da minha vida, que foi um jogo amistoso que nós fizemos contra o Bayer Leverkusen, o profissional do Bayer que nós ganhamos de 5 a 1 e o Lorran teve uma atuação brilhante junto ao Matheus Gonçalves, que para mim também é um outro jogador diferenciado, que tem muito a contribuir com o futebol brasileiro. São jogadores geniais que se forem tratados com a devida atenção, o devido carinho e ali carinho eu digo não é só falar o sim, é também estabelecer os limites porque os limites vão ser muito importante para que esses jogadores canalizem o seu talento em prol do futebol, em prol do serviço a equipe que eles estão defendendo no momento. Então, são jogadores excepcionais. Eu acredito que o Lorran se tiver a cabeça no lugar agora e, se for bem orientado principalmente, pode contribuir demais nessa temporada do Flamengo e pode ser um dos grandes ativos aí do futebol brasileiro para o médio e longo prazo.
Por que você acha que o Lorran teve um pouco de dificuldade nesse início no profissional?
- Na verdade, são histórias assim muito semelhantes. Porque são jogadores que saem de uma situação social extremamente delicada, né? E do dia para noite sai dessa situação para uma situação que ele tem acesso a tudo. Então, até as pessoas que porventura tiveram uma melhor formação sociocultural afetiva, já têm dificuldade. Você imagina aquele que sempre foi menosprezado pela sociedade, de repente se encontra numa posição de ter acesso a tudo e ali pode-se ter exageros nesse processo. Eu não tô dizendo única e exclusivamente pegando o exemplo do Lorran, né? Porque eu nem estava no clube quando ele chegou e teve essa ascensão no profissional, mas eu tô falando que ao longo da minha carreira eu já peguei inúmeros casos desses jogadores. Então, você imagina um jogador que sai de um processo extremamente delicado social, depois tem acesso a tudo e consegue inicialmente render bem, todas as expectativas já recaem sobre os seus ombros e um mínimo que ele não consiga atingir essa expectativa, ele já é deixado de lado, já é colocado como fracassado e infelizmente o futebol, principalmente no Brasil, não oferece o devido tempo para gerar adaptação para que esses jogadores possam passar por essa fase mais complicada em termos de oscilação e atingir o mais elevado rendimento.
- Eu tenho convicção que o Brasil, infelizmente, perde muito talento nesse processo e que se tivesse um nível de preparo maior, mas principalmente uma cultura mais favorável para ver o ser humano antes do jogador, eu acredito que a nossa eficiência estaria muito maior.
O que falar do talento do Matheus Gonçalves?
- O Matheus Gonçalves assim como o Lorran é outro jogador genial, que domina todos os fundamentos técnicos do futebol. É um jogador muito inteligente taticamente. É um jogador que tem dificuldade quando você coloca ele num jogo mais posicional pra manter a própria posição ali, mas que é um jogador que tem um entendimento de jogo, que sabe identificar aonde está o espaço e como ele pode se mover pra esse espaço pra ser efetivamente decisivo para a equipe, seja com assistência seja com gols. É um jogador que tem um controle de bola muito avançado, que finaliza muito bem e que também se for bem orientado, tiver a cabeça no lugar para mim é um dos grandes ativos do futebol brasileiro para o médio e para o longo prazo.
- Agora, nós enquanto mercado, todos os players do mercado, seja torcida, seja imprensa, seja comissões técnicas, seja diretoria, seja presidência dos clubes, precisamos tratar melhor os nossos talentos. Então, esses jogadores precisam de atenção, precisam de informação e precisam de formação, que é extremamente importante para que eles possam canalizar o seu talento a serviço do futebol.
Matheus Gonçalves em Flamengo x Philadelphia Union
Marcelo Cortes / CRF
E o Léo Nannetti?
- O Nannetti além de um excelente goleiro é uma excelente pessoa. É um jogador que foge à regra do futebol brasileiro, já é um jogador que vem de uma família estruturada, que contou sempre com a melhor formação e informações possíveis, seja em termos escolares, dos pais, do seu staff. É um jogador muito estável em termos emocionais e também domina todas as técnicas e todos os fundamentos necessários para um grande goleiro. É um jogador que eu acredito que vai dar muitas alegrias não só à torcida do Flamengo como também à torcida brasileira porque é um goleiro que tem muito boa formação e quando eu falo isso falo também cito o trabalho dos profissionais e treinadores de goleiro do Flamengo. É um jogador que domina muito bem todas as técnicas, tem muito bom jogo com os pés e isso dá um mecanismo muito grande de primeira fase de construção porque ele tem tanto capacidade para fazer jogo apoiado na saída de bola como também tem bolas longas direcionadas, lançamentos muito bem executados.
- Como goleiro, tem uma velocidade de reação muito rápida debaixo da baliza, consegue reagir bem a cenários de extrema velocidade. É um goleiro que sai muito bem do gol, também tem uma boa capacidade e arrojo para poder fazer a profundidade em termos de cobertura da última linha defensiva. Então, é um goleiro que compacta junto com a equipe e quando essa bola vem nas costas da linha defensiva consegue fazer muito bem as coberturas. Eu acredito que é um grande talento que também vai ajudar muito aí não só o Flamengo em si, mas também o futebol brasileiro.
Léo Nannetti - Flamengo x Barcelona - Mundial Sub-20 - Maracanã
O que não deu certo no Carioca após um empate em três jogos?
- A reflexão que eu faço é comparando esses três jogos que a gente atuou contra profissionais, com dois jogos que a gente também atuou contra profissionais, mas que teve o reforço de jogadores profissionais para poder agregar valor à equipe sub-20. Eu vou citar aqui dois jogos que para mim foram emblemáticos. A goleada que nós ganhamos do Bayer Leverkusen de 5 a 1 com o elenco profissional, com o Ten Hag, que poucos meses antes era o treinador do Manchester United. Nós fomos ali com a equipe sub-20 e com o reforço pontual de alguns jogadores do profissional. Nós tivemos o Matheus Cunha, o Cleiton zagueiro, o Viña, dentre outros jogadores que tiveram ali um papel fundamental na sustentação do rendimento dos jogadores da base e nós conseguimos fazer um grande jogo e ganhamos do Bayer Leverkusen de 5 a 1.
- Um outro jogo emblemático foi o último jogo do Brasileirão do ano passado do Flamengo contra o Mirassol. Nós fomos com o time sub-20, mas tivemos quatro reforços reforços importantes da categoria profissional: o Dyogo goleiro, o Evertton Araújo, o Michael e o Wallace Yan. Nós tivemos o reforço desses jogadores que foram pilares fundamentais para fazer o jogo que nós fizemos contra o Mirassol. Competimos de igual para igual contra uma equipe que ficou na quarta colocação de um Campeonato Brasileiro Série A. Então, nós tínhamos um modelo de jogo muito bem definido que replicava a categoria profissional.
Mirassol 3 x 3 Flamengo | Melhores momentos | 38ª rodada | Brasileirão 2025
- Qual que é o grande problema do jogador sub-20 atuando no profissional? Às vezes, ele tá bem preparado taticamente, tecnicamente, fisicamente. Porém, o emocional é inerente à idade. Ele vai oscilar mais em termos emocionais. Isso vai afetar a confiança dele dentro de campo. Quando ele tem pilares de sustentação, de alguns jogadores em nível profissional, que ele admira, que ele confia, que gera segurança dentro de campo, a tendência dele oscilar é menor e isso favorece com que ele renda mais dentro de campo. Ele seja mais competitivo dentro de campo. E, infelizmente, por opção do planejamento no Campeonato Carioca, nós não tivemos o reforço desses jogadores profissionais. Quando me foi dada a notícia que nós faríamos os primeiros jogos do Carioca não me foi colocado quantos jogos nós faríamos.
- Mas, eu sempre tive a expectativa de ter os jogadores que tiveram menor volume de jogo à disposição nesses primeiros jogos muito em função do novo formato do Campeonato Carioca. A gente tinha ali seis jogos e com rebaixamento, com necessidade de classificação, com o Flamengo dentro de campo, que a gente sabe a pressão que é por vencer, vencer e vencer.
- Então, foi um ambiente hostil para esses jogadores. Mas também eu sempre procuro agradecer ao invés de reclamar. Eu tenho certeza que isso gerou aprendizados muito importantes para esses jogadores, porque o futebol ele não pode ser subestimado nunca. Você tem que ter um nível de atenção sempre o mais elevado possível, porque você tem que provar cada dia o teu valor, porque em fases ruins a pressão vai vir, a cobrança vai vir e você tem que ter estabilidade emocional suficiente.
Como você observou de dentro o momento conturbado sobre a mudança do planejamento para o Campeonato Carioca? Você participou das reuniões?
- Na verdade, eu não participei de reunião nenhuma, em termos de planejamento. Eu só recebi as informações do Alfredo, do Kadu, os direcionamentos daquilo que seria a demanda da categoria sub-20 e eu fiquei na mesma expectativa que a torcida e a imprensa. Não tinha muitas informações e procurava ali preparar a equipe como se fosse jogar. A gente não tinha direito o direcionamento do rumo que o planejamento tomaria, mas procuramos ali ter o máximo de profissionalismo possível, preparar bem os jogadores nas quatro vertentes que o futebol exige: a parte tática, técnica, física e principalmente mental para que a gente tivesse as melhores condições em termos competitivos se tivéssemos que jogar.
Reta final de trabalho no Flamengo
- Depois do estadual, a gente começou o processo de preparação para a Libertadores. Teve uma reformulação muito grande em termos de elenco. Então, essa reformulação gerou uma necessidade de um tempo de adaptação porque outros jogadores foram contratados e precisavam entender o que era vestir a camisa do Flamengo. Nós tivemos um processo de preparação em que fizemos alguns jogos amistosos entre o estadual e a Libertadores. E, na minha opinião, a gente conseguiu, apesar desse ambiente conturbado, criar uma equipe extremamente competitiva para a Libertadores.
- Saímos ali com o vice-campeonato, mas ainda detentores da melhor campanha. Então, quando a gente fala em formação, eu acredito que todos os requisitos foram cumpridos, mas que em se tratando de Flamengo, como é vencer vencer e vencer, já teve uma pressão muito grande por parte de imprensa, por parte de torcida em relação ao nosso trabalho. Isso é normal, estou acostumado no futebol e quando a gente retorna ao Brasil, a gente sofre mais no processo de reformulação no sub-20. E aí, a gente teve que fazer esse processo novo de reformulação, tendo em vista o Campeonato Brasileiro.
- Depois, oscilamos no Brasileiro e vem uma sequência que eu nunca tinha tido no Flamengo de três derrotas consecutivas. E esse infelizmente é um número cabalístico para o futebol brasileiro como um todo. E aí, eu não teço aqui uma responsabilidade dos dirigentes do Flamengo e nem nada disso, porque fica uma pressão insuportável. E aí, eles tiveram a decisão ali de fazer a troca. Eu acredito que essa é a principal mazela do futebol brasileiro. A gente não consegue consolidar processos porque a gente está sempre recomeçando pela troca de treinador. Eu acredito que antes de contratar, tem que se ter a ideia daquilo que se quer em termos de modelo de jogo, em termos de metodologia de treino, em termos de gestão de liderança para a partir daí escolher o profissional. E depois ter a convicção que esse processo vai ter oscilação. E principalmente no processo brasileiro, essa oscilação é cada vez mais constante, seja ela no profissional, na base, essa oscilação vai vir e você precisa ter convicção para bancar o processo de trabalho, para que se gere aprendizado. Porque se você recomeça sempre o processo, é difícil até você aprender e corrigir rotas no meio do caminho. Infelizmente, optaram pela troca de comando, veio uma nova comissão técnica.
- Mas, eu tenho só gratidão pelo Flamengo pelos profissionais que me deram a confiança de poder servir essa grande nação. Sempre que eu lembrar do Flamengo, eu vou lembrar com um sorriso no rosto porque para mim foi uma honra todo esse período que eu passei. Infelizmente, foi desfeito e agora eu volto para minha carreira, principalmente em termos profissionais, que é o meu objetivo. Aguardando e analisando propostas para retornar o quanto antes para o terreno.