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Diogo dos Santos Serpa foi preso por exercício ilegal da medicina
G1 — Brasil · 2026-08-07T22:27:27.000Z
Diogo dos Santos Serpa foi preso por exercício ilegal da medicina
O falso médico que foi preso em flagrante nesta quinta-feira (6) durante um atendimento domiciliar a uma criança de 10 anos em tratamento contra um tumor cerebral maligno cuidou da criança por 10 meses.
A mãe dela conta que a criança passa o tempo todo deitada na cama, lutando pela vida, desde que a doença foi descoberta em abril do ano passado. Imagens mostram que uma das consultas realizadas por Diogo dos Santos Serpa custou R$ 1 mil.
"A gente tem um misto de sentimentos, revolta, raiva. Eu tô com a alma lavada, não por mim, mas porque eu sabia que durante o atendimento ele falou que estava atendendo umas quatro pessoas de home care, não sei se são crianças, mas eu pensava que tinha que fazer alguma coisa", conta Cintia Santos Matheus.
Diogo usava registros no Conselho Regional de Medicina (CRM), carimbo e receituários de outros profissionais sem autorização. Ele não possui formação nem habilitação para atuar como médico, ainda de acordo com a investigação.
"É um tumor de alto risco, isso vem em todos os documentos emitidos pelo hospital. Comecei a achar aquilo estranho, começou a me incomodar, até que eu fiz uma pesquisa no Cremerj e vi que a foto não era ele", explica Cintia.
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A suspeita da mãe começou porque a sonda de alimentação da criança passou 5 meses sem ser trocada. Antes de iniciar o tratamento com ele, a paciente já tinha feito dez cirurgias delicadas, sendo sete delas na cabeça.
Diogo foi preso por agentes da 63ª DP (Japeri) na casa da família, no Jardim Pitoresco, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
De acordo com a polícia, ele atendia a menina desde outubro de 2025 e havia feito pelo menos 6 atendimentos e cobrava entre R$ 700 e R$ 1 mil por visita. A Polícia Civil informou que, nesse período, Diogo prescreveu medicamentos, pediu exames e fez encaminhamentos em nome de outro médico.
A menina tem meduloblastoma grau IV, um tumor cerebral maligno. A polícia afirma que as prescrições feitas por uma pessoa sem habilitação poderiam colocar a saúde da criança em risco.
Segundo Cintia, o homem foi indicado para acompanhar o tratamento da filha pela empresa Health+ Cuidados e Gestão, que presta serviço de home care vinculado ao plano de saúde Unimed.
O delegado Thiago Venturini Antunes afirmou que a atuação do suspeito representa um risco ainda maior por se tratar de uma criança que já estava em estado grave.
“É assustador. Como uma criança em extrema gravidade... É claro e concreto o risco que ele causou a essa criança”, disse o delegado.
Cintia Santos Matheus, mãe da criança atendida por um falso médico
Em fevereiro de 2021, Diogo também constava na lista de profissionais que trabalhavam na Clínica da Família Miguel Couto, em Nova Iguaçu.
Após ser preso, segundo a polícia, ele afirmou que cursa Medicina em uma universidade particular e que está no 12º período. A investigação também vai apurar como ele conseguiu atuar utilizando registros de médicos no CRM.
De acordo com o delegado, a polícia vai investigar se havia algum tipo de relação entre Diogo e os médicos cujos registros profissionais teriam sido utilizados por ele.
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Suspeita da família
Segundo a investigação, a mãe da criança começou a desconfiar depois de perceber inconsistências nas prescrições. Ela consultou o cadastro do Conselho Regional de Medicina e verificou que a foto vinculada ao CRM usado nos atendimentos não correspondia ao homem que frequentava a casa.
A família procurou a 63ª DP, que enviou policiais ao endereço nesta quinta. Diogo foi abordado ao término de mais um atendimento, segundo a delegacia.
A polícia afirmou que ele se apresentava como “Dr. Jeferson Targino Sampaio” e usava o CRM desse profissional. Durante a abordagem, ainda segundo os investigadores, um policial chamou por “Dr. Jeferson”, e Diogo respondeu “oi”.
Com ele, os agentes apreenderam um carimbo e receituários de controle especial em nome de Targino, além de documentos já carimbados em nome de outro médico e blocos de receituários.
Diogo foi autuado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, entre outros crimes
Diogo foi autuado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento particular falso, falsa identidade, tentativa de estelionato e perigo para a vida ou saúde de outra pessoa, segundo a Polícia Civil.
A delegacia pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva. Até a última atualização desta reportagem, ele permanecia preso à disposição da Justiça.
A Polícia Civil informou ainda que Diogo aparece como autor em outros 4 procedimentos policiais, relacionados a falsidade ideológica, furtos e peculato.
Os investigadores apuram agora se outras pessoas foram atendidas por Diogo enquanto ele se apresentava como médico. A polícia também investiga a informação de que ele seria estudante de medicina e a origem dos recursos usados para custear os estudos.
O que dizem os envolvidos
Diogo Serpa ficou em silêncio na delegacia. O RJ2 não conseguiu contato com a defesa dele.
A Unimed Nova Iguaçu declarou que o estudante preso não faz parte do quadro de médicos e que ele é vinculado a uma empresa terceirizada. Disse ainda que notificou a prestadora de serviços para que apresente esclarecimentos. A Unimed afirmou também que registrou o caso na delegacia e enviou uma equipe à casa da paciente.
O RJ2 procurou a Health Home Cuidados e Gestão, mas não teve retorno.