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Pesquisa da USP alerta para riscos da automedicação em casos de insônia
G1 — Brasil · 2026-08-08T01:00:06.000Z
Pesquisa da USP alerta para riscos da automedicação em casos de insônia
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo alerta para os riscos da automedicação em casos de insônia.
Um em cada três brasileiros vai se identificar. Você deita na cama, mas não consegue dormir. No meio da noite, acorda e leva o cansaço para o dia inteiro. Se isso ocorre pelo menos três vezes por semana por três meses, esse é o chamado transtorno de insônia.
A mente do professor Nelson Sartori começou a não descansar com o fim do casamento de 24 anos.
“A grande questão é que uma noite sem dormir ela é longa. É longa, e aí a cabeça funcionando, as coisas são cada vez piores”, diz Nelson Sartori.
Foram queixas parecidas com essa que levaram a Faculdade de Medicina da USP a conduzir uma pesquisa com 1.158 pacientes: 60% deles já tomavam medicamentos para dormir. Entre eles, remédios controlados.
Outro ponto também chamou a atenção. Os pesquisadores descobriram que quatro em cada dez pessoas tomavam medicamentos que nem são indicados para o caso de insônia, mas acabam sendo procurados porque podem provocar sonolência como efeito colateral e por não precisarem de receita médica. O que traz riscos à saúde, alerta a pesquisadora.
“Quando você começa a se automedicar, arrumar soluções, você está mascarando um problema que poderia ser tratado de outra forma”, afirma Renatha El Rafihi, coordenadora do Laboratório de Psicologia do Sono IP-USP.
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Jornal Nacional/ Reprodução
A pesquisadora explica que o remédio é importante quando bem indicado e com acompanhamento médico. O desafio é ampliar o acesso às terapias comportamentais, tratamento de primeira linha contra insônia.
“Na terapia, a gente tem que construir hábitos. Tem que mudar estilos de vida, explorar outros fatores que podem estar mantendo a insônia desse paciente. É muito comum que que as pessoas com insônia pensem: ‘Eu preciso dormir oito horas, senão vou ter um dia arruinado’, ou ‘se eu não dormir bem essa noite, eu não vou conseguir trabalhar bem no outro dia’. Então, na terapia cognitiva, eles vão trabalhar justamente o quanto é real esses pensamentos, o quanto esses pensamentos, muitas vezes, podem estar deixando a pessoa ainda mais desperta”, explica Renatha El Rafihi.
Na rotina do Nelson - gravada por ele mesmo - cabem remédio prescrito e leitura. Fim de um dia que teve exercício físico e meditação para ele funcionar como um relógio.
Repórter: E quanto está valendo uma boa noite de sono aí?
Nelson Sartori, professor: Não tem preço.
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