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Mãe e filha de 13 anos enfrentam tratamento contra o câncer juntas em RO

Mãe e filha de 13 anos enfrentam tratamento contra o câncer juntas em RO

G1 — Brasil · 2026-08-08T09:00:44.000Z

Mãe e filha de 13 anos enfrentam tratamento contra o câncer juntas em RO

Tereza Ramalho, de 39 anos, foi diagnosticada com câncer de mama no início de 2025. Após um ano enfrentando a doença, a filha dela de apenas 13 anos, Stefanny Ramalho, descobriu um linfoma de Hodgkin. As duas realizam o tratamento juntas no Hospital de Amor, em Porto Velho.

"Eu me faço de forte pra não ver ela triste", relata a mãe.

Tereza descobriu o câncer após sentir fortes dores nas mamas. Por insistência da irmã, decidiu fazer uma mamografia, mesmo estando abaixo da idade normalmente recomendada para o exame de rastreio, que é de 40 anos.

“Eu até brinquei com minha irmã, falei que estava muito nova, mas pela insistência dela e de um amigo decidi ir fazer”, diz Tereza.

Quando o diagnóstico foi confirmado, o câncer já havia se espalhado para as axilas, a coluna e os pulmões. Há um ano e meio, ela realiza sessões de quimioterapia e radioterapia.

No início deste ano, em meio ao próprio tratamento, Tereza viu a filha Stefanny ser internada com crises de febre. Os exames apontaram linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que atinge o sistema linfático.

“Quando chegamos ao Hospital de Amor, a médica já não deixou voltar para Colorado. O pescoço dela já estava ‘quadrado’ e o peitoral dela estava cheio de nódulos”, relata a mãe.

Tereza e a filha Stefanny juntas

Arquivo pessoal - Tereza Ramalho de Oliveira

Mudanças na vida

Moradora de Colorado do Oeste, no interior de Rondônia, Tereza viajava a cada 20 dias para a capital, percorrendo mais de 750 quilômetros. Entre uma etapa e outra, retornava para a cidade para trabalhar e ficar próxima das três filhas.

No entanto, com a confirmação da doença, Stefanny passou a fazer acompanhamento diário. Por isso, ambas precisaram se mudar para Porto Velho.

A menina deixou a escola por causa do tratamento e Tereza, que trabalhava como motorista de aplicativo, abandonou a profissão para cuidar da filha.

Em Porto Velho, mãe e filha vivem na casa de um irmão de Tereza. Ela recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), enquanto Stefanny aguarda autorização para começar a ter acesso ao auxílio. A família também conta com o apoio de moradores de Colorado do Oeste e de cidades vizinhas por meio de ações beneficentes.

O que é o câncer de mama?

O câncer de mama é caracterizado pela multiplicação desordenada de células anormais, formando um tumor maligno que pode invadir tecidos e outros órgãos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres brasileiras, excluindo o câncer de pele não melanoma. A idade média para o diagnóstico da doença no Brasil é de 54 anos.

O oncologista clínico e coordenador do Hospital de Amor na Amazônia, José Favoreto Neto, destaca que, embora o câncer seja mais comum em idades avançadas, alguns fatores podem contribuir para o surgimento precoce.

“Na maioria das vezes, não existe uma única causa, mas sim uma combinação de fatores. Um dos principais é a predisposição genética. Mulheres com mutações hereditárias têm risco maior de desenvolver a doença antes dos 40 anos”, explicou o médico.

Ele ressalta que é necessário estar atento aos principais sinais de alerta:

Caroço ou endurecimento na mama ou na região da axila;

Mudança no tamanho ou no formato da mama;

Alterações na pele da mama, como vermelhidão, retração ou aspecto de "casca de laranja";

Saída de líquido pelo mamilo, principalmente se espontânea e fora do período de amamentação;

Mamilo que se retrai de forma recente;

Feridas na mama ou no mamilo que não cicatrizam.

A dor na mama, isoladamente, raramente é sinal de câncer. Mas, se for persistente ou vier acompanhada de qualquer um dos sinais acima, deve ser avaliada por um médico.

“O diagnóstico precoce é um dos principais aliados no combate ao câncer de mama. Quando a doença é identificada no início, as chances de cura são maiores e, muitas vezes, o tratamento pode ser menos agressivo”, destacou José Favoreto Neto.

O que é o Linfoma de Hodgkin?

De acordo com a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), o linfoma de Hodgkin atinge o sistema linfático, responsável por proteger o organismo contra infecções. Ele surge quando as células de defesa se modificam, tornam-se malignas e começam a se multiplicar sem controle. Esse tipo de câncer corresponde a aproximadamente 10% de todos os linfomas.

O sinal mais comum é o surgimento de um ou mais gânglios aumentados (ínguas), geralmente sem dor, na região do pescoço. Em cerca de 40% dos casos, podem ocorrer febre superior a 38°C, suores noturnos intensos e perda de peso.

A médica hematologista Daniele Fontes afirma que o diagnóstico em pessoas mais novas não é raro. A doença tem picos de frequência entre jovens de 15 a 39 anos e em idosos acima de 60 anos.

A especialista alerta que o diagnóstico pode ser dificultado pela semelhança dos sintomas com outras doenças.

“Na maioria das vezes, um caroço no pescoço em uma criança ou adolescente é apenas resultado de uma infecção simples, como uma gripe, dor de garganta ou infecção no dente. Por causa disso, é frequente que o linfoma seja inicialmente tratado como uma infecção comum”, explicou a médica.

Ao contrário de infecções, o caroço do linfoma é indolor, não diminui naturalmente e tende a crescer progressivamente. Apesar da insegurança gerada pelo diagnóstico, a doença tem altas taxas de sucesso.

“É um dos cânceres mais curáveis que existem, especialmente em crianças e adolescentes. Quando diagnosticado e tratado corretamente, as chances de cura ultrapassam 80% a 90% na maioria dos casos”, concluiu Daniele.

Fotografia de Stefanny Ramalho de Araújo

Arquivo pessoal - Tereza Ramalho de Oliveira

Fotografia de Tereza Ramalho de Oliveira

Arquivo Pessoal - Tereza Ramalho de Oliveira

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