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Caso Gustavo: 10 pontos para entender a morte do menino de 3 anos que levou à prisão do pai e da madrasta

Vídeo mostra momento da prisão do pai e madrasta do menino Gustavo

G1 — Brasil · 2026-08-08T09:30:08.000Z

Vídeo mostra momento da prisão do pai e madrasta do menino Gustavo

O advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa e sua companheira, Kathellen Moreira, pai e madrasta do menino Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, estão presos. O casal é suspeito da morte da criança e vai responder pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura.

Os pais do menino viviam uma disputa judicial, e a morte ocorreu na noite de domingo (2), enquanto Gustavo passava o fim de semana com o pai. O laudo pericial, ao qual o g1 teve acesso, apontou que a morte da criança ocorreu com “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”.

A suspeita de violência sexual ainda não foi totalmente descartada, e a tipificação dos crimes poderá ser alterada conforme o resultado de novas perícias.

Igor Gustavo Veloso de Souza e Kathellen Moreira foram presos em Palmas

A defesa do advogado disse que, após saber da prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial e que o caso se trata de uma entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável. A defesa ainda afirmou que, por ora, não se manifestará sobre detalhes do caso (veja nota completa abaixo).

Já a defesa de Kathellen Moreira disse que "recebeu com profundo estarrecimento a decisão que decretou sua prisão preventiva". Os advogados da madrasta alegaram que ela é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade. A defesa informou que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial e que irá recorrer à substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas (veja nota completa abaixo).

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Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos

Caso Gustavo Veloso

A morte e a apuração inicial

Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi encontrado morto após passar o fim de semana com o pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Souza, em Palmas (TO). A morte ocorreu no domingo (2), mas as autoridades só foram acionadas no fim da tarde da última segunda-feira (3).

Histórico de agressões e suspeita de dopagem

As investigações apontam que a violência não foi pontual. A mãe do menino, Sabrina da Silva Feitosa, apresentou registros indicando que, desde 2024, a criança retornava das visitas ao pai com lesões físicas.

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Ameaças anteriores contra a mãe

Em 2023, quando Gustavo tinha 8 meses, o pai foi denunciado por ameaçar a mãe da criança. Em áudio anexado ao boletim de ocorrência da época, Igor afirmou que atiraria no rosto de Sabrina, o que gerou a concessão de medida protetiva em favor dela.

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Cumprimento das visitas por orientação jurídica

Advogados de Sabrina da Silva Feitosa, mãe do menino, informaram à TV Anhanguera que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação parental. Ela movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento de pensão.

"Ela já havia me reportado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas. No entanto, o medo e o temor dela pela própria vida e pela vida do filho, da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impedia ela de nos permitir que tomássemos providências mais drásticas em relação a isso no momento", disse a advogada Stella Bueno.

Contradição na versão do pai e laudo pericial

O pai alegou à polícia que o filho teria se afogado na piscina da residência por volta das 17h30 de domingo e que o colocou para dormir, encontrando-o sem vida na manhã seguinte. Contudo, o laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) descartou totalmente a hipótese de afogamento.

Tentativa de simulação e alteração do local

A Polícia Civil apontou que a demora para comunicar o fato na delegacia serviu para tentar construir uma versão de acidente doméstico e higienizar a residência, onde havia garrafas de bebida alcoólica espalhadas.

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Constatação de lesões graves e enquadramento de tortura

O laudo do IML atestou que a causa da morte foi hemorragia interna provocada por violência física extrema, com traumas na face e laceração intestinal. O delegado do caso destacou que as lesões caracterizaram emprego de meio cruel e tortura.

Prisão preventiva do pai e da madrasta

Na madrugada de quinta-feira (06), Igor Gustavo Veloso de Souza e sua companheira, Kathellen Moreira da Silva, foram presos preventivamente em Palmas, investigados por homicídio duplamente qualificado e tortura.

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Investigação sobre a omissão da madrasta

Kathellen Moreira é investigada por omissão. A Polícia Civil informou que ela estava na casa durante os fatos e cuidava da criança no dia, mas não interveio nem chamou socorro médico diante da gravidade das agressões.

Homenagem da mãe e providências institucionais

Após a confirmação da morte, Sabrina Feitosa publicou uma homenagem nas redes sociais com fotos e memórias do filho sob a legenda "Eu te amo mais que tudo". No âmbito profissional, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) determinou a suspensão preventiva da inscrição do advogado investigado.

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O que dizem as defesas dos presos

Defesa de Igor Gustavo

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa esclarece que, assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial, informando que Igor se entregaria voluntariamente caso a medida fosse decretada.

Após a expedição do mandado, a defesa manteve contato com a autoridade policial e ficou ajustado que Igor se entregaria na própria residência onde se encontrava. Ele permaneceu no local e aguardou a chegada da equipe policial, submetendo-se voluntariamente ao cumprimento da ordem judicial, sem qualquer tentativa de fuga ou resistência.

Portanto, embora a prisão tenha sido formalmente cumprida em uma residência, não se tratou de localização ou captura realizada após buscas policiais, mas de entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável, mantendo a postura de colaboração adotada desde o início das investigações.

Em respeito ao sigilo da investigação, a defesa não se manifestará, por ora, sobre aspectos específicos do caso.

Defesa de Kathellen Moreira

A defesa de Kathellen Moreira da Silva recebeu com profundo estarrecimento a decisão que decretou sua prisão preventiva.

Causa especial preocupação o fato de não constar da decisão qualquer consideração sobre uma circunstância pessoal de extrema relevância: Kathellen é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade. A maternidade está comprovada pela certidão de nascimento, e a lactação pelos próprios registros realizados nas dependências da unidade policial.

Pelos documentos conhecidos até o momento, essa realidade não foi devidamente submetida à apreciação do Juízo quando do pedido de decretação da prisão preventiva. A custódia simultânea de Kathellen e do pai da bebê resultou na separação abrupta da criança de ambos os genitores, circunstância que deveria ter sido necessariamente ponderada antes da adoção da medida mais gravosa.

A defesa também esclarece que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial.

Diante desse cenário, a defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para requerer a substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas ou, subsidiariamente, por prisão domiciliar, compatibilizando a regularidade da investigação com a proteção dos direitos e das necessidades da bebê lactente.

A defesa confia que, com a análise individualizada dos fatos e dos documentos apresentados, a situação será revista pelo Poder Judiciário, mantendo-se o respeito à investigação, à presunção de inocência e, sobretudo, à proteção integral da criança.

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