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Seleção Sportv: Comentaristas debatem a performance de Messi na Copa do Mundo
ge — Futebol · 2026-08-08T13:31:28.000Z
Seleção Sportv: Comentaristas debatem a performance de Messi na Copa do Mundo
Por trás de toda grande estrela, está alguém que pavimentou o caminho para que ela chegasse lá. No caso de Lionel Messi, um dos grandes responsáveis por essa missão foi Jorge Horácio Messi, seu pai. Jorge foi agente, mentor, gestor de negócios e conselheiro do gênio argentino. Ele morreu aos 68 anos, na noite de sexta-feira. A causa da morte não foi informada.
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O nome de Jorge ganhou destaque na mídia após a estreia da Argentina na Copa do Mundo no dia 17 de junho. Na vitória de 3 a 0 sobre a Argélia, Lionel Messi foi às lágrimas depois de marcar o primeiro de três gols. O motivo do choro era o estado de saúde do pai, que estava internado em Buenos Aires e não viajou para assistir ao Mundial.
Messi cumprimenta seu pai após conquistar a Copa do Mundo 2022 com a Argentina
Robert Michael/picture alliance via Getty Images
O que me orgulha é quem o Leo é como pessoa. Claro que, como ele triunfou no futebol, estamos orgulhosos dele, mas o que mais importa é que ele é uma boa pessoa. O sucesso dele em outras áreas é consequência de quem ele é.
Quem era Jorge Messi?
Jorge era filho de espanhóis, mas nasceu em 1958 em Las Heras, um modesto bairro na cidade de Rosário - a cerca de 300 km da capital Buenos Aires. Em grande parte da vida, trabalhou como supervisor em uma siderúrgica.
Foi essa profissão que lhe ajudou a conhecer a esposa, Celia Cuccittini. A mulher fazia trabalhos de limpeza em uma oficina de bobinas magnéticas quando conheceu Jorge. Eles se casaram em 1978 e tiveram quatro filhos. Messi é mais novo que Rodrigo e Matías e mais velho que María Sol.
O futebol sempre esteve presente na casa dos Messi, como uma brincadeira natural entre os filhos e com suporte dos pais. Lionel, por exemplo, foi treinado por Jorge no Abanderado Grandoli, o pequeno clube de Rosário em que deu os primeiros passos da carreira.
— Aos quatro anos, já notávamos que ele era diferente. Ele fazia dribles e mantinha a bola equilibrada na ponta da chuteira, não conseguíamos acreditar. Um pouco mais velho, jogava com os irmãos, que são sete e cinco anos mais velhos que ele, e os superava. É um dom, é algo com que ele nasceu — afirmou Jorge Messi ao jornal "El Gráfico", em 2003.
A saída do Grandoli se deu depois que o pai foi impedido de acompanhar um jogo de Lionel por não ter dinheiro para comprar o ingresso. Apaixonado pelo Newell’s Old Boys, não demorou muito para que Jorge levasse Lionel para defender suas cores.
Família de Lionel Messi em ordem: Rodrigo, María, Jorge, Celia, o sobrinho Tomás (bebê) e Matías
Marcelo Boeri/El Grafico/Getty Images
A equipe vermelha e preta foi a casa de Lionel dos sete aos 13 anos. Também foi no clube que a família Messi enfrentou uma das grandes crises que marcaram a jornada do camisa 10. O pequeno prodígio foi diagnosticado com uma deficiência de hormônio do crescimento, e o tratamento custava 900 dólares por mês.
O plano de saúde cobriu os custos no início, mas não por tempo suficiente. Sem dinheiro para bancar o que o filho precisava, Jorge Messi foi atrás de outras opções, já que tinha ouvido dos médicos que o ideal era não parar o tratamento.
O Newell's não quis bancar, então Lionel foi oferecido ao River Plate, que também negou. O Old Boys até voltou atrás, mas oferecendo pouco perto do que custava as injeções diárias. Jorge sabia que o Barcelona estava de olho no menino, então decidiu buscar o que era melhor para o filho. A família foi para a Catalunha, onde tinham primos paternos, mas sem nenhuma garantia.
Lionel chamava atenção do Barcelona pelo futebol. Entretanto, a gestão do clube hesitava em contratá-lo pela dúvida se o adolescente valia a aposta e os custos do tratamento e da mudança. Jorge esteve ao lado do filho em todos os momentos. Em especial, durante a dura adaptação do primeiro ano e quando Celia precisou voltar para Rosário.
Ele (Lionel) sempre jogou por diversão e ficávamos felizes em vê-lo jogar, não porque achávamos que ele seria um grande sucesso, mas simplesmente porque ele gostava e jogava bem
Em meio às incertezas da carreira do filho e em uma cidade nova, a apreensão tomou conta de Jorge quando o Barcelona parecia não se decidir. A confirmação veio quando Carles Rexach, então diretor esportivo do clube catalão, chamou o pai para um almoço. Ali foi firmado o primeiro contrato do adolescente, feito em um guardanapo. Em 2024, o pedaço de papel foi vendido pelo equivalente a R$ 4,9 milhões.
Jorge também passou a receber um salário do Barcelona, o que justificava legalmente a permanência na Espanha e permitia que ele acompanhasse o filho menor de idade.
Lionel Messi pais Jorge e Celia
Jorge também foi responsável por garantir que Lionel defendesse a seleção argentina. Isso porque, diante do destaque no juvenil do Barcelona, a Espanha tinha demonstrado interesse em convocá-lo.
O pai do prodígio editou um vídeo com lances de Messi e enviou para Hugo Tocalli, o treinador da seleção juvenil da Argentina na época. Jorge manteve contato com a AFA e garantiu que o garoto gostaria de defender o país onde nasceu. Um ano depois das negociações, em 29 de junho de 2004, o jovem estreou com a Albiceleste, ainda pelo sub-20, em um amistoso contra o Paraguai.
Gestor da marca
Lionel Messi se tornou uma estrela para muito além do futebol. Os feitos por Barcelona, Paris Saint-Germain e Inter Miami transformaram o filho de Jorge em um portifólio de empresas e associações de marketing.
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O pai, por outro lado, ganhou ainda mais responsabilidades: ficou responsável por negociar contratos, controlar os acordos comerciais e gerir a marca de Lionel. Tudo isso enquanto se mantinha um homem discreto, com poucas presenças na mídia.
Jorge Horacio, pai de Messi, na final da Copa do Mundo de 2022
Jean Catuffe/Getty Images
Na primeira vez que Lionel Messi apareceu em uma lista da revista "Forbes", em 2008, a fortuna dele era estimada em 11,9 milhões de dólares (R$ 61 milhões na cotação atual). Em 2026, segundo a revista, o craque alcançou o patrimônio líquido de 1,1 bilhão de dólares (R$ 5,6 bilhões) - 92 vezes mais do que na estreia.
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O grupo Messi adquiriu em abril deste ano a propriedade integral do UE Cornellà, clube da Espanha que disputa o equivalente à Quinta Divisão. Além disso, o jogador é sócio do LSM, um time uruguaio criado em parceria com Luis Suárez.
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A carteira de investimentos gerida por Jorge também coleciona boas relações com grandes marcas. Por exemplo, Messi tem contrato vitalício com a Adidas, é embaixador global da Mastercard e recebe parte dos lucros de assinaturas do MLS Season Pass, streaming oficial da liga americana de futebol. Esse último acordo foi feito com a Apple, quando o jogador se transferiu para o Inter Miami.
Jorge Messi também foi protagonista de momentos conturbados na carreira do filho. Em 2016, os dois foram condenados a 21 meses de prisão cada por fraudar 4,1 milhões de euros em impostos através de paraísos fiscais. Segundo a justiça espanhola, o crime foi cometido entre os anos de 2007 e 2009.
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Eles conseguiram reverter a sentença na Justiça argentina um ano depois da condenação. Ao invés do regime fechado, Lionel Messi foi multado em 252 mil euros (cerca de R$ 950 mil). Enquanto Jorge teve que pagar 180 mil euros (R$ 674 mil) para evitar 15 meses de prisão - o tempo de pena foi reduzido porque ele colaborou com o processo e devolveu parte dos recursos que não foram declarados.
Já em 2019 o problema foi o mesmo, mas desta vez focada na Fundação Leo Messi Argentina. Lionel e Jorge foram acusados por um ex-funcionário da organização de lavagem de dinheiro e fraude nas finanças da Espanha. O Ministério Público arquivou o caso após dois anos de investigação.
Jorge Messi, pai e agente do craque, sai do aeroporto de Barcelona seguido por torcedores e jornalistas