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Triplica número de chineses autorizados a trabalhar no Brasil com avanço dos investimentos no país; entenda

Quase triplica o número de chineses trabalhado no brasil.

G1 — Brasil · 2026-08-08T23:51:59.000Z

Quase triplica o número de chineses trabalhado no brasil.

De longe, parece que eles estão se comunicando por mímica. De perto, dá para perceber que é isso mesmo que está acontecendo.

O brasileiro Vinícius Alves Silva, montador de eixos, trabalha ao lado de funcionários chineses e conta que a comunicação é feita principalmente por gestos e pelo celular.

“Bom, a comunicação às vezes é o gesto, e a gente vai... é... pelo celular a gente vai se comunicando”, contou.

O aplicativo de tradução também ajuda na rotina. Em uma conversa, Vinícius pediu que um colega chinês dissesse o próprio nome. Sun Yongfa respondeu, e o brasileiro brincou: “Fácil, não foi, Vinícius?”. “Foi!”, respondeu.

A barreira da língua é apenas uma das adaptações necessárias para equipes brasileiras e chinesas que trabalham juntas no país.

Roy, que atua como uma espécie de ligação entre as equipes dos dois países, explica que a diferença de fuso horário também é um desafio.

“Eu atuo como uma ponte entre as equipes da China e do Brasil. O que dificulta é que temos 11 horas de diferença de fuso horário. Então só conseguimos nos comunicar com a China pela manhã ou à noite”, afirmou.

Mas, apesar das diferenças, as equipes trabalham juntas em projetos que já fazem parte do cotidiano brasileiro. Da fábrica saíram 40% dos ônibus elétricos que circulam em São Paulo, segundo a reportagem.

A presença de funcionários chineses é importante em pontos estratégicos do processo, inclusive para a transferência de conhecimento.

“São importantes para poderem identificar desafios que ainda são desconhecidos por parte do time de brasileiros, inclusive para que eles possam treiná-los”, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil.

“É completamente transferência de conhecimento para que você aumente a performance tecnológica”, acrescentou.

Autorizações de trabalho para chineses triplicam

Roy faz parte de uma nova onda de imigrantes chineses que chegam ao Brasil já com trabalho garantido.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o total de autorizações de residência para trabalho passou de pouco mais de 3 mil, em 2023, para mais de 10 mil, em 2025 — um aumento de mais de três vezes em dois anos.

A mão de obra chinesa qualificada também avançou mais de 140% no período. Em 2025, os chineses representaram quase metade das autorizações para trabalho qualificado no Brasil.

O número foi seis vezes maior que o registrado pelo Japão, segundo colocado na lista.

O crescimento acompanha o avanço dos investimentos chineses no país.

Em 2025, a China investiu mais de US$ 6 bilhões no Brasil. O país se tornou o principal destino dos investimentos externos chineses.

Para o pesquisador Livio Ribeiro, da FGV Ibre, a maior presença chinesa também está relacionada à redução da importância dos Estados Unidos na economia brasileira.

“Em geoeconomia, nunca sobra vácuo. No caso brasileiro, você tem uma diminuição da importância americana, e esse vácuo é ocupado pelo país que é mais importante em termos de balança comercial, em termos de economia, e crescentemente em termos financeiros depois dos Estados Unidos, que é a própria China”, afirmou.

Chineses chegam para trabalhar em diferentes setores

Xiangshuang Wu também é engenheiro e chegou ao Brasil no ano passado para trabalhar em uma das 14 hidrelétricas operadas por uma empresa chinesa no país. Hoje, ele cuida das compras da companhia em um escritório em São Paulo.

Ele também percebeu o aumento da presença de chineses na cidade.

“No ano passado, aos domingos, eu sempre via duas ou três pessoas chinesas na feira. Mas neste ano, vejo talvez sete, oito, dez pessoas chinesas. São rostos novos”, contou.

A presença chinesa, porém, não é novidade em São Paulo. Comunidades que chegaram ao país em décadas anteriores ajudaram a formar parte do comércio e da identidade cultural da cidade.

Quem chega agora encontra restaurantes e outros espaços que ajudam a manter os vínculos com a cultura de origem.

“Já experimentamos vários restaurantes em São Paulo em que a comida chinesa é muito gostosa também”, disse Roy.

A diferença é que a nova onda de imigração acompanha uma expansão dos negócios chineses em áreas estratégicas da economia brasileira.

Além da indústria automobilística, empresas chinesas atuam em setores como energia e tecnologia e ampliam a presença no país.

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Para Livio Ribeiro, o movimento também pode transformar o Brasil em uma plataforma para empresas chinesas alcançarem outros mercados.

“É uma invasão de empresas chinesas que querem produzir não somente para o mercado doméstico brasileiro, mas que eventualmente querem usar a plataforma industrial brasileira como uma possibilidade de criar aqui uma base de reexportação de produtos chineses para outras regiões. Então é um pouco de diversificação estratégica, sempre buscando mais rentabilidade e espalhando esses tentáculos econômicos por diversos lugares do mundo”, afirmou.

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