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Crise em Ceuta completa uma semana ainda sem respostas
G1 — Brasil · 2026-08-09T08:00:21.000Z
Crise em Ceuta completa uma semana ainda sem respostas
A chegada de milhares de imigrantes a Ceuta, cidade autônoma da Espanha, reacendeu o debate sobre imigração na Europa. O episódio ocorreu em um momento em que as principais rotas migratórias monitoradas pela União Europeia registram queda nas entradas irregulares. Por outro lado, as vias continuam sendo palco de tragédias: cerca de 1.300 pessoas morreram no Mar Mediterrâneo apenas neste ano.
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Imagens daquele dia mostram imigrantes chegando em grandes grupos a Ceuta após nadarem pelo Mar Mediterrâneo.
O total de pessoas que entrou na cidade superou o número de travessias registradas nas seis principais rotas de imigração irregular para a Europa durante todo o 1º semestre de 2026.
O alto número de pessoas fez o governo espanhol classificar o episódio como algo inédito.
Nos dias seguintes, os imigrantes cruzaram o portão da fronteira de volta para o Marrocos sob escolta policial.
O Centro Nacional de Inteligência da Espanha suspeita que o Marrocos tenha sido conivente com uma mobilização convocada nas redes sociais para levar pessoas até a cidade.
Apesar de a Espanha ter reforçado a presença militar na região, a crise acendeu um alerta sobre a entrada massiva de imigrantes na Europa.
A Espanha, no entanto, não é o único país europeu afetado por ondas de imigração irregular. Nos últimos anos, milhares de pessoas de dezenas de nacionalidades têm se arriscado em travessias por terra e pelo mar para chegar à Europa.
Ao todo, a União Europeia monitora seis rotas por onde essas travessias são feitas. A principal é a do Mediterrâneo Central, em que imigrantes partem da costa do norte da África rumo a países como a Itália.
Neste ano, porém, duas rotas têm chamado a atenção das autoridades: a do Mediterrâneo Oriental, que passou a registrar o maior número de travessias irregulares, e a do Mediterrâneo Ocidental, que inclui as tentativas de entrada em Ceuta.
👉 Conheça, a seguir as principais rotas.
Jornada até a Europa
As rotas de imigração irregular na Europa
Kayan Albertin/Arte g1
Somente em 2025, 66.328 pessoas fizeram a travessia irregular para chegar à Europa pela rota do Mediterrâneo Central. O número está em queda desde 2023, quando 162.714 imigrantes fizeram a travessia.
Só neste ano, entre janeiro e julho, foram 16.454 travessias.
A maioria dos imigrantes que usaram essa rota era de Bangladesh, Somália, Argélia, Sudão e Paquistão.
Geralmente, as travessias são feitas pelo Mar Mediterrâneo em botes com dezenas de pessoas. Naufrágios e mortes são frequentes.
Outra rota muito movimentada é a do Mediterrâneo Oriental. Ela também costuma ser feita pelo mar. Nela, imigrantes saem principalmente do Oriente Médio com destino ao Chipre e à Grécia.
Tradicionalmente a segunda principal rota de imigração para a Europa, ela é, até o momento, a mais utilizada em 2026. Foram mais de 20 mil entradas irregulares entre janeiro e julho.
A maior parte dos imigrantes veio do Afeganistão, Sudão, Bangladesh e Egito.
A terceira principal rota é a do Mediterrâneo Ocidental. Ela liga o Marrocos e a Argélia à Espanha por meio do Mar Mediterrâneo.
A travessia também é feita pelo mar, e essa é a única rota que vem registrando aumento nos últimos anos. Em 2025, foram 19.403 travessias, alta de 14% na comparação com 2024.
Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 11.537 travessias, a maioria feita por cidadãos da Argélia, Marrocos e Mali.
Os dados divulgados pela Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) ainda não refletem a entrada de cerca de 70 mil imigrantes em Ceuta no fim de julho.
Ao g1, a Frontex afirmou que os dados envolvendo Ceuta ainda estão sendo consolidados e validados.
🗺️ O caminho para a Europa ainda conta com outras três rotas, que são menos utilizadas pelos imigrantes:
África Ocidental: os imigrantes atravessam o Oceano Atlântico a partir do noroeste da África com destino às Ilhas Canárias, território espanhol. Foram 4.682 travessias entre janeiro e julho deste ano, principalmente de cidadãos do Senegal, da Gâmbia e do Marrocos. A rota costuma ser usada por pessoas que fogem da instabilidade na região do Sahel.
Bálcãs Ocidentais: feita por terra, essa rota é usada principalmente por pessoas que fogem de conflitos no Oriente Médio e por cidadãos da Turquia. O destino costuma ser países como Romênia, Hungria e Croácia. Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 4.910 travessias.
Fronteiras Orientais: também por terra, essa rota liga o leste europeu a países como Polônia e Finlândia. Neste ano, ela tem sido usada principalmente por ucranianos, que representaram 94% das 3.209 travessias registradas entre janeiro e julho.
📉 Somadas, todas essas rotas registraram 177.784 travessias irregulares ao longo de 2025. O número representa uma queda de 26% na comparação com o ano anterior. Já entre janeiro e junho deste ano, foram 50 mil, uma redução de 37% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Frontex esclarece que o número não representa o total de imigrantes irregulares que permaneceram na União Europeia após a travessia.
Apesar da queda, o bloco afirmou que cerca de 1.300 pessoas morreram apenas no Mar Mediterrâneo tentando chegar à Europa.
"As redes de tráfico humano continuam a enviá-las para o mar em embarcações sobrelotadas e em condições precárias, independentemente das circunstâncias", afirma o relatório europeu.
Combate à imigração irregular
Foto mostra imigrantes em bote na costa da Líbia na tentativa de atravessar o Mediterrâneo, em 6 de novembro de 2017
Lisa Hoffmann/Sea-Watch vía AP
Nos últimos anos, a União Europeia tem firmado acordos com países do norte da África para reduzir a imigração irregular. Em troca de apoio financeiro e outras contrapartidas, esses países reforçam a fiscalização das fronteiras e colaboram na devolução de migrantes.
No entanto, após a crise em Ceuta parlamentares e especialistas passaram a questionar se essa estratégia deixa o bloco vulnerável a pressões políticas de países de trânsito.
O comissário europeu para Migração, Magnus Brunner, afirmou que a União Europeia precisa usar "todas as ferramentas disponíveis", incluindo políticas de vistos e acordos comerciais, para garantir a cooperação de países vizinhos no controle das fronteiras.
"Um lembrete muito importante de Ceuta é que, para termos controle, precisamos cooperar com nossos vizinhos. Mas, enquanto esse controle depender da boa vontade de um Estado vizinho, continuaremos vulneráveis", afirmou Brunner ao Parlamento Europeu.
As declarações ocorrem em meio às suspeitas de que autoridades marroquinas tenham sido coniventes com a entrada em massa de imigrantes em Ceuta.
Segundo o governo marroquino, a Espanha deveria ter previsto as consequências de uma decisão da Justiça que impedia a deportação imediata de imigrantes que chegassem a Ceuta a nado sem cruzar uma barreira física na fronteira.
Mapa mostra localizações de Ceuta e Melilla, exclaves espanhóis na África, em meio a crise migratória em julho de 2026.
Dhara Pereira e Lara Bernardino/Arte g1
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