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Imagem de câmera de segurança registrou assassinato em Mogi Mirim (SP)
G1 — Brasil · 2026-08-09T21:04:45.000Z
Imagem de câmera de segurança registrou assassinato em Mogi Mirim (SP)
O Tribunal do Júri absolveu nesta terça-feira (4) uma mulher de 38 anos que era acusada de matar a facadas o marido Leonardo Lira Andrade de Lima, que tinha 29 anos, no Parque das Laranjeiras, em Mogi Mirim (SP), em outubro de 2025.
Na decisão, os jurados apontaram que Izabelle Freitas Lima da Silva agiu em legítima defesa. Ao longo da ação criminal, ela relatou ter sofrido agressões físicas e psicológicas do companheiro, que seria dependente químico.
Um laudo de exame necroscópico realizado pela Polícia Científica constatou, inclusive, cocaína no sangue de Leonardo horas depois do homicídio — o que foi citado para corroborar o relato da acusada.
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O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pode apresentar contestação ao julgamento se entender que a absolvição não está amparada nas provas. Porém, em casos de legítima defesa, há possibilidade de o recurso não ser aceito.
Em nota, a defesa de Izabelle apontou que ela "vivia uma relação marcada por agressões, ameaças e controle" e que a investigação "concentrou-se na autoria, rapidamente esclarecida pelas imagens, sem reconstruir de forma completa os momentos que antecederam o acontecimento" — confira a manifestação na íntegra abaixo.
Vídeo foi usado contra Izabelle durante o processo
Segundo a Polícia Militar (PM), ela teria alegado que o companheiro, de 29 anos, havia sido agredido em uma briga com outra pessoa, mas imagens de câmera de monitoramento descartaram a versão dela — assista acima.
Ainda segundo a PM, ao chegar ao local, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizava o atendimento da vítima, que teve o óbito constatado no local. O homem apresentava cortes profundos na região do pescoço e tórax.
A corporação informou que a esposa estava sentada na calçada e informou que ela e o marido teriam se envolvido em uma briga com uma pessoa que eles flagraram furtando uma construção, e que "o homem teria ferido seu esposo e fugido".
Enquanto a equipe aguardava a perícia no local, o proprietário de um comércio local apresentou imagens da câmera de monitoramento à PM, nas quais, segundo a corporação, foi possível identificar que a esposa desferiu os golpes e que não havia um terceiro envolvido.
Essas imagens foram usadas contra Izabelle durante todo o processo. O MP apresentou denúncia por homicídio contra a suspeita com base no vídeo e nos relatos dos policiais.
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Ao longo do processo criminal, Izabelle relatou ser vítima constante de agressões físicas e psicológicas de Leonardo.
Na manhã do dia do assassinato, o casal teria ido até a casa da mãe da suspeita. No local, ele teria jogado Izabelle no chão e colocado o joelho no pescoço dela.
Depois de voltar para casa, o homem exigiu que ela lhe desse dinheiro para comprar drogas. O casal foi junto ao ponto de drogas e, ao retornarem, Leonardo teria usado drogas e ingerido bebida alcoólica, o que o tornou ainda mais agressivo com ela.
Por volta das 18h, Leandro decidiu que iria a uma adega próxima da casa e Izabelle foi junto, mas, no meio do caminho, ele teria começado a dizer que iria "beber o sangue dela". Isso levou a uma briga e ela, com medo, esfaqueou o marido até a morte.
A versão de Izabelle foi comprovada por testemunhas, bem como por um laudo de exame necroscópico realizado pela Polícia Científica, que constatou cocaína no sangue de Leonardo.
O júri sobre o caso foi realizado nesta terça-feira (4) e o Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e a autoria do assassinato por Izabelle. Porém, os jurados acolheram a tese da legítima defesa e absolveram a suspeita.
Com a decisão, Izabelle foi solta nesta sexta-feira (7) da Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), onde estava presa.
O que diz a defesa de Izabelle
A defesa de Izabelle Freitas Lima da Silva informa que, em julgamento realizado perante o Tribunal do Júri, o Conselho de Sentença acolheu a tese de legítima defesa e absolveu a acusada.
Durante os debates em plenário, a defesa não negou que Izabelle tenha desferido os golpes registrados pelas câmeras de segurança. O ponto central apresentado aos jurados foi que as imagens divulgadas mostravam apenas o momento final do episódio, sem registrar integralmente os acontecimentos anteriores, o percurso realizado pelo casal e o contexto do relacionamento.
Segundo a tese defensiva, Izabelle vivia uma relação marcada por agressões, ameaças e controle exercido pelo companheiro. Foram apresentados aos jurados relatos de familiares que afirmaram ter presenciado episódios de violência, inclusive uma agressão ocorrida no próprio dia dos fatos.
A defesa também sustentou que a investigação concentrou-se na autoria, rapidamente esclarecida pelas imagens, sem reconstruir de forma completa os momentos que antecederam o acontecimento. Entre os pontos debatidos estiveram a ausência de imagens de todo o trajeto percorrido pelo casal e a necessidade de análise do contexto anterior à cena captada pela câmera.
O vídeo foi enfrentado diretamente pela defesa, sem tentativa de ocultação ou negação de seu conteúdo. A argumentação apresentada em plenário destacou que a gravação demonstrava a ação registrada naquele local, mas não era suficiente, isoladamente, para explicar toda a sucessão de acontecimentos que culminou no episódio.
Após a produção da prova oral, o interrogatório da acusada e os debates entre acusação e defesa, os jurados reconheceram a tese defensiva de legítima defesa.
A defesa recebe a decisão com respeito ao Tribunal do Júri, às instituições do sistema de Justiça, à vítima e a seus familiares. O resultado não representa celebração de uma morte, mas o reconhecimento, pelo órgão constitucionalmente competente, da tese jurídica e do contexto probatório apresentados durante o julgamento.
A atuação foi conduzida com responsabilidade, transparência e compromisso com o direito de defesa, preservando-se a dignidade de todas as pessoas envolvidas.
Defesa de Izabelle Freitas Lima da Silva: Leonardo Leitão Ferreira, Jorge Luiz Mabelini, João Guilherme Silverio dos Reis, Hamilton Tavares Junior e Leandro Bello Martins.
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