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"A velha já tá indo sozinha. Se tivesse R$ 100 mil aqui, eu ia esfolar ela". Essa declaração foi feita por um golpista que se passava por gerente de banco em um telefonema com uma vítima.
G1 — Brasil · 2026-08-09T23:33:33.000Z
"A velha já tá indo sozinha. Se tivesse R$ 100 mil aqui, eu ia esfolar ela". Essa declaração foi feita por um golpista que se passava por gerente de banco em um telefonema com uma vítima.
Imagens obtidas pelo Fantástico mostram como funciona o golpe da falsa central bancária. Enquanto a vítima acredita estar seguindo um procedimento de segurança, os golpistas a induzem a fazer uma transferência.
Na última sexta-feira (7), um homem foi preso em flagrante depois de tirar R$ 17.400 de duas contas de um idoso de 82 anos. O caso aconteceu em um banco em Guarulhos (SP), mas a fraude começou em Belo Horizonte (MG), com uma ligação que induziu a vítima a entregar tudo o que tinha.
Em outro caso, um advogado de Cascavel (PR) teve um prejuízo de aproximadamente R$ 600 mil. Os golpistas tiraram dinheiro da conta, esgotaram o cheque especial e fizeram um financiamento em nome da vítima.
O advogado relatou ter recebido uma mensagem de um contato com a foto e o número de telefone da gerente do seu banco. Os criminosos apresentaram um suposto pagamento com os dados da vítima e perguntaram se ela reconhecia a operação.
Na sequência, afirmam que um especialista em segurança entraria em contato. Esse falso funcionário ajudaria a cancelar as supostas operações suspeitas, mas seu objetivo é induzir a vítima a seguir os passos necessários para cair no golpe.
A vítima não conseguiu ressarcir o prejuízo que sofreu com o golpe. "Eles acharam uma forma muito mais fácil de fazer esse roubo. Nem explosão de caixa eletrônico acontece mais", disse. "Você sai de vítima para inadimplente e sem recurso, sem amparo".
Para o delegado Everson Aparecido Contelli, os criminosos recorrem a gatilhos de autoridade ao se apresentarem como funcionários do banco. "Qualquer pessoa pode cair. Temos acompanhado aqui pessoas com mestrado, com doutorado", afirmou.
A estratégia é atacar em massa e incluir disparar a mesma farsa para dezenas de pessoas ao mesmo tempo. "Evidentemente, o criminoso não espera sucesso em todos. Mas no mínimo que ele alcança, já acaba causando um prejuízo muito significativo", disse Contelli.
Estratégia de golpistas é atacar em massa e disparar mesma farsa para dezenas de pessoas ao mesmo tempo
Segundo o delegado Adair Marques Correia Junior, as quadrilhas de diferentes estados têm trabalhado juntas. "Algumas replicam sites de bancos, outras quadrilhas trabalham com os contatos com as vítimas. Outra é responsável por obter esses vazamentos de dados dos bancos", afirmou.
Uma operação realizada em julho terminou com 22 prisões e a apreensão de celulares, computadores e documentos usados em uma casa que funcionava como uma falsa central bancária.
Segundo a investigação, o grupo mantinha dados sigilosos das vítimas. O local tinha até mesmo uma espécie de quadro de metas, que revelava os objetivos definidos para cada mês.
Vídeo mostra vítima caindo em golpe da falsa central bancária
Em 30 cidades da região noroeste do estado de São Paulo, a falsa central equivale a metade dos golpes. Mirassol é a cidade da região com o maior número de casos: diariamente, duas pessoas do município são vítimas desse tipo de crime.
Uma cidade pequena geralmente vira alvo desses golpes por dois motivos: os criminosos ligam para uma sequência de números de celular com o mesmo DDD ou conseguem informações privilegiadas sobre clientes de uma determinada agência bancária.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) explica que não há qualquer pedido de transferência por nenhuma instituição financeira. "A conta mais segura é a sua conta protegida pelas suas credenciais, seus tokens e suas senhas", disse Ivo Mósca, diretor-executivo de Inovação da Febraban.
Segundo ele, a recuperação do dinheiro depende de alguns fatores. "Primeiro, da velocidade com que o cliente percebeu esse golpe. Esse fluxo financeiro acaba sendo redirecionado para múltiplas contas. Vai depender também das políticas internas de cada uma das instituições".