ITATIBA1

Polícia quer ouvir empresa de helicóptero que caiu no Rio; acidente gera discussão sobre voos em áreas residenciais

Polícia quer ouvir empresa de helicóptero que caiu no Rio

G1 — Brasil · 2026-08-10T11:53:55.000Z

Polícia quer ouvir empresa de helicóptero que caiu no Rio

A Polícia Civil vai intimar a empresa responsável pelo helicóptero que caiu no último sábado (8), nas proximidades da Vista Chinesa, a prestar esclarecimentos. No acidente, morreram três turistas colombianas e o piloto da aeronave.

Segundo familiares das vítimas, representantes da empresa informaram inicialmente que o helicóptero havia feito um pouso forçado. A queda reacendeu o debate sobre a segurança das operações de helicópteros na cidade.

A investigação está a cargo da 19ª DP (Tijuca). O delegado responsável pelo caso afirmou que, neste primeiro momento, não pretende ouvir os familiares das turistas colombianas. A prioridade será tomar o depoimento dos representantes da empresa proprietária da aeronave.

A companhia informou que a câmera que registrava imagens da cabine permaneceu intacta após o acidente. O equipamento foi entregue ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que também apura as causas da queda.

Alessandro Rocha era o piloto do helicóptero que caiu neste sábado no Rio

Sven Rocha dos Santos, filho de Alessandro Rocha, piloto morto no acidente, contou que o pai havia ingressado recentemente na empresa.

"Ele estava lá havia pouco tempo e comemorava muito essa oportunidade", disse Sven, que esteve no Instituto Médico-Legal (IML).

No domingo (9), familiares das vítimas colombianas estiveram no IML para acompanhar os procedimentos de liberação dos corpos.

"É um momento difícil, muito duro. Não sei se existe alguém mais triste no planeta neste momento. Perdi minha mãe, minha irmã e minha sobrinha", afirmou o colombiano Victor Manrique.

As vítimas eram Rocio Cubillos, de 59 anos; Wendy Manrique, de 37; e Sofia Murillo, de 17 anos. Era a primeira viagem da família ao Rio de Janeiro. Elas haviam contratado um voo panorâmico sobre a cidade, com passagem pelo Cristo Redentor.

O passeio custaria cerca de R$ 2,5 mil e teria duração aproximada de 20 minutos. A experiência fazia parte da comemoração do aniversário de Laura, de 15 anos, que não chegou a embarcar. Ela, o pai e a madrasta seriam os próximos passageiros da aeronave, que decolou do Aeroporto de Jacarepaguá.

Os corpos das quatro vítimas foram retirados da mata horas depois do acidente, com o auxílio de equipes que utilizaram técnicas de rapel.

Bombeiros trabalham para chegar até a área onde caiu um helicóptero perto da Vista Chinesa, na Zona Sul do Rio.

A demora no retorno do restante da família gerou preocupação entre os turistas. Victor Manrique afirmou que representantes da empresa informaram apenas que o helicóptero havia realizado um pouso forçado.

"Eu sei que eles já tinham conhecimento de que havia uma emergência e não nos avisaram. Quando perguntei o que havia acontecido, nos levaram para uma sala e disseram que o piloto havia informado a necessidade de um pouso forçado. Não disseram que o helicóptero tinha caído. Passou mais de uma hora sem qualquer informação oficial. Começamos a pesquisar na internet e encontramos notícias sobre o acidente. Sabíamos que poderia envolver nossos parentes, porque era o único voo naquela região", relatou.

O turista também afirmou que nenhuma autoridade policial entrou em contato com a família.

"Nenhuma autoridade nos procurou para prestar esclarecimentos. Não estou fazendo um julgamento, porque desconheço os protocolos. Não sei se esse procedimento é normal ou se os esclarecimentos às famílias ocorrem apenas depois dos trâmites da medicina legal. Mas, para mim, isso parece estranho", declarou.

Victor disse ainda que a empresa Voos Rio Panorâmico não forneceu cópias do contrato do passeio nem da apólice de seguro.

A Polícia Civil informou que a investigação segue seu curso normal e que diligências estão sendo realizadas.

"Nada vai compensar essa perda. Nossa principal preocupação é acolher essas famílias e oferecer o suporte necessário, para que elas não se sintam desamparadas", afirmou Eliane Ambrósio, representante da Voos Rio Panorâmico, durante atendimento aos familiares no IML.

A família Manrique: as vítimas são Sofía (C, de óculos), Wendy (D, de óculos escuros), e Rocío (atrás delas). Ficaram no hangar Laura (E), Victor e Daniela (ao fundo)

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que o helicóptero possuía certificado válido e autorização para realizar voos panorâmicos.

Familiares das vítimas afirmam que, mesmo após o acidente, as operações turísticas continuaram sendo realizadas a partir do Aeroporto de Jacarepaguá, inclusive pela mesma empresa.

Corpos de colombianas mortas em queda de helicóptero ainda não foram identificados

Familiares aguardavam 2º voo panorâmico quando descobriram pela internet queda de helicóptero que matou 3 parentes

Filho de piloto morto em queda de helicóptero no Rio antecipou Dia dos Pais com o pai: ‘Fizemos um churrasco em família’

Detalhes do modelo do helicópterio Robinson R44.

A tragédia voltou a levantar questionamentos sobre a segurança dos voos de helicóptero no Rio de Janeiro. No domingo (9), manifestantes se reuniram no heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, para pedir a suspensão das rotas turísticas sobre áreas residenciais.

"Ninguém aqui é contra voos essenciais, como os realizados por bombeiros, policiais ou equipes de imprensa. O que questionamos são os voos turísticos e panorâmicos sobre áreas urbanas. Em várias cidades do mundo isso já não é permitido", afirmou André Tovar, integrante do movimento Rio Livre de Helicópteros.

Em abril, um piloto conseguiu realizar um pouso forçado na Praia da Barra da Tijuca e ninguém ficou ferido. Em junho, dois helicópteros colidiram no ar e caíram no Recreio dos Bandeirantes, provocando a morte de seis pessoas.

Já neste fim de semana, a queda da aeronave próxima à Vista Chinesa deixou mais quatro vítimas.

Acidente com helicóptero gera discussão sobre voos sobre áreas residenciais

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, afirmou ter conversado com o presidente da Anac sobre a possibilidade de uma suspensão temporária dos voos panorâmicos na cidade.

"Quero acreditar que a Anac adotará as medidas necessárias, inclusive avaliando uma suspensão dos voos panorâmicos por uma ou duas semanas, ou pelo período que considerar adequado para intensificar a fiscalização. Precisamos garantir a segurança dos turistas, dos moradores e de todos que circulam pela cidade", afirmou.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), no local do resgate das vítimas da queda do helicóptero.

Rafael Nascimento / g1 Rio

Para especialistas em gerenciamento de risco, a frequência dos acidentes, o número de vítimas e a gravidade das consequências demonstram a necessidade de uma avaliação mais profunda do sistema.

Gerardo Portela, especialista na área, destaca que um dos pontos mais sensíveis está na comunicação entre os pilotos de helicóptero.

Nos grandes aeroportos, aeronaves comerciais são monitoradas por controladores de tráfego aéreo, responsáveis por coordenar pousos, decolagens e manter a separação segura entre os voos.

Já nas operações com helicópteros, a dinâmica costuma ser diferente. Os próprios pilotos informam suas posições e intenções pelo rádio e acompanham as transmissões de outras aeronaves para identificar possíveis conflitos de tráfego.

"Na aviação autocoordenada, como ocorre com os helicópteros no Rio de Janeiro, a responsabilidade fica com cada piloto. Eles precisam se entender durante o voo e enfrentam fatores como visibilidade reduzida, incidência do sol na cabine e uma frequência de rádio frequentemente congestionada. São fatores que precisam ser avaliados, porque o tráfego aéreo cresceu muito", explicou.

Portela defende mudanças no modelo atual.

"Na minha avaliação, esta é uma oportunidade de aprimoramento. A Anac deveria analisar se não chegou o momento de elevar o padrão de controle e coordenação. Não se trata de dizer que o sistema atual é inseguro, mas de reconhecer que ele talvez já não seja o mais adequado para um volume de tráfego tão intenso", concluiu.

🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

Leia no Itatiba1 →