ITATIBA1
Plantas comuns em casa podem itnoxicar animais
G1 — Campinas e Região · 2026-08-10T12:14:48.000Z
Plantas comuns em casa podem itnoxicar animais
Edição nossa / Canva / arquivo
Plantas ornamentais são comuns em casas e jardins, mas algumas espécies podem representar risco para cães e gatos. A ingestão de folhas, flores, frutos ou sementes pode provocar intoxicações que vão de irritações leves a quadros potencialmente fatais.
Segundo o botânico Luís Adriano Funez, pesquisador e curador do Herbário Barbosa Rodrigues, as substâncias tóxicas fazem parte das estratégias naturais de defesa das plantas.
"Como as plantas não podem correr, lutar ou voar, um dos jeitos que elas têm para se defender de animais, fungos, bactérias e até de outras plantas é por meio de substâncias químicas"
Esses compostos não afetam necessariamente todos os animais da mesma forma. O botânico explica que algumas toxinas são seletivas e atingem apenas determinadas espécies.
"O abacate, por exemplo, possui persina, que não é tóxica para humanos, mas pode ser letal para um periquito e causar bastante desconforto em cães e gatos", exemplifica.
Veja o que é destaque no g1:
Agora no g1
Outras substâncias têm efeitos mais abrangentes e também estão presentes em alimentos consumidos pelas pessoas. É o caso do oxalato de cálcio, encontrado em hortaliças como espinafre e beterraba e também em plantas ornamentais da família das aráceas.
Segundo Funez, a diferença está na forma como esses cristais são organizados. Nessas espécies ornamentais, eles assumem formato semelhante ao de pequenas agulhas, capazes de provocar intensa irritação na boca e na garganta quando mastigados.
Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1:
ALERTA: Super El Niño pode aumentar o risco de doenças transmitidas por animais; entenda a relação
CASCAVEL SABE NADAR? Bióloga filma serpente em rio no Pantanal; veja vídeo
Espécies exigem atenção
Espirradeira, ou Loendro, é uma das mais perigosoas para pets
corpseofsomething / iNaturalist
Entre as plantas consideradas mais perigosas, Luís destaca a espirradeira (Nerium oleander) e o chapéu-de-napoleão (Thevetia peruviana).
As duas possuem glicosídeos cardíacos — compostos naturais que aumentam a força de contração e regulam o ritmo do coração — e podem causar intoxicações graves após a ingestão de qualquer parte da planta.
Flor da planta conhecida como Chapéu-de-Napoleão (Cascabela thevetia)
flarpar / iNaturalist
Outra família que merece atenção é a das solanáceas, que inclui espécies ornamentais como a trombeta-de-anjo (Brugmansia suaveolens) e a Datura stramonium. Elas contêm compostos capazes de provocar alterações neurológicas nos animais.
A mamona (Ricinus communis) também está entre as plantas mais perigosas. Segundo o pesquisador, suas sementes concentram ricina, uma das toxinas vegetais mais potentes conhecidas.
Espécies bastante populares em ambientes internos, como comigo-ninguém-pode, jibóia, filodendro, antúrio e caládio, costumam provocar irritações intensas na boca e na garganta após serem mastigadas. Elas também podem causar edema de glote tanto em pessoas quanto em animais.
Para Funez, o ideal é evitar o cultivo dessas espécies em locais frequentados por crianças e animais domésticos.
"À exceção da aroeira, que considero uma árvore belíssima, nativa e importante para a fauna, não recomendo ter nenhuma das demais plantas que citei, pois podem representar um perigo real, especialmente para pets e crianças", alerta o botânico.
Além da ingestão, algumas plantas oferecem risco pelo contato com a seiva. É o caso de espécies do gênero Euphorbia, como a coroa-de-cristo. O látex pode provocar irritações importantes e, se atingir os olhos, causar lesões graves.
Como identificar uma intoxicação
O médico-veterinário da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), Antônio Carlos Geraldo Júnior, que tem experiência no atendimento de casos de intoxicação, explica que os sintomas variam conforme a planta ingerida, a quantidade consumida e a sensibilidade de cada animal.
Os sinais mais comuns incluem:
perda de apetite.
Em casos mais graves, podem surgir tremores, convulsões, dificuldade para respirar, alterações no ritmo cardíaco e comprometimento de órgãos como fígado e rins.
"Diante de qualquer suspeita de ingestão de uma planta tóxica, o ideal é procurar atendimento veterinário imediatamente. Quanto mais cedo forem realizados o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de recuperação do animal", orienta o veterinário.
Outras plantas tóxicas
Além das espécies citadas, o hospital veterinário Animal Clinic mostra que outras plantas ornamentais frequentemente encontradas em residências também podem representar risco para cães e gatos, como:
Antes de adquirir uma nova planta para casa ou para o jardim, a recomendação é verificar se ela oferece algum risco aos animais de estimação e mantê-la fora do alcance dos pets.
*Sob supervisão de Rodrigo Peronti.
VÍDEOS: Destaques Terra da Gente
Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente