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O governo Lula identificou "manobras de desinformação" sobre a crise com a Argentina e decidiu agir para "esclarecer" a população do país vizinho.
G1 — Brasil · 2026-08-10T12:47:41.000Z
O governo Lula identificou "manobras de desinformação" sobre a crise com a Argentina e decidiu agir para "esclarecer" a população do país vizinho.
Em outra ponta, no cenário internacional, Lula busca conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de "amigo" neste fim de semana, destacando que também quer "esclarecer fatos" com o americano.
Chanceler brasileiro diz que Argentina precisa 'parar as agressões' a Lula para normalizar
No campo do país vizinho, integrantes da diplomacia brasileira afirmam ter identificado na Argentina tentativas de divulgar informações falsas sobre a origem da crise entre os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei, tentando passando a responsabilidade pelo início do atrito ao Brasil.
Diante disso, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, tem buscado falar à população argentina, por meio de entrevistas a veículos locais, reforçando que a origem do conflito foi o discurso de Milei na convenção do PL e uma entrevista dele dias depois.
Nas duas situações, Milei se referiu a Lula como “presidiário”, “ladrão” e “corrupto”, por exemplo, além de chamar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”.
Os presidentes Javier Milei e Lula
A estratégia do governo Lula é esvaziar a articulação bolsonarista tanto com Milei como com Trump.
A avaliação é que o Brasil já deu as respostas necessárias nos dois casos, e agora o presidente brasileiro quer voltar a conversar com o presidente dos Estados Unidos para recolocar "as coisas no seu devido lugar", como os dados errados de desmatamento alegados pelo Escritório de Comércio dos EUA para aplicar novas tarifas contra a importação de produtos brasileiros.
Durante o fim de semana, Lula lembrou que, nos encontros com Trump, o relacionamento entre eles foi muito bom.
No caso da Argentina, a ação está com o chanceler Mauro Vieira.
Na mais recente entrevista do ministro das Relações Exteriores à imprensa do país vizinho, ao jornal “Clarín”, Mauro Vieira disse que a Argentina precisa cessar “imediatamente” esse tipo de “agressões”, para que as relações entre os dois países, rebaixadas a encarregados de negócios em vez de embaixadores, voltem à normalidade.
Repercussão na Argentina
Integrantes do Itamaraty avaliam que as declarações de Milei repercutiram mal no país e que a opinião pública pode até ter forçado um movimento inicial de reaproximação, mas como a chancelaria argentina divulgou nota afirmando que as relações entre os dois países “devem responder aos interesses permanentes de seus povos, e não ficarem subordinadas às necessidades políticas e/ou pessoais do presidente de turno”, a ideia é “colocar os pingos nos is”.
A diplomacia brasileira ressalta que o próprio chanceler Quirno deu declarações afirmando que, apesar de divergências políticas entre Lula e Milei, a diplomacia argentina não levaria essas divergências para o campo institucional.
Mas, depois declarou que a região está passando por uma mudança de direção ideológica e que espera que isso aconteça no Brasil também.
Para fontes do ministério, houve um movimento muito intenso nas redes sociais nos últimos dias para tentar deixar o Brasil com o “ônus da agressão”, isto é, tentando colocar a culpa da crise sob o governo brasileiro, o que foi avaliado como “vergonhoso”.
Por isso, a orientação interna, segundo diplomatas, é “fazer um contraponto às manobras de desinformação apresentando fatos”, resumiu um aliado de Vieira.