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Terremoto na Colômbia não tem relação com abalo que atingiu a Venezuela em junho, explicam sismólogos

Terremoto de magnitude 7,4 atinge a Colômbia

G1 — Brasil · 2026-08-10T13:26:42.000Z

Terremoto de magnitude 7,4 atinge a Colômbia

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu nesta segunda-feira (10) o oeste da Colômbia e chacoalhou prédios em Bogotá.

O tremor, que já deixou feridos e causou danos em cidades como Manizales e no estado de Chocó, reacendeu uma dúvida nas redes sociais: ele teria alguma ligação com o terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho, pouco mais de um mês antes? Por que a América Latina estaria enfrentanto tantos terremotos?

A Venezuela viveu uma das maiores tragédias da história, com mais de seis mil mortos com o tremor em junho. O que os especialistas explicam é que, apesar da proximidade, eles não têm relação e não há um fenômeno que esteja intensificando sismos na América Latina. Isso tem a ver com a geografia local.

Terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia em 10 de agosto de 2026.

Por que a Colômbia treme com tanta frequência?

O geofísico Bruno Collaço, da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que a Colômbia fica em uma das áreas mais sismicamente ativas do planeta — e por um motivo estrutural, não coincidência.

O país está posicionado bem próximo ao contato entre a placa de Nazca, que fica sob o oceano Pacífico, e a placa Sul-Americana, que sustenta o continente. Nessa fronteira, a placa de Nazca "mergulha" por baixo da placa continental, em um processo chamado subducção.

É esse atrito constante entre as duas placas, empurradas uma contra a outra ao longo de milhões de anos, que libera energia na forma de terremotos.

O mesmo mecanismo explica por que outras regiões do mundo concentram os tremores mais fortes e mais frequentes do planeta: o Japão, a Indonésia, a costa oeste dos Estados Unidos e toda a costa oeste da América do Sul estão sobre bordas de placas tectônicas ativas.

Na América do Sul, essa faixa de risco não se limita à Colômbia — ela segue por Equador, Peru, Chile e Bolívia, países que registram terremotos com regularidade justamente por estarem no mesmo cinturão de subducção.

O caso da Venezuela teve outra origem

Já o terremoto que atingiu a Venezuela em junho partiu de um contexto tectônico diferente, segundo Collaço.

Ali, o abalo não aconteceu pelo encontro entre a placa de Nazca e a Sul-Americana, mas da interação entre a placa Sul-Americana e a placa do Caribe — um arranjo geológico mais complexo e que não se conecta diretamente à dinâmica que gera os tremores colombianos.

Na prática, isso significa que os dois eventos, apesar de próximos no tempo e no mapa, resultam de sistemas de falhas distintos. Não há um "efeito cascata" entre eles, e a proximidade temporal entre os dois terremotos não indica que um tenha influenciado o outro.

"O caso da Venezuela é um pouco diferente que naquela ocasião os sismos foram causados por um outro contexto tectônico mais complexo, na interação da placa da América do Sul e a do Caribe", explica Collaço.

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