ITATIBA1

Mapas, manuais de explosivos e cálculo de custos: como grupo planejava ataques em Brasília

Grupo planejava explodir o Palácio do Planalto e mirava o debate do 2º turno; polícia agiu antes

G1 — Brasil · 2026-08-10T15:40:35.000Z

Grupo planejava explodir o Palácio do Planalto e mirava o debate do 2º turno; polícia agiu antes

Mapas de prédios públicos, manuais para fabricação de explosivos e cálculos sobre a quantidade e o custo dos materiais. Era assim que integrantes de grupos extremistas se organizavam para planejar possíveis ataques em Brasília, segundo uma investigação.

Grupo planejava explodir o Palácio do Planalto e mirava o debate do 2º turno

As conversas monitoradas pelas autoridades revelaram que o principal objetivo do grupo era invadir e explodir prédios públicos, especialmente o Palácio do Planalto. Os integrantes também tinham mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em uma das conversas, eles compartilharam a planta baixa do Palácio do Planalto e discutiram possíveis caminhos para entrar e sair do edifício.

Os investigadores também encontraram instruções para a fabricação de explosivos e coquetéis molotov, além de orientações sobre o desenvolvimento de artefatos explosivos. Os integrantes calculavam a quantidade de material necessária e os custos para produzir os dispositivos.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, as estimativas indicavam a possibilidade de produzir mais de três granadas por integrante. As conversas também mencionavam a produção de pólvora e o baixo custo para sua fabricação.

Entre os planos discutidos, estava o de "explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater"

Grupo maior tinha mais de 600 integrantes

A investigação identificou dois grupos no Telegram. O maior deles reunia mais de 600 pessoas. Integrantes considerados mais radicalizados eram convidados para um grupo restrito, com 46 participantes.

Nesse núcleo, as conversas não se limitavam à troca de ideias. Os participantes compartilhavam instruções para a prática de atos violentos.

O acesso aos grupos era controlado. Para entrar, era necessário receber um link ou procurar pelo nome exato. Os administradores também selecionavam pessoas que consideravam ter o perfil desejado.

Em uma das conversas, um integrante chegou a pedir indicações de outros grupos de nazistas para fazer novos recrutamentos.

O relatório do CyberLab, laboratório de repressão a crimes cibernéticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, classificou os dois grupos como de alto grau de periculosidade. A investigação aponta a presença de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.

Objetivo era atingir prédios públicos

As conversas indicam que os integrantes não pretendiam apenas provocar destruição. A intenção era usar Brasília para transmitir ao país uma mensagem considerada violenta e antidemocrática pelas autoridades.

Os participantes defendiam uma “revolução” e a “abolição do Estado”. A investigação aponta que o grupo não se identificava necessariamente com um lado político específico.

Os administradores também tentavam identificar integrantes dispostos a matar.

CyberLab monitorava grupos

As mensagens foram identificadas por investigadores do CyberLab, que monitora pessoas que utilizam perfis anônimos para produzir e compartilhar conteúdo de ódio e incentivo à violência.

Segundo o Ministério da Justiça, o laboratório produziu, apenas naquele ano, 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes. Entre os conteúdos encontrados estavam mensagens racistas, homofóbicas e misóginas.

Em uma das conversas, integrantes fizeram ameaças contra mulheres que ocupavam cargos como delegada, juíza e investigadora.

O Ciberlab funciona em uma sala de acesso restrito em Brasília

Na última terça-feira, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados.

Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime.

Computadores e celulares apreendidos durante a operação ainda são analisados pelos investigadores.

Para as autoridades, havia risco de que o plano fosse colocado em prática. A avaliação é que não seria necessário esperar para saber se os integrantes realmente levariam os ataques adiante.

GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico

Ouça os podcasts do Fantástico

ISSO É FANTÁSTICO

O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

Leia no Itatiba1 →