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Dias quentes podem ter 4 horas a mais de calor extremo até o fim do século, diz estudo

O nascer do sol na costa de Sydney, em 30 de novembro de 2004.

G1 — Brasil · 2026-08-10T18:07:53.000Z

O nascer do sol na costa de Sydney, em 30 de novembro de 2004.

REUTERS/Will Burgess/File Photo

O calor extremo pode ocupar uma parcela cada vez maior do dia até o fim deste século.

Em um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, dias considerados quentes poderão ter mais de quatro horas adicionais de temperaturas muito elevadas entre 2070 e 2099, na comparação com o período de 2001 a 2023.

É o que aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (10) na revista Nature Climate Change.

A pesquisa analisou temperaturas registradas hora a hora em diferentes partes do planeta entre 1981 e 2023 e combinou esses dados com projeções climáticas até o fim do século.

A divulgação ocorre em meio a mais um episódio de forte calor na Europa. No Reino Unido, o Met Office prevê uma nova onda nesta semana, com temperaturas que podem chegar a 36°C na quinta-feira (13) em partes da Inglaterra.

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A diferença do novo trabalho está justamente na forma de medir os extremos. Grande parte dos estudos sobre calor usa indicadores diários, como temperatura média, máxima ou mínima. Os pesquisadores decidiram observar como a temperatura varia ao longo das 24 horas.

Com isso, encontraram períodos de calor intenso que podem passar despercebidos quando todo o dia é resumido em poucos números.

Entre 1981 e 2023, cerca de 80% das áreas terrestres analisadas apresentaram aumento significativo dessas horas extremamente quentes. O avanço foi observado ao longo de todo o dia, mas foi mais rápido durante a noite.

Hoje, segundo o estudo, um dia classificado como quente tem em média 16,4 horas de temperaturas extremas. No cenário de emissões mais altas, esse período pode chegar a cerca de 21 horas no fim do século.

Já em dias que nem sequer seriam classificados como extremamente quentes pelas medições tradicionais, o número médio pode passar de pouco mais de uma hora atualmente para aproximadamente cinco horas.

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Na prática, é como avaliar um filme apenas por algumas cenas: a máxima ou a média diária continuam sendo informações importantes, mas podem deixar de mostrar períodos relevantes de calor que acontecem entre uma medição e outra.

Para José Miguel Viñas, meteorologista da Meteored e consultor da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ouvido pelo Science Media Centre España, olhar para essas variações ao longo do dia é um dos pontos mais importantes do trabalho.

“A presente pesquisa se concentrou em um aspecto novo, que é a avaliação em escala horária da distribuição das temperaturas durante as ondas de calor extremo.”

Segundo Viñas, esse tipo de análise também pode ajudar a entender melhor os efeitos das temperaturas persistentes sobre a saúde.

“Isso permitirá caracterizar melhor o impacto na saúde humana das altas temperaturas persistentes, tanto nos picos alcançados durante as horas diurnas como nas noturnas.”

A preocupação com as noites aparece com destaque no estudo. Os pesquisadores projetam que, no futuro, cerca de 70% das horas de calor extremo que aparecem em dias não classificados como quentes ocorrerão no período noturno.

Noites anormalmente quentes reduzem justamente o intervalo em que o organismo normalmente teria algum alívio depois das temperaturas elevadas do dia.

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