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Tutora de pitbull atacado por onça-parda em SP coloca caixa de música no fundo de casa para evitar volta do animal

Onça ataca pitbull dentro de condomínio na Zona Norte de São Paulo

G1 — Brasil · 2026-08-10T18:46:03.000Z

Onça ataca pitbull dentro de condomínio na Zona Norte de São Paulo

A família do pitbull Ragnar, que entrou em confronto com uma onça-parda na madrugada da última quinta-feira (6), na Zona Norte de São Paulo, diz que adotou uma estratégia para impedir que a suçuarana volte a rondar a casa.

Segundo Mirella Ramos, tutora do cão, eles têm colocado uma caixa de som com música tocando a madrugada inteira para impedir que a onça se aproxime da casa.

Imagens do GoogleEarth mostram que o condomínio fechado Parque Itaguaçu da Cantareira, na região da Serra da Cantareira, é cercado por duas áreas de mata, bem no limite da serra.

“A gente ainda está muito assustado. Deu seis da tarde, eu tranco a casa com o cachorro e as crianças e não abrimos mais nem as janelas. Mas a gente sabe que esse tipo de animal é guiado pelo cheiro e a gente morre de medo dela quebrar uma janela para poder entrar na casa para poder pegar o Ragnar”, contou a administrado.

“Nós botamos uma caixa de som tocando música no fundo da casa a madrugada inteira para ver se o barulho espanta ela. Também comprei uns fogos de artifício para soltar, caso ela realmente apareça novamente, pra ver se o barulho dos fogos espanta o bicho”, disse Mirella ao g1.

Não há comprovação científica de que a música afaste onças, mas o barulho da presença humana ajuda a evitar encontros com esses felinos. Conforme especialistas, as onças são animais cautelosos que tendem a evitar o contato com pessoas ao notar a nossa atividade física ou sonora.O ruído contínuo serve como um alerta preventivo, diminuindo as chances de você surpreender o animal em seu habitat natural.

O pitbull Ragnar enfrentou a onça-parda dentro do condomínio Parque Itaguaçu da Cantareira, na região da Serra da Cantareira, Zona Norte de São Paulo.

A tutora do Ragnar disse que nos últimos dias recebeu a visita de um funcionário da Prefeitura de São Paulo no condomínio, que está tentando, segundo ela, “ajudar de alguma forma os moradores”.

O principal ponto, segundo Ramos, é que boa parte das casas do condomínio tem os muros voltados para a mata da Serra da Cantareira e precisa de uma autorização da gestão municipal que delimite onde essas estruturas podem ou não ser construídas.

“Meu vizinho já visualizou marcas de pata da onça no terreno dele e o que a gente precisa é que a Prefeitura de SP nos ajude a delimitar o terreno dos imóveis. Várias casas do condomínio, como a minha, tem mil metros quadrados de terreno. Pela lei, 30% é de mata e a gente não pode construir. Perfeito. Mas os técnicos da prefeitura precisam vir para nos dizer qual o limite onde a gente pode erguer o muro, que delimitem o local exato onde esses muros podem ser construídos”, disse a dona do pitbull.

Imagens do GoogleEarth mostram que o condomínio fechado Parque Itaguaçu da Cantareira fica cercado por duas áreas de mata, bem no limite da Serra da Cantareira.

“No meu caso, estou há mais de um ano e meio pedindo isso na subprefeitura e ninguém vem nos atender. Nisso, a gente continua com os fundos da casa dando para uma trilha de mata aberta. Traz insegurança e também nos sujeita a essas visitas de animais silvestres”, contou.

O g1 procurou a gestão municipal para saber como essa requisição dos moradores do Condomínio Parque Itaguaçu da Cantareira será atendida, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.

Casas do Condomínio Parque Itaguaçu da Cantareira ficam cercadas por duas áreas de mata, bem no limite da Serra da Cantareira.

Ataque ao pitbull

Mirella Ramos disse ao g1 nesta segunda-feira (10) que as três filhas do casal estão assustadas com a situação e a filha mais velha, de nove anos, comenta com a família que não quer continuar morando na área em razão do medo de volta da onça-parda.

O pitbull Ragnar pode ter evitado uma tragédia na casa de uma família com três crianças pequenas. Na madrugada de quinta-feira (6), o cachorro percebeu a presença de uma onça-parda dentro da residência e correu para enfrentá-la antes que os moradores sequer soubessem que o animal estava ali.

“Como a onça foi pega pelo Ragnar bem na porta, a gente acredita que ela já estava dentro da nossa casa quando ele sentiu o cheiro e saiu em disparada. Se não fosse ele, uma tragédia podia ter acontecido com as nossas crianças”, afirmou a administradora Mirella Ramos.

Ragnar ficou gravemente ferido na briga: teve o rosto rasgado, uma veia próxima ao coração comprometida e precisou passar por uma cirurgia de emergência. A família afirma que ele salvou os moradores de um possível encontro com a onça dentro da casa.

O episódio aconteceu pouco depois das 3h. Mirella havia se levantado para amamentar a filha de três meses quando Ragnar, que costumava acompanhá-la pela casa, correu em direção ao corredor depois de ouvir um barulho.

A onça parda que atacou o pittbull Ragnar, da família Ramos, na Zona Norte de São Paulo.

Mirella estranhou a reação repentina do animal, que costuma acompanhá-la por todos os cômodos da casa, independentemente do horário. Em seguida, ela ouviu um rosnado, como se houvesse uma briga do lado de fora, e chamou o marido para verificar o que estava acontecendo.

Com o corredor ainda escuro, o marido da administradora viu que o pitbull brigava na porta dos fundos com um animal que ele não conseguia identificar. Ele tentou puxar o cachorro pela pata para identificar o outro animal e, quando percebeu, estava diante de uma onça-parda adulta, que brigava intensamente com o cachorro da família.

“A primeira reação dele foi trancar a porta e dizer: entra pro quarto com as crianças porque é uma onça. É o Ragnar ou nós”, contou Mirella.

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A briga entre o cachorro e o animal só cessou quando a filha do meio do casal, de apenas 3 anos, começou a chorar e pedir que o cachorro voltasse para o quintal.

Foi então que o animal se desvencilhou da onça e conseguiu acessar a outra entrada da casa, onde a porta foi aberta para que ele pudesse ser socorrido.

Câmeras de segurança do local registraram a movimentação da onça dentro do condomínio, horas depois da briga com o cachorro.

“Como é um condomínio fechado, a gente tinha o hábito de deixar a porta do fundo entreaberta para o Ragnar ir fazer xixi do lado de fora. Nesses seis meses que a gente mora aqui, houve relatos no condomínio da presença de vários animais silvestres, mas da onça só havia comentários aqui e ali de que ela tinha sido vista”, contou.

“A gente nunca ia imaginar que ela iria atacar o nosso cachorro”, declarou Mirella Ramos.

O g1 entrou em contato com o condomínio Itaguaçu, onde a família mora, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que nem a Guarda Civil Metropolitana (GCM) nem a Divisão da Fauna Silvestre (DFS) foram acionadas para essa ocorrência. E que, "diante do caso, a DFS apurará os fatos" (leia a íntegra mais abaixo).

O pittbull Ragnar brinca com as filhas de Mirella Ramos antes do ataque da onça, na Zona Norte de SP.

Cachorro ficou ferido

Ragnar teve o rosto rasgado pela onça e teve até uma veia do coração comprometida. Ele foi submetido a uma cirurgia de emergência e, enquanto ainda estava sob cuidados veterinários, a onça reapareceu no dia seguinte na escadaria da casa da família.

“Dessa vez a gente tava com tudo trancado. Mas ela já sacou que tem um animal ali que pode ser uma presa. Chamei a segurança do condomínio, mas eles só vieram com um segurança de moto. O que um cara sozinho vai conseguir fazer contra uma onça-parda, meu Deus?”, desabafou.

Mirella disse que já ligou para o serviço florestal e para a Defesa Civil municipal, mas não conseguiu nenhum tipo de ajuda para o caso.

“Depois do ataque, os vizinhos já abriram mais de 20 chamados, mas a Defesa Civil disse que só pode ir até lá se há um número grande de pedidos. Eles não dizem o que é um número grande. Mas estou apavorada, com medo dela voltar e surpreender algum de nós novamente chegando em casa”, contou.

A família Ramos demorou quase cinco anos para construir a casa dos sonhos, onde desejava criar as três filhas perto da natureza e longe do barulho da metrópole.

Porém, a matriarca da família já pensa até em vender a casa caso a onça não seja capturada.

“Vai ser muito difícil pra gente continuar morando aqui se essa onça não for encontrada e levada para um local mais adequado. Nós estamos apavorados e queremos que alguma autoridade tome alguma providência”, disse ela.

Tratamento de Ragnar

Ragnar tomou 32 pontos na cabeça e precisa de uma nova cirurgia.

Ragnar levou 32 pontos na cabeça e perdeu as funções do lado esquerdo do rosto, além de perder parte da gengiva.

O pitbull precisa passar por uma segunda cirurgia, mas a família já gastou quase R$ 10 mil no tratamento do cachorro.

Eles fizeram uma vaquinha online para tentar arrecadar parte do dinheiro necessário para manter o animal internado na clínica de reabilitação, mas não tiveram dinheiro para pagar o tratamento. O animal está sendo medicado em casa.

“O Ragnar foi um pedido da minha filha mais velha, que sempre quis ter um pitbull. Ele é treinado, mas um bobão com as crianças dentro de casa. Dorme com as crianças, brinca e protege as meninas pequenas. A família está sofrendo muito com as condições de saúde dele, infelizmente”, disse a tutora do animal.

Na descrição da vaquinha, a família diz que Ragnar foi um herói que salvou a família de um desfecho trágico.

“Ele realmente foi um herói. A gente acha que ele sentiu o cheiro de algo diferente dentro de casa e foi pra cima. Defendeu a gente com toda sua força, mesmo em desvantagem de força, tamanho e instinto. Todo sacrifício por ele não será em vão. Mas, além do tratamento, a gente quer uma solução para a presença da onça dentro do condomínio”, disse Mirella Ramos.

O que diz a prefeitura

"A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), informa que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Divisão da Fauna Silvestre (DFS) não foram acionadas para essa ocorrência. Diante do caso, a DFS apurará os fatos.

As pastas orientam a população que, ao se deparar com animais silvestres, estejam eles feridos ou em situação de risco, não tente capturá-los ou afastá-los por conta própria. O munícipe deve acionar imediatamente a Guarda Civil Metropolitana (GCM), pelo telefone 153, ou a Divisão da Fauna Silvestre (DFS) da SVMA, pelo WhatsApp (11) 95220-0219, disponível diariamente das 8h às 17h. As equipes técnicas fornecerão as informações adequadas para lidar com a situação com segurança e, em casos de necessidade de manejo do animal, equipes especializadas da GCM atuarão na remoção segura do animal.

A SMSU informa ainda que a Guarda Civil Metropolitana mantém seis Inspetorias e uma Base de Defesa Ambiental distribuídas estrategicamente pela capital, responsáveis pelo patrulhamento de áreas verdes e pelo resgate de fauna silvestre em área urbana."

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