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Presidente do Bradesco vê espaço para novos cortes de juros em 2026, mas cita guerra, eleições e El Niño como ameaças

Ilustração de logo do Bradesco.

G1 — Economia · 2026-08-11T13:19:22.000Z

Ilustração de logo do Bradesco.

O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta terça-feira (11) que vê espaço para novos cortes de juros ainda neste ano.

"A gente entende perfeitamente o movimento de política monetária do Banco Central, mas a taxa de juros está bem elevada [...] e, quando a gente olha para a inflação, temos espaço para derrubar essa taxa", afirmou em entrevista ao Radar GloboNews.

Segundo Noronha, os economistas do Bradesco trabalham com a possibilidade de mais uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) já na próxima reunião do colegiado, em setembro. O executivo destaca, no entanto, que acredita que mais cortes podem vir à frente.

"Já vemos dados de desaceleração da economia brasileira. Nossos economistas trabalham com [uma redução de] 0,25 p.p. no banco, mas eu acho que podemos ver mais quedas", completou.

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Apesar do tom mais otimista, no entanto, Noronha reconhece que ainda existem fatores que podem atrapalhar a trajetória de cortes de juros do BC, como as eleições, os efeitos da guerra do Oriente Médio nos preços do petróleo e os impactos do El Niño.

"Temos um mercado ainda incerto e uma guerra que ainda está indefinida, que afeta os preços do petróleo e pode bater na inflação daqui", disse o presidente do Bradesco, destacando que, apesar de o histórico mostrar que as eleições costumam trazer volatilidade para o câmbio, esse efeito acontece apenas no curto prazo.

"Temos, de fato, uma volatilidade maior, mas em um período mais curto. Então eu continuo trabalhando com a expectativa de que o juro precisa ser real [acima da inflação], mas não dessa magnitude", acrescentou Noronha.

Nesta terça-feira, o Banco Central publicou a ata da última reunião do Copom. Na semana passada, o comitê decidiu reduzir a taxa básica de juros em mais 0,25 p.p., para 14% ao ano.

No documento, divulgado nesta terça, o BC fez alertas sobre os possíveis impactos dos preços do petróleo e dos efeitos climáticos na inflação brasileira, alertando que, caso se concretizem, esses efeitos devem demandar uma "reação firme" da instituição.

O BC também demonstrou preocupação com a possível pressão inflacionária das medidas de estímulo adotadas pelo governo federal. "O Comitê continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos das medidas de estímulo à demanda e dos choques de oferta".

Endividamento das famílias ainda preocupa

O presidente do Bradesco também afirmou que o endividamento das famílias e o comprometimento da renda seguem como pontos de preocupação, destacando que, apesar de o Desenrola — programa de renegociação de dívidas do governo federal — ter surtido efeitos positivos, ainda há um longo caminho a ser trilhado para um crescimento sustentável da economia.

"[O Desenrola] vem evoluindo e surtindo efeito, mas tudo tem sua magnitude. O que a gente espera e precisa é ter um Brasil que consiga crescer bem seu PIB, acima de 3% ao ano, e ter uma política fiscal equilibrada, que garanta que a gente não vai ver o crescimento da dívida pública em determinado período", afirmou.

Segundo Noronha, é por meio do equilíbrio das contas públicas que o governo pode garantir uma inflação controlada e juros mais baixos por mais tempo.

"É isso que pode garantir uma tranquilidade maior para as empresas e para os consumidores no tempo, que é garantir seus empregos e a renda. O pior veneno para a renda é a inflação. Com uma inflação equilibrada e com o país crescendo, temos condição de ver uma economia muito mais saudável do que a que vemos hoje", disse.

Noronha destacou, ainda, que os candidatos à Presidência da República deveriam ser mais transparentes em relação às sinalizações sobre o futuro das contas públicas.

"O Brasil já sabe o que precisa para resolver o aspecto fiscal. Mas, independente de qual governo assuma, será preciso vontade política de fazer isso acontecer. Acredito que o Congresso vai apoiar medidas racionais que possam ser adotadas no Brasil para que a gente possa ter uma política fiscal muito mais equilibrada", concluiu.

*Esta reportagem está em atualização

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