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Cidade do Amazonas tem chuva de granizo no mesmo dia em que estado registra calor recorde
G1 — Brasil · 2026-08-11T14:28:00.000Z
Cidade do Amazonas tem chuva de granizo no mesmo dia em que estado registra calor recorde
Uma tempestade com chuva de granizo, ventania e trovoadas atingiu o município de Manicoré, no sul do Amazonas, na tarde de segunda-feira (10), mesmo dia em que o estado registrou as temperaturas mais altas do ano. O fenômeno surpreendeu moradores e causou danos na zona rural da cidade.
Enquanto Boca do Acre registrava mais de 37°C, temperatura mais altas do Amazonas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Manicoré enfrentava um cenário oposto. A tempestade trouxe chuva intensa, rajadas de vento e queda de pedras de gelo em plena estiagem.
De acordo com o Departamento de Meteorologia de Manicoré, choveu 22,8 milímetros em apenas uma hora, volume equivalente ao esperado para todo o mês de agosto no município.
Vídeos gravados por moradores e compartilhados nas redes sociais mostram a intensidade da tempestade. Em uma das gravações, um morador exibe pedras de granizo na palma da mão enquanto a chuva cai ao fundo. (veja acima).
Amazonas vive período de calor e estiagem
O temporal ocorreu em meio a um período de calor intenso e poucas chuvas no Amazonas.
Em Manaus, foram registrados apenas cerca de 3,5 milímetros de chuva nos primeiros dez dias de agosto, o equivalente a aproximadamente 1% do volume esperado para todo o mês, segundo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
Na segunda-feira (10), a capital amazonense registrou 36,1°C, a maior temperatura do ano. No dia anterior, os termômetros chegaram a 35,4°C, uma das maiores marcas de 2026.
Por que chove granizo durante uma onda de calor?
Chuva de granizo atinge município do interior do Amazonas
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, a ocorrência de granizo em meio ao calor intenso é resultado do encontro entre altas temperaturas e a entrada pontual de umidade, condição que favorece a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical.
"A Organização Mundial de Saúde destaca que o aquecimento do clima está associado a um ciclo da água mais extremo, com maior risco tanto de seca quanto de chuva intensa. Não significa que esse evento isolado seja causado pelas mudanças climáticas, mas ele ocorre em um contexto onde esses extremos vêm ganhando relevância", explicou Andrea Ramos.
A especialista destacou que o calor característico da estiagem não impede a formação de tempestades severas quando há umidade disponível na atmosfera.
"O fato de estar quente e com estiagem não significa que não vai chover em algum ponto. E essa chuva vem realmente com esse padrão: com quedas de granizo, descargas elétricas e rajadas de vento. O ambiente é condicionado a isso: qualquer entrada de umidade que haja vai ter o favorecimento da formação de nuvens cumulonimbus, que têm grande desenvolvimento vertical e horizontal", explicou.
Ventania causou estragos
A força dos ventos também chamou atenção durante a tempestade. Imagens registradas às margens do Rio Madeira mostram o "banzeiro", como são conhecidas as ondas provocadas pelo vento na região, cobrindo o rio de espuma.
Na zona rural de Manicoré, a ventania causou prejuízos. Na estrada vicinal José Cleto de Oliveira, na comunidade Jerusalém, o telhado de uma casa foi arrancado e várias árvores de açaí foram derrubadas.