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Facção cobrava 'pedágio' de até R$ 60 mil de candidatos para liberar campanha em bairros de Sobral, aponta investigação

Operação investiga influência do crime organizado nas eleições em Sobral

G1 — Brasil · 2026-08-11T14:45:35.000Z

Operação investiga influência do crime organizado nas eleições em Sobral

A cobrança de 'pedágio', que chegava a R$ 60 mil, realizada por uma organização criminosa durante campanhas eleitorais na cidade de Sobral, no interior do Ceará, é alvo de investigações que resultou na Operação “Omertá", deflagrada na manhã desta terça-feira (11). Três vereadores foram presos e outros 11 mandados de prisão preventiva foram expedidos.

De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), as investigações apontam que a organização criminosa cobrava valores entre R$ 30 e R$ 60 mil de candidatos. Ao pagar o ‘pedágio’, eles poderiam acessar alguns bairros de Sobral durante a campanha eleitoral.

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Ainda segundo o MPCE, a facção também tentava manipular a escolha política dos eleitores por meio de práticas de coação e ameaça.

A suposta influência de uma organização criminosa nas eleições municipais de Sobral em 2024 e no processo eleitoral de 2026 é investigado pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).

Em coletiva realizada nesta manhã, representantes do Ministério Público e da Polícia Federal detalharam que o inquérito foi aberto em 2024, coletando depoimentos e evidências da influência da facção nos processos eleitorais.

Os indícios apontam que o 'pedágio' cobrado era de R$ 30 mil para candidatos que não tinham mandato e de R$ 60 mil para candidatos que já tinham mandato.

As práticas de ameaças também foram investigadas em relação ao processo eleitoral de 2026, com o cancelamento de eventos e reuniões de políticos que seriam realizados em Sobral, após ameaças de morte e de atentados contra estabelecimentos e pessoas envolvidas na organização desses eventos.

Ainda durante entrevista coletiva, foi detalhado que uma das pessoas presas nesta terça-feira (11) é uma policial militar, que atuava no policiamento ostensivo, e que é casada com um chefe de uma organização criminosa em Sobral, que também está preso.

Parlamentares e agentes públicos são alvos de operação

Operação cumpre diversos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em Sobral

A operação prendeu três vereadores de Sobral e os afastou dos cargos por 180 dias. Ao todo, a operação tem por objetivo cumprir 14 mandados de prisão preventiva (incluindo os três parlamentares), 25 de busca e apreensão e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos públicos.

Segundo apuração da TV Verdes Mares, os vereadores presos são: Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode), e ⁠Mario Vicktor (União).

O g1 procurou os partidos dos vereadores, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados.

De acordo com o MP, estão entre os alvos da operação: vereadores de Sobral, um assessor jurídico da Câmara Municipal e integrantes de uma facção criminosa. Uma policial militar e agentes públicos foram afastados das funções por 180 dias.

O Ministério Público confirmou que 20 mandados de busca e apreensão contra os suspeitos já foram cumpridos.

Segundo a Polícia Federal, um advogado também está entre os alvos. Ele é suspeito de integrar a estrutura da organização criminosa, exercendo funções relacionadas ao núcleo de liderança e de execução de ordens voltadas à interferência no processo eleitoral.

Buscas e apreensões de aparelhos celulares, documentos e outros materiais também integraram a ação. A operação também aplicou medidas cautelares, como a proibição do contato entre investigados e testemunhas.

Outra medida cautelar é para que a Câmara Municipal de Sobral apresente uma relação completa dos ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporários vinculados à Casa, segundo a Polícia Federal.

Se condenados, os investigados podem responder pelos seguintes crimes:

integrar organização criminosa,

domínio social estruturado,

extorsão, na modalidade conhecida como "pedágio eleitoral"

impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral,

lavagem de dinheiro.

Conforme o Ministério Público, o nome da operação faz alusão a um rígido código de honra e silêncio da máfia italiana, que proíbe qualquer cooperação ou contato com autoridades policiais e judiciais. A quebra desse juramento significa traição ao grupo, sob pena de morte na cultura do crime organizado.

Operação do MPCE e órgãos parceiros cumpre mandados de prisão e busca e apreensão em Sobral.

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