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Caminhoneiro do Paraná está há mais de duas semanas preso em nevasca na Argentina: ‘É um sofrimento’

Caminhoneiro do Paraná está há mais de sete dias preso em nevasca na Argentina

G1 — Brasil · 2026-08-11T16:27:35.000Z

Caminhoneiro do Paraná está há mais de sete dias preso em nevasca na Argentina

Há mais de duas semanas parado na Argentina por causa de uma forte nevasca, o caminhoneiro Marcos Andrade da Costa, de 50 anos, morador de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, ainda não sabe quando poderá seguir viagem para o Chile.

Marcos está em Zapala, na província de Neuquén, na Patagônia argentina, onde centenas de caminhoneiros aguardam a reabertura de passagens para o Chile. Ele relata dificuldades para tomar banho, comprar comida e até preparar as próprias refeições por causa do frio intenso.

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Segundo o caminhoneiro, a temperatura chegou a cerca de -10°C nesta terça-feira (11). A sensação térmica, de acordo com ele, é ainda mais baixa por causa do vento.

"É um sofrimento para comer. Não tem como abrir a caixa de cozinha. A gente tem geladeira, tem todas as coisas na caixa de cozinha, mas não tem como abrir, porque é muito gelado", contou.

Caminhões formam filas na neve

Marcos Andrade da Costa

Marcos está há cerca de 15 dias praticamente no mesmo local. Ele saiu de São Paulo com uma carga de 25 toneladas de ração para peixe e atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina por Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

A viagem tinha como destino o Chile. Para chegar ao país, porém, ele depende da liberação da passagem pela Cordilheira dos Andes.

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Banho, comida e frio

A rotina dos caminhoneiros ficou ainda mais difícil com a interrupção da viagem.

Marcos conta que precisa caminhar cerca de dois quilômetros para tomar banho. Segundo ele, cada banho custa aproximadamente R$ 30.

Para comprar alimentos, a dificuldade também é grande. Os caminhoneiros não conseguem deixar facilmente o local com os caminhões e precisam percorrer longas distâncias para encontrar comércio.

"Pra ir no mercado, andar mil metros, porque não dá pra sair com o caminhão. Não tem Uber aqui. É um deserto, né? Na Patagônia", relatou.

Caminhoneiros estão presos na fronteira entre Chile e Argentina

Marcos Andrade da Costa

O caminhoneiro diz que saiu do Brasil preparado para passar cerca de 20 dias na estrada, com alimentos comprados antes da viagem. Com a paralisação, porém, os mantimentos começam a ficar mais difíceis de administrar.

Em alguns momentos, voluntários e policiais ajudam os motoristas com alimentos e bebidas quentes.

"Às vezes passa a polícia, nos dá uma sopa. Ontem me trouxeram algumas coisas para comer. Isso ajuda, mas é dificultoso, não é fácil", afirmou.

‘Nunca passei por isso’

Marcos trabalha há oito anos como caminhoneiro e diz que nunca havia enfrentado uma situação semelhante durante as viagens pela região.

"Esse fenômeno nos últimos 20 anos não tinha acontecido. Eu estou aqui há oito anos no caminhão e nunca aconteceu isso. Nunca passei por isso. É a primeira vez", disse.

Segundo ele, a intensidade da neve e do frio surpreendeu os motoristas que costumam fazer o trajeto.

Além das dificuldades para alimentação e higiene, a principal preocupação é não saber quando será possível retomar a viagem.

"Não é fácil. A gente não sabe quando vai abrir e que dia vai abrir, quando vamos voltar para casa", afirmou.

Seis passagens entre a Argentina e o Chile estão fechadas por causa do mau tempo na Cordilheira dos Andes. Entre elas está o Paso Cristo Redentor, uma das principais rotas entre os dois países, que liga a Argentina à capital chilena, Santiago, e ao porto de Valparaíso.

Segundo as autoridades argentinas, a neve e os ventos fortes impedem a reabertura das passagens. A previsão também preocupa, já que a neve deve continuar nas próximas horas, com temperaturas abaixo de zero e visibilidade reduzida.

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