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Viviane de Souza Fidelis
G1 — Brasil · 2026-08-11T16:42:42.000Z
Viviane de Souza Fidelis
Quase um ano depois da morte da advogada Viviane de Souza Fidelis, de 30 anos, a família realizou o sepultamento dela, em Cuiabá, na última quarta-feira (5), cercado por familiares e amigos que ainda questionam as circunstâncias da morte e defendem que o caso seja novamente analisado.
Viviane foi encontrada morta em setembro de 2025, dentro do apartamento onde morava, no Residencial Acácia, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, e desde então o corpo era preservado devido à investigação do caso.
Inicialmente, a morte foi registrada como suicídio. No entanto, após questionamentos da família, passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) como morte a esclarecer.
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Segundo a Polícia Civil, a investigação foi concluída sem elementos que comprovassem a participação de terceiros. O inquérito apontou para a hipótese de suicídio e foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
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Para Sheyla Regina Barros de Souza, advogada e mãe de Viviane, porém, a conclusão não encerra as dúvidas. Ela afirmou que precisou buscar documentos, questionar procedimentos e pressionar pela revisão da forma como a morte era tratada desde o início.
“Era para ser inicialmente investigada como feminicídio. O caso da minha filha foi classificado como suicídio e só mudou porque eu fui atrás”, afirmou.
Entre os principais questionamentos apresentados por Sheyla estão a coleta de vestígios no apartamento e a preservação da cena da morte. Segundo a família, o cinto apontado como objeto relacionado à morte não teria sido recolhido inicialmente.
Também é relatado que, conforme documento citado no caso, o corpo de Viviane e o cinto já haviam sido retirados das posições originais quando a perícia chegou ao apartamento. A mãe também disse que havia ferimentos no corpo da filha e questiona a ausência de sangue no local.
“São inúmeras pontas soltas que não foram consideradas. A investigação acabou se concentrando nas mensagens depressivas encontradas no celular”, disse Sheyla.
Outro ponto levantado por ela é a apreensão do celular de Viviane. A mãe contou que o aparelho foi recolhido durante a investigação e que, na avaliação dela, outros elementos importantes da cena não receberam o mesmo tratamento.
Segunda necrópsia aumentou dúvidas da família
Sheyla também relatou que foi realizada uma segunda necrópsia. Segundo ela, os exames encontraram hematomas na região da cabeça e nas costas, mas os laudos não chegaram a uma conclusão definitiva sobre as lesões.
“Os laudos foram inconclusivos. Há uma pancada na cabeça e outra nas costas que precisam ser esclarecidas”, afirmou.
A família sustenta que as dúvidas justificariam uma nova análise do caso. A Polícia Civil, entretanto, informou que realizou oitivas, perícias no apartamento, exames complementares e análise dos dados do celular antes de concluir o inquérito.
O sepultamento também foi marcado pela angústia da mãe. Segundo Sheyla, ela não conseguiu ver o corpo da filha antes do caixão ser fechado. A advogada disse ainda que queria fazer o reconhecimento pessoal de Viviane, mas não teria recebido autorização para abrir o caixão.
“Eu enterrei em um caixão fechado, sem poder reconhecer minha filha. Depois de tudo o que aconteceu, eu precisava ter certeza de que era ela [...] Eu tive que ser advogada do caso da minha própria filha. Tive que analisar fotos, laudos e apontar erros. Tudo isso enquanto era mãe e tentava lidar com a perda”, ressaltou.
A Polícia Civil mantém a conclusão de que não foram encontrados elementos que comprovassem a participação de outra pessoa na morte. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que deve analisar o inquérito e decidir sobre eventual arquivamento.
Enquanto isso, para a família, o sepultamento encerra apenas uma etapa.