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Copom demonstra preocupação com as expectativas para o comportamento futuro da inflação

Copom demonstra preocupação com expectativas para inflação

G1 — Brasil · 2026-08-12T00:18:50.000Z

Copom demonstra preocupação com expectativas para inflação

O Comitê de Política Monetária do Banco Central demonstrou preocupação com as expectativas para o comportamento futuro da inflação. Essa avaliação está na ata da reunião da semana passada do Copom.

Os economistas aguardam a ata do Copom para entender melhor as decisões do Banco Central e procuram sinais de quais serão os próximos passos. O documento destacou que a política monetária, ou seja, a taxa de juros, está contribuindo para o processo de desinflação - quando os preços sobem em um ritmo menor -, mas que eles seguem pressionados pela demanda.

“Ele reforçou que a nossa atividade econômica vem desacelerando. Então, ele confirmou esse cenário. Também confirmou um cenário de melhora nos indicadores de inflação. Talvez uma coisa que a ata tenha deixado clara hoje é isso: não existe a intenção de acelerar o ritmo de corte de juros, porque o cenário, o ambiente ainda está incerto”, diz Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

O Banco Central começou a baixar os juros em março, quando a Selic estava em 15%. Foram quatro cortes seguidos - na semana passada, a taxa foi fixada em 14% ao ano, a menor desde o início de 2025.

Copom demonstra preocupação com as expectativas para o comportamento futuro da inflação

Jornal Nacional/ Reprodução

Parte da ata fala da preocupação do Banco Central com o que o mercado espera para a inflação no longo prazo. As projeções são de índices acima da meta. Os economistas explicam que isso é importante porque, se as expectativas continuam altas, o BC não pode baixar os juros rápido demais.

“Quando o mercado acha que a inflação vai ser muito mais alta do que os modelos do Banco Central estão prevendo, as empresas começam a reajustar os seus preços também. Então, há um aumento de preço por expectativa. Então, uma parte importante da política monetária é justamente tentar controlar essas expectativas de inflação. Porque se elas se desancoram, se as projeções começam a subir demais, isso acaba limitando a potência da política monetária”, afirma André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.

A guerra no Oriente Médio e a alta do petróleo também estão no radar do Copom. O comitê ainda destacou a importância do controle dos gastos públicos para diminuir as expectativas de inflação e reforçou a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.

Em entrevista ao programa GloboNews Radar, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, ressaltou a importância do controle das contas públicas:

"Ter uma política fiscal equilibrada que garanta que a gente não vai ver crescimento da dívida pública de um determinado período, e isso pode garantir a tranquilidade do Banco Central de reduzir essa taxa de juros, mesmo trabalhando com a taxa de juro real. Então, você com a inflação equilibrada, está certo, e com um país crescendo, a gente tem a condição efetivamente de ver uma economia muito mais saudável do que a gente está vendo hoje".

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