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Agente do ICE mata colombiano que vivia legalmente nos EUA
G1 — Brasil · 2026-08-12T06:00:14.000Z
Agente do ICE mata colombiano que vivia legalmente nos EUA
Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) poderão em breve ser equipados com luvas capazes de aplicar choques elétricos dolorosos destinados a fazer com que indivíduos agressivos obedeçam às ordens. As informações foram publicadas pela Associated Press nesta terça-feira (11).
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O ICE planeja gastar até US$ 20 milhões para comprar milhares de “dispositivos condutores de distração e desescalada” para agentes até março, segundo um aviso publicado na segunda-feira pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS).
Os dispositivos são conhecidos como G.L.O.V.E., sigla para “Emissor de Voltagem de Baixa Intensidade Gerada” (Generated Low Output Voltage Emitter), e são fabricados pela Compliant Technologies LLC. "Glove" também significa "luva" em inglês.
A Compliant Technologies afirma que os dispositivos funcionam como um par normal de luvas de patrulha até que os agentes pressionem um botão para ativar o modo elétrico.
As luvas precisam ser aplicadas diretamente sobre a pele de uma pessoa para provocar um estímulo doloroso que normalmente ajuda o agente a fazer com que ela obedeça às ordens em questão de segundos, segundo a empresa.
Nos últimos anos, as luvas têm sido usadas por algumas prisões e departamentos de polícia.
“É imediato e agudo, e vai distrair você. Eu comparo a uma picada de abelha”, disse John Peters, presidente do Instituto para a Prevenção de Mortes sob Custódia, que estuda como o dispositivo tem sido usado.
“Se o agente estiver enfrentando qualquer tipo de resistência por parte da pessoa, esta certamente é uma ferramenta eficaz.”
Modelo de luva 'G.L.O.V.E.' que o ICE pode adquirir nos EUA
Compliant Technologies LLC/Reprodução
Peters disse que é possível imaginar agentes do ICE usando as luvas para ajudar a retirar de carros e casas pessoas que não estejam cooperando, além de ações durante a entrada e a saída de instalações de detenção.
“Para agentes menores, mais fracos ou mais velhos, acho que isso oferece uma grande vantagem”, porque pode permitir imobilizações mais rápidas e encurtar os confrontos, afirmou.
O fabricante alerta que o dispositivo não deve ser usado como forma de punição, contra pessoas que estejam apenas demonstrando “desobediência verbal ou comportamento hostil”, nem em populações de alto risco, como crianças, mulheres grávidas, idosos ou pessoas com deficiência.
Defensores dos direitos civis manifestaram preocupação com o plano, afirmando que os agentes do ICE já enfrentam críticas pelo uso da força, com pouca supervisão ou responsabilização, durante a aplicação da política de repressão à imigração do presidente Donald Trump.
Jenn Rolnick Borchetta, vice-diretora do projeto de policiamento da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), afirmou que o público não deveria ter nenhuma confiança de que os agentes do ICE usarão os dispositivos de maneira adequada.
Ela questionou por que os dispositivos seriam necessários para a fiscalização civil da imigração e observou que as pessoas submetidas aos choques podem não receber qualquer aviso prévio.
“O ICE passou o último ano mostrando a este país que é rápido demais para recorrer à força. Agora, poderá aplicar choques elétricos com um leve toque em um botão, talvez sem que ninguém mais consiga ver o que está fazendo”, afirmou.
“Introduzir luvas que podem ser usadas com tanta facilidade para provocar uma dor terrível durante abordagens é uma receita para causar danos ao público.”
O DHS afirmou na terça-feira que estava preparando uma resposta a um questionamento da Associated Press e não fez comentários de imediato.
Jeff Niklaus, fundador e CEO da Compliant Technologies, escreveu em um e-mail: “Infelizmente, não podemos falar sobre esse assunto.”
Defensores dos dispositivos afirmam que eles geralmente são usados em situações específicas em prisões e durante transportes, e não de forma ampla em patrulhas nas ruas.
Segundo a Compliant Technologies, eles já foram usados para subjugar suspeitos violentos que se recusavam a entrar em viaturas policiais e detentos que estavam ferindo a si mesmos e ameaçando agentes.
Para usar o dispositivo, os agentes precisam concluir um curso e obter uma nova certificação a cada dois anos, segundo o fabricante.
Agentes federais caminham por uma rua durante operações de fiscalização de imigração em Minneapolis, 5 de fevereiro de 2026
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