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Socorristas resgatam mulher sob os escombros mais de 30 horas após o terremoto na Colômbia

Mortos em terremoto na Colômbia passam de 250; milhares continuam feridos e desabrigados

G1 — Mundo · 2026-08-12T09:34:15.000Z

Mortos em terremoto na Colômbia passam de 250; milhares continuam feridos e desabrigados

Socorristas e voluntários colombianos resgataram com vida, na terça-feira à noite, uma mulher de 32 anos que estava sob os escombros de um prédio que desabou, em meio a gritos e aplausos, enquanto as equipes de emergência, exaustas, procuram mais sobreviventes do terremoto mais forte registrado no país neste século.

Daniela Largo passou mais de 35 horas sob as ruínas de um hotel e foi retirada em uma maca dos escombros, enquanto as equipes de resgate e os parentes gritavam de alegria.

O terremoto de magnitude 7,4 sacudiu na manhã de segunda-feira várias cidades da região cafeteira colombiana. Em meio às ruas repletas de vidros, pedaços de muros e cabos pendurados, avançam os trabalhos de resgate.

As autoridades revisaram o número de mortos, reduzido para 216, depois que o governo de Valle del Cauca e a prefeitura de Cali corrigiram os números anteriores.

"No momento em que estávamos perdendo as esperanças, recebemos uma ligação", disse à AFP a mãe de Daniela, Sandra Milena Pérez, em Pereira.

Ela explicou que um vizinho ouviu gritos de socorro e chamou voluntários e socorristas profissionais para tentar salvar Daniela.

Em Pereira e Cali, as cidades mais afetadas, as famílias dormem nos parques com medo dos tremores secundários. Quadras inteiras foram reduzidas a escombros.

"Com as mãos, com luvas, trabalhamos (...) É triste ver que o tempo está passando para encontrar gente com vida", disse Pablo César Ruiz, voluntário em Cali.

Socorristas resgatam mulher sob escombros de prédio em Pereira, na Colômbia, em 11 de agosto de 2026. Resgate ocorreu 36 horas após terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país.

Equipe do JN acompanha resgates no terremoto na Colômbia

Beatriz Arcos ficou presa por quase uma hora sob os escombros de seu apartamento, em Cali. Uma parede desabou sobre ela, que foi atendida no hospital e voltou para ver o que restou do prédio de três andares onde morava.

"É tão rápido que nem dá para explicar. Meu marido sofreu, minha mãe feriu as pernas", contou Beatriz, ainda com as costas doloridas. Sentada em frente ao prédio, ela espera que seu filho consiga salvar documentos e algum pertence.

As equipes de emergência trabalhavam com guindastes, cães e máquinas, enquanto voluntários formavam correntes humanas para remover os escombros manualmente.

Várias instalações hospitalares foram danificadas e muitos pacientes foram atendidos na calçada. As escolas públicas não abriram.

Os moradores se unem aos bombeiros com picaretas e pás e cavam com as mãos entre os escombros. Em alguns momentos, as equipes de resgate param para escutar algum sinal de vida. Um simples assobio de resposta anima as brigadas, explicou o voluntário Andrés Felipe Mejía. Foi assim que chegaram até um homem e seu neto bebê em um prédio desabado, embora a mãe da criança continuasse presa, disse.

O presidente Abelardo de la Espriella, que tomou posse em 7 de agosto, declarou estado de emergência no país e visitou as cidades mais afetadas.

Localizada no turístico Eixo Cafeteiro, Pereira foi a segunda cidade mais afetada, com 72 mortos. A maioria dos seus mais de 480 mil habitantes ficou sem acesso à energia elétrica. Passam a noite ao relento, por medo dos tremores secundários ou porque suas casas estão muito danificadas.

"É coisa de filme (...) meio de terror porque está tudo escuro, mas também é muito bonito ver como as pessoas se unem", disse Daniel Hernández, tatuador e voluntário de 31 anos.

Um abrigo improvisado foi instalado em um parque. Nos supermercados, faltam água e alimentos.

"Perdemos tudo, mas estamos vivos", disse John Tabasco, garçom de 23 anos, ao lado de sua mulher e de seu filho de sete meses. "Foram momentos de medo, pânico, psicose", acrescentou.

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Em meio à destruição, muitos se mobilizaram para ajudar. Milhares de pessoas levaram água, comida e suprimentos aos bairros afetados, enquanto longas filas se formaram diante dos centros de doação de sangue.

O epicentro do terremoto foi localizado perto de San José del Palmar, em Chocó, uma região pobre de difícil acesso devido aos danos nas rodovias.

Durante uma visita a Pereira na terça-feira, De la Espriella anunciou ajuda aos desabrigados, incluindo subsídios de moradia.

O tremor evoca a tragédia do forte terremoto de 1999, que deixou quase 1.200 mortos na zona cafeteira. O terremoto também afetou seis aeroportos e dois permanecem fechados para voos comerciais.

O governo dos Estados Unidos, aliado do novo governo, ofereceu uma ajuda de 15,5 milhões de dólares. A União Europeia anunciou que liberou dois milhões de euros para ajudar a Colômbia.

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