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Golfinho usa concha como armadilha para caçar peixe
G1 — Brasil · 2026-08-12T10:39:26.000Z
Golfinho usa concha como armadilha para caçar peixe
Pesquisadores registraram pela primeira vez na costa leste da Austrália golfinhos usando conchas grandes como armadilha para capturar peixes.
No método, o animal persegue o peixe até que ele fique preso na concha vazia no fundo do mar -- que é usada como armadilha. Com isso, traz a concha para a superfície e a sacode, fazendo a água escoar e o peixe deslizar direto para dentro de sua boca. (Veja a imagem acima)
As imagens foram registradas no Parque Marinho Great Sandy, perto de Hervey Bay, em Queensland, entre julho e outubro de 2025, por pesquisadores da Universidade da Sunshine Coast (UniSC). O estudo foi publicado na revista científica Marine Mammal Science nesta semana.
Golfinho usa concha para caçar peixe
Segundo a bióloga Alexis Levengood, especialista em comportamento animal e mamíferos marinhos da UniSC e autora principal do estudo, o registro aconteceu por acaso, durante uma saída de barco de pesquisa perto de Hervey Bay. Ela avistou um golfinho erguendo um objeto grande para fora da água e reconheceu na hora do que se tratava — uma concha sendo puxada à tona. A equipe conseguiu gravar vídeo e fotografar o momento.
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Indícios de aprendizado entre mãe e filhote
O segundo avistamento é o que mais chamou atenção dos pesquisadores. Levengood relata que eles flagraram uma fêmea adulta emergir com uma concha na boca; o peixe escapou, e o golfinho a largou para retomar a perseguição. Minutos depois, o filhote pegou a mesma concha e a segurou exatamente da mesma forma que a mãe havia feito.
Para a equipe, a cena é a primeira evidência potencial de transmissão social materna do comportamento — isto é, de um filhote aprendendo a técnica ao observar diretamente a mãe, e não outros golfinhos de seu grupo. A hipótese até então predominante era a de que o uso dessa ferramenta se espalhava entre pares da mesma geração, não de mãe para filho.
Levengood destaca que populações de golfinhos em extremos opostos da Austrália — Queensland, a leste, e a Baía dos Tubarões, a oeste — desenvolveram, de forma independente, uma técnica de caça praticamente idêntica, o que reforça a inteligência e a capacidade de inovação da espécie.