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Amorim diz que EUA agiram de forma 'bizarra' e 'às pressas' ao indicar embaixador para o Brasil: 'Não foi por acaso'

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (12) que o governo dos Estados Unidos agiu de forma "bizarra" ao anunciar e dar andamento à indicação de Daniel Perez para a…

G1 — Brasil · 2026-08-12T13:50:41.000Z

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (12) que o governo dos Estados Unidos agiu de forma "bizarra" ao anunciar e dar andamento à indicação de Daniel Perez para a embaixada no Brasil antes da concessão do agrément, autorização formal necessária para que um embaixador seja aceito pelo país onde servirá.

A declaração de Amorim foi dada durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

Segundo Amorim, Washington descumpriu procedimentos diplomáticos consolidados internacionalmente ao divulgar a indicação e encaminhá-la para análise do Senado americano antes de receber a concordância formal do governo brasileiro.

"O que aconteceu bizarramente nesse caso é que os Estados Unidos não seguiram de maneira nenhuma as convenções internacionais. Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro. Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais", afirmou.

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O assessor também questionou o momento da indicação e sugeriu que a decisão teve motivação política.

"E é curioso porque eu acho que essas coisas não podem ser vistas em abstrato. Isso não aconteceu por acaso. Os Estados Unidos ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui, quer dizer, logo que saiu o governo Biden, a embaixadora saiu, e ficou um ano e meio. Pareceu que o Brasil não tinha importância, ficava aqui o encarregado de negócios. De repente, na proximidade das eleições, às pressas, sem nosso consentimento, quis acreditar um outro embaixador", completou.

Durante a audiência, Amorim citou o episódio como um dos fatores que contribuíram para o aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington nos últimos meses. Mais cedo, ele já havia afirmado que a tentativa de pressionar o Brasil a aceitar o nome do indicado americano sem respeitar os ritos previstos na Convenção de Viena representava um dos episódios recentes de atrito entre os dois países.

Deputado desde 2017, Daniel Perez preside a Câmara dos Representantes da Flórida.

Daniel Perez foi indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Filho de imigrantes cubanos, ele preside a Câmara dos Deputados da Flórida e integra o Partido Republicano.

A indicação recebeu parecer favorável de uma comissão do Senado dos Estados Unidos, mas ainda depende de aprovação pelo plenário da Casa. Além disso, a nomeação exige o agrément do governo brasileiro, procedimento diplomático necessário para que um embaixador possa assumir suas funções.

No início deste mês, o Departamento de Estado anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o governo americano, a medida foi adotada em resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para a indicação de Perez.

Os Estados Unidos afirmaram que o visto poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o agrément ao indicado. O episódio abriu uma nova frente de crise diplomática entre os dois países.

O posto de embaixador dos Estados Unidos em Brasília está vago desde janeiro de 2025, quando terminou a missão da embaixadora Elizabeth Bagley. Desde então, a representação americana no país é comandada pela encarregada de negócios Natasha Franceschi.

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