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Depois de meses de uma negociação arrastada, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, chegou ao CT Joaquim Grava na última terça-feira disposto a não renovar com Memphis Depay. Saiu de lá quatro horas mais tarde, minutos antes de uma…
ge — Futebol · 2026-08-12T14:00:08.000Z
Depois de meses de uma negociação arrastada, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, chegou ao CT Joaquim Grava na última terça-feira disposto a não renovar com Memphis Depay. Saiu de lá quatro horas mais tarde, minutos antes de uma nota oficial anunciar a decisão que provocou mal-estar entre comissão técnica, jogadores e profissionais do departamento de futebol.
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Na passagem pelo CT, Stabile comunicou a sua decisão ao técnico Fernando Diniz e ao executivo de futebol Marcelo Paz antes de a delegação deixar o local rumo ao aeroporto de Guarulhos.
Minutos depois, durante o embarque para a Argentina para o primeiro jogo das oitavas de final da Conmebol Libertadores contra o Rosario Central, a assessoria de imprensa do clube divulgou nota oficial comunicando a não renovação.
Foi naquele momento, e daquela maneira, que o elenco soube que o camisa 10 não vestiria mais a camisa do Corinthians.
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Parte dos jogadores demonstrou insatisfação com o desfecho da história, o que gastou ainda mais a imagem do presidente diante do elenco. A relação entre grupo e diretoria não é boa devido aos seguidos atrasos de salário, direitos de imagem e premiações e à interlocução ruim sobre as dificuldades financeiras do clube.
Indicado por Memphis ao Corinthians, o meio-campista marroquino Zakaria Labyad compartilhou uma imagem do símbolo da comemoração do holandês em publicação no Instagram, demonstrando apoio ao amigo.
Foi o encerramento de uma "novela" levada ao limite pelo presidente corintiano, que passou a ser conhecido nos bastidores como alguém que estica a corda ao máximo nas negociações - levando mais em conta aliados políticos do Parque São Jorge do que recomendações técnicas vindas do departamento de futebol.
Até mesmo partidários diziam não entender por que Stabile não tomava logo uma decisão, fosse positiva ou negativa, para a negociação que começou durante a pausa para a Copa do Mundo. Antes disso, porém, Memphis já sentia que enfrentaria resistência interna.
Ao longo dos meses, o estafe do atacante e a diretoria do Corinthians tiveram inúmeras divergências, superadas com muitas idas e vindas, em um negócio que certas vezes esteve perto de melar e, em outras, se aproximou de ser bem-sucedida.
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Para continuar no Corinthians, Memphis aceitou mudar o modelo de contrato anterior, que vigorou de setembro de 2024 a julho deste ano. Houve redução nas remunerações e mudanças nas bonificações. Ele também concordou em assinar por dois anos, em vez dos três anos que queria inicialmente, e parcelar os R$ 42 milhões que tem a receber do clube.
Pelo lado do Corinthians, a renovação enfrentou enorme resistência das alas políticas do Parque São Jorge. Conselheiros influentes e pessoas próximas a Stabile sempre foram contra o acerto, mesmo com a redução nos valores do contrato.
Com o avanço das negociações, Memphis retornou ao Brasil no último dia 4, com a perspectiva de assinar a renovação. Ele passou por uma bateria de exames ao longo de dois dias e teve a aprovação do departamento médico, contrariando a expectativa de aliados do presidente corintiano de que os testes mostrariam condições físicas inadequadas.
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Os dois lados haviam chegado a um acordo e, nos últimos dias, negociaram pontos do contrato, com o surgimento de novas divergências. Superados os entraves, o documento estava pronto para ser assinado desde o último fim de semana.
O presidente decidiu não assinar a renovação horas anteriores ao anúncio, embora os departamentos financeiro, jurídico, de futebol e de marketing estivessem alinhados para a concretização do negócio.
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Mesmo sabendo que não era bem-visto dentro do clube, Memphis foi surpreendido com a decisão de Stabile e se sentiu traído.
— Essa renovação foi explicitamente acordada pelo presidente, assim como pelo departamento esportivo, jurídico e financeiro. Algumas pessoas decidiram, no entanto, romper esse compromisso — escreveu Memphis ao se pronunciar nas redes sociais.
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Esportivamente, a decisão do presidente expôs Paz e Diniz, os dois principais fiadores da continuidade de Memphis. O executivo conduziu as negociações para renovação e o técnico fez declarações públicas em defesa da permanência do atacante.
No aspecto financeiro, a diretoria havia concluído que, mesmo com valores altos, a renovação possibilitaria o parcelamento ao longo de dois anos de uma dívida de R$ 42 milhões que, se cobrada de uma vez só com acréscimos de juros, multa e encargos, pode chegar a R$ 77 milhões.
Nesse cenário, seria mais vantajoso continuar contando com o jogador, ainda que por valores altos, do que perdê-lo e ainda correr o risco de ser acionado na Fifa para pagar uma dívida elevada que certamente resultará em um transfer ban. O custo de uma não renovação seria maior.
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O departamento de marketing havia conseguido quatro empresas que ajudariam a pagar uma verba de R$ 15 milhões prevista no novo contrato e, depois de novo pedido no fim de semana, que dois parceiros pagassem uma ajuda de custo mensal de R$ 250 mil também acertada no documento.
Juridicamente, os diversos entraves tinham sido sanados, inclusive os empecilhos que o departamento jurídico considerava inviáveis.
Pressionado por figuras políticas de peso no Parque São Jorge, Stabile concluiu que o custo do jogador, mesmo com as reduções dos valores do novo contrato, era alto demais para um clube em crise financeira como o Corinthians.
— Não podemos comprar títulos. Não entrei com o compromisso de ser campeão, entrei com o compromisso de tentar arrumar financeiramente o Corinthians — repetiu Stabile nos bastidores para justificar a decisão, que encerrou a passagem de Memphis pelo clube, mas que continuará tendo repercussões esportivas, políticas e financeiras.
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