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Terremoto afeta exportações de café da Colômbia e ameaça embarques internacionais

Mortos em terremoto na Colômbia passam de 250; milhares continuam feridos e desabrigados

G1 — Brasil · 2026-08-12T16:19:19.000Z

Mortos em terremoto na Colômbia passam de 250; milhares continuam feridos e desabrigados

O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) interrompeu parte da logística de exportação de café do país e trouxe novas preocupações para o mercado internacional de uma das bebidas mais consumidas do mundo.

A Colômbia é o terceiro maior produtor mundial de café, atrás apenas de Brasil e Vietnã, e tem papel importante no fornecimento de café arábica lavado, uma variedade valorizada por grandes compradores internacionais. O país também exporta a maior parte de sua produção.

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Eles produziram cerca de 14,8 milhões de sacas de 60 kg na safra 2024/25 e exportaram aproximadamente 13 milhões de sacas em 2025.

☕ A Colômbia tem uma longa tradição na produção de café, que se tornou parte da identidade do país e até rendeu aos produtores o apelido de “cafeteros”. Durante décadas o país manteve uma espécie de rivalidade no mercado com o Brasil para saber quem tem o "melhor café". Enquanto os colombianos se especializaram em cafés de maior qualidade e valor agregado, o Brasil se consolidou pela escala e pela variedade, produzindo tanto arábica quanto conilon.

O impacto do terremoto, portanto, não se limita às regiões atingidas pelo desastre.

Bloqueios e deslizamentos em estradas que ligam o interior do país ao porto de Buenaventura, no Pacífico, dificultam a saída do café colombiano para o exterior e podem provocar atrasos nas entregas caso a situação se prolongue.

Imagens mostram destruição na área rural colombiana

Essa preocupação já aparece nas cotações internacionais. Na terça-feira (11), o contrato de café arábica para setembro subiu 1,04% e fechou a cerca de US$ 3,34 por libra-peso. A alta ocorreu em meio às preocupações com a oferta global, incluindo os possíveis impactos do terremoto sobre as exportações de café da Colômbia.

🔍 Por que a Bolsa de Nova York importa? O café é uma commodity, uma matéria-prima negociada no mercado internacional. A Bolsa de Nova York é uma das principais referências para o preço do café arábica. A cotação serve de parâmetro para negociações entre produtores, exportadores e compradores. Por isso, altas ou quedas podem influenciar o custo do café em diferentes países. O preço no supermercado, porém, também depende de câmbio, impostos e outros custos.

A dimensão do problema aparece justamente na importância de Buenaventura para a cadeia.

Em entrevista ao jornal local El Colombiano, o presidente da Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), Gustavo Gómez afirmou que mais de 60% das exportações colombianas do grão passam pelo porto.

Com as estradas bloqueadas, os exportadores não conseguem transportar normalmente a carga do interior até o terminal. Gómez afirmou que a estrada para Buenaventura não está habilitada para veículos de comércio exterior, incluindo aqueles destinados à exportação e importação.

“Eu não posso, neste momento, levar carga até o porto de Buenaventura a partir do interior do país”, disse o dirigente.

Café fica preso entre produção e exportação

O problema não está concentrado apenas no acesso ao porto. O terremoto atingiu uma região que reúne parte importante da estrutura de processamento do café colombiano.

Segundo Gómez, muitos exportadores mantêm instalações em Manizales, Pereira e Armenia, no chamado Eixo Cafeeiro, além de Cartago, no departamento de Valle del Cauca.

Na prática, isso cria um gargalo em diferentes etapas da cadeia: o café pode ser produzido, processado e estar pronto para embarque, mas não consegue chegar ao porto.

Até regiões produtoras que sofreram menos danos com o terremoto enfrentam dificuldades para transportar a produção. Huila, Tolima, Cauca e Nariño, por exemplo, também registram problemas para encontrar caminhões que levem o café até portos alternativos.

Mais de 1.000 contêineres podem ficar represados

Ainda não existe uma estimativa oficial de quanto café está efetivamente parado por causa da interrupção. A Asoexport, porém, calculou o possível impacto de uma semana de restrições.

A Colômbia exporta cerca de 1 milhão de sacas de café por mês. Em uma divisão aproximada por semanas, isso representa cerca de 250 mil sacas.

Se as restrições persistirem durante uma semana, esse fluxo poderia equivaler a mais de 600 veículos e mais de 1.000 contêineres represados, segundo a associação.

O número é uma projeção para dimensionar o gargalo e não significa que 250 mil sacas já estejam paradas.

A dificuldade de retirar o café processado também começa a afetar as próprias empresas exportadoras. Sem espaço e transporte suficientes para escoar o produto, o setor pode reduzir o ritmo de processamento.

Isso cria um efeito que chega aos produtores. Segundo Gómez, se a situação persistir, a dificuldade logística pode prejudicar também a compra de café dos agricultores.

“As operações estão muito paradas, quase paralisadas, e isso pode prejudicar a compra de café”, afirmou.

Setor tenta desviar café para outros portos

Com Buenaventura comprometido, os exportadores passaram a avaliar alternativas na costa do Caribe.

Entre as opções estão Cartagena, Santa Marta e Puerto Antioquia. Segundo a Asoexport, operadores desses terminais trabalham em planos de contingência para receber cargas adicionais.

A mudança de rota, porém, não resolve sozinha o problema. É preciso levar o café das regiões produtoras e das unidades de processamento até os portos do Caribe, e a falta de caminhões se tornou outro obstáculo.

Além disso, algumas das próprias rotas alternativas estão afetadas por deslizamentos e bloqueios. Entre os caminhos atingidos está a rota Letras-Fresno-Manizales, utilizada para o transporte de cargas.

Situação dos cafezais na colômbia

A Asoexport trabalha com o governo colombiano para recuperar os corredores de transporte. A estratégia é utilizar os portos do Caribe enquanto necessário e retomar gradualmente as operações por Buenaventura quando as condições permitirem.

Produtores também sofreram danos

Enquanto os exportadores tentam manter o café em circulação, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) realiza levantamentos sobre os danos nas áreas produtoras.

A entidade informou que famílias cafeicultoras de Risaralda, Valle del Cauca, Caldas, Antioquia, Chocó e Quindío tiveram impactos em casas, propriedades e infraestrutura rural.

No Quindío, um dos principais departamentos do Eixo Cafeeiro, mais de 150 famílias produtoras já foram identificadas como afetadas no levantamento inicial.

José Martín Vásquez Arenas, diretor-executivo do Comitê de Cafeicultores do Quindío, afirmou em pronunciamento divulgado nas redes sociais que equipes foram mobilizadas nos 12 municípios do departamento para avaliar a situação das propriedades.

O levantamento busca dimensionar os danos e orientar a destinação de recursos para a recuperação das famílias. A instituição também pretende garantir a continuidade da assistência técnica e da compra do café produzido na região.

O trabalho encontrou ainda danos estruturais em comitês municipais e armazéns de provisão agrícola de Filandia, Buenavista e Montenegro. As unidades foram fechadas preventivamente para avaliação das condições de segurança e infraestrutura.

As demais unidades do departamento voltaram a funcionar nesta quarta-feira (12), segundo o Comitê de Cafeicultores do Quindío.

Vásquez Arenas afirmou que a cafeicultura local já enfrentou outras situações adversas e que as famílias continuarão sendo acompanhadas.

“A cafeicultura do Quindío demonstrou historicamente sua resiliência diante das adversidades, por isso não deixaremos nossas famílias cafeicultoras sozinhas”, disse.

Problema pode chegar aos compradores internacionais

O impacto da interrupção logística não termina na Colômbia. Se o café não consegue chegar aos portos, os exportadores podem ter dificuldade para cumprir os prazos acordados com compradores internacionais.

Ainda não há uma previsão definitiva para a normalização das exportações. O prazo dependerá da recuperação das estradas, da liberação do acesso a Buenaventura e da capacidade de utilização das rotas alternativas.

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