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Paula Fernandes transforma reencontro com a própria infância em música e celebra fase mais leve da carreira: 'Pude dizer que a gente deu certo'

Paula Fernandes prepara estreia de turnê no retorno à Festa do Peão de Barretos

G1 — Brasil · 2026-08-13T03:00:30.000Z

Paula Fernandes prepara estreia de turnê no retorno à Festa do Peão de Barretos

Depois de passar mais de três décadas nos palcos, Paula Fernandes decidiu olhar para trás para se reencontrar. O resultado desse mergulho pessoal é "Era Eu", música lançada nesta quinta-feira (13) que abre o projeto audiovisual "30 & Poucos Anos", uma celebração dos 34 anos de carreira da artista mineira.

Escrita por Paula em parceria com Juan Marcos, a canção nasceu de uma pergunta simples: o que diria hoje à menina que começou a cantar aos 8 anos e sonhava em viver da música?

Em entrevista coletiva, a cantora, que retorna à Festa do Peão de Barretos na sexta-feira (28) após dez anos longe, revelou que a composição se transformou em uma espécie de terapia, um encontro da artista consagrada com a criança que acabou deixando para trás enquanto construía a carreira.

"Eu pude descobrir que ela era eu e pude dizer para ela que a gente tinha dado certo. Foi uma sensação de alívio e de cura ao mesmo tempo. Esse encontro era necessário para que eu pudesse equilibrar as duas Paulas."

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Paula Fernandes celebra três décadas de carreira com o audiovisual "30 & Poucos Anos"

Ao longo da conversa, Paula fez uma distinção entre a artista conhecida nacionalmente e a menina de Minas Gerais que atende pelo sobrenome de batismo, Paula de Souza.

"Eu sinto que aquela Paula de 8 anos ficou lá", afirmou. Segundo ela, enquanto a carreira crescia rapidamente, a criança e a adolescente foram ficando para trás.

"O artista voou e a menina continuou lá. Eu sempre trabalhei demais. Virei uma máquina de trabalho e acabei deixando essa menina para trás. Ela me faz muita falta."

A artista contou que imaginava encontrar essa criança interior triste e isolada, mas se surpreendeu durante o processo de composição.

"Eu achava que ia encontrar uma criança num lugar escuro, num cantinho. Mas ela estava num lugar bom. E eu pude dizer que tudo tinha dado certo."

Paula Fernandes gravou o álbum audiovisual '30 & poucos anos' em show na casa Vibra São Paulo

Uma carta para a própria infância

Mais do que uma música autobiográfica, "Era Eu" funciona como uma conversa entre a Paula adulta e a menina que sonhava em cantar. A inspiração surgiu de forma inesperada durante uma sessão de composição em casa com Juan Marcos.

"Eu estava contando uma história para ele e ele perguntou: 'Por que você não escreve sobre isso?'. Esse foi o gatilho."

A partir dali, a composição ganhou forma rapidamente. Para Paula, a música acabou alcançando lugares que nem anos de terapia haviam conseguido acessar.

"Esse resgate terapêutico acontece há muito tempo. Mas a música foi um presente. Ela tocou num lugar da alma que nas minhas terapias eu não consegui."

A cantora afirmou que a identificação acontece mesmo com quem não compartilha sua trajetória. "Independentemente da história, você vai encontrar a criança que foi. A música faz um portal."

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Menos cobrança, mais equilíbrio

Se "Era Eu" revisita o passado, o projeto "30 & Poucos Anos" também apresenta uma Paula Fernandes diferente daquela que viveu o auge da fama no início da década de 2010. A artista reconhece que passou boa parte da carreira perseguindo uma perfeição impossível.

"Eu me cobrei a vida inteira. Talvez, se pudesse voltar no tempo, diria para aquela menina: você vai errar, não tem jeito. Faça o seu melhor."

Ela lembrou que a autocobrança aparecia em todas as áreas da vida, dos estudos à música. "O dia que tirei meu primeiro C na escola, quase tive febre."

Paula Fernandes no último show dela na Festa do Peão de Barretos em 2016

Hoje, aos 40 anos, Paula disse que está vivendo seu período de maior equilíbrio emocional.

"Estou vivendo a melhor fase porque tenho mais leveza diante do que faço. Não me cobro tanto e consigo curtir mais."

A mudança também se reflete na imagem e nas escolhas artísticas.

"Agora posso colocar a bota, o chapéu, os elementos que sempre gostei. Deixar o show muito mais com a minha cara."

Ela afirmou que o resgate das próprias origens coincide com um momento em que a estética country, folk e western voltou a ganhar espaço na música brasileira.

"Eu faço música folk e country desde que entendo por gente. Mas durante muito tempo houve resistência. Tiraram até meu chapéu."

Sem abrir mão da própria essência

Ao relembrar os desafios da carreira, Paula contou que enfrentou pressões para mudar o estilo musical diversas vezes.

Segundo ela, ouviu que mulher compositora não faria sucesso, que músicas românticas estavam fora de moda e que precisava seguir tendências para continuar relevante. A resposta, diz ela, sempre foi a mesma. A cantora afirmou que o novo projeto reforça justamente essa identidade construída ao longo da carreira.

"Eu não sou todo mundo. Se sou uma referência, preciso me bancar. Eu não sou um produto fabricado para fazer sucesso. Sou uma artista genuinamente original."

Paula Fernandes celebra suas origens no audiovisual "30 & Poucos Anos" gravado em abril de 2026

Ana Castela, Simone Mendes e encontros especiais

Entre as participações do audiovisual, uma das que mais emocionaram Paula Fernandes foi a de Ana Castela.

A cantora contou que se enxergou na artista sul-mato-grossense ao vê-la nervosa durante a gravação.

"Ela estava quase chorando. Eu conseguia me ver no lugar dela o tempo todo."

Paula descreveu a participação como um encontro genuíno entre gerações. Ana Castela é quase 20 anos mais nova que a artista, e a mãe, Michele Castela, é fã dela.

"Ela pegava na minha mão e estava com a mão gelada. Me deu uma sensação de orgulho, de missão cumprida."

Ana Castela canta hits da carreira no show de aniversário de 170 anos de Ribeirão Preto, SP

Outro momento destacado por Paula foi o dueto com Simone Mendes, artista que ela definiu como uma das grandes vozes da música sertaneja atual.

"Ela tem tudo o que uma cantora precisa ter: personalidade, volume, afinação e alcance. É uma cantora incrível."

Além delas, o audiovisual reúne participações de Zezé Di Camargo, Padre Fábio de Melo, Renato Teixeira, Sérgio Reis e Guilherme & Santiago.

Celebração sem nostalgia

Apesar do olhar para o passado, Paula Fernandes fez questão de afirmar que o projeto não representa uma conclusão de ciclo. Pelo contrário.

"Não é o final. Estou apenas recomeçando uma nova história."

Com mais tempo para cuidar da saúde, da rotina e da vida pessoal, ela disse que chega a este momento mais inteira do que nunca.

"O balanço é muito positivo. Hoje estou mais plena, mais leve e totalmente dedicada a celebrar."

E é justamente essa celebração que dá o tom de "Era Eu": uma música que revisita a menina que sonhava com os palcos para mostrar que, apesar dos desafios, dos sacrifícios e das renúncias, a jornada valeu a pena.

Paula Fernandes na gravação do audiovisual "30 & Poucos Anos"

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