ITATIBA1

Chuvas, granizo e tornado deixam destruição em mais de 30 mil propriedades rurais e danificam lavouras no RS, diz levantamento

Moradores reconstroem propriedades após tornado no RS

G1 — Brasil · 2026-08-13T05:00:16.000Z

Moradores reconstroem propriedades após tornado no RS

As chuvas intensas, o granizo e o tornado que atingiram o Rio Grande do Sul na segunda quinzena de julho deixaram prejuízos em pelo menos 30.007 propriedades rurais de 101 municípios gaúchos.

Segundo o levantamento da Emater/RS, o evento afetou 1.606 localidades e provocou danos à infraestrutura rural, à produção agrícola, à pecuária e ao abastecimento de água.

O relatório aponta que as primeiras chuvas fortes ocorreram entre os dias 20 e 23 de julho e atingiram principalmente municípios do Norte do estado. Já entre os dias 27 e 29, novos temporais acompanhados de ventos fortes e granizo ampliaram a área afetada para regiões dos Vales, Serra e Campanha.

No mesmo período, um tornado atingiu os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, devastando propriedades rurais.

A extensão dos danos aparece principalmente na infraestrutura. Foram registrados problemas de escoamento da produção em 485 comunidades e danos em mais de 18 mil quilômetros de estradas vicinais.

Também foram afetadas 1.730 casas, 1.396 galpões, 204 silos, 223 estufas de horticultura e 183 açudes utilizados para piscicultura e irrigação. Ao todo, 2.343 produtores tiveram prejuízos em construções e instalações rurais.

O levantamento também identificou impactos no abastecimento de água. Foram contabilizadas 173 fontes contaminadas e 1.205 famílias sem acesso à água. De acordo com a análise técnica, a situação exige ações emergenciais para garantir o fornecimento de água potável às comunidades atingidas.

Trigo e tabaco entre os mais prejudicados

Chuvarada atingiu cultura de trigo em Não-Me-Toque.

As plantações de inverno registraram perdas significativas. Os danos em lavouras de grãos atingiram mais de 79 mil hectares, com perdas estimadas em 34.791 toneladas:

O trigo foi a cultura mais impactada, com 40.490 hectares atingidos, perda de 19.595 toneladas e prejuízos para 1.969 produtores.

A canola aparece na sequência, com 18.593 hectares afetados e perdas de 7.788 toneladas.

Na olericultura — cultivo de hortaliças —, os prejuízos somaram mais de 61,5 mil toneladas.

A batata foi uma das culturas mais afetadas, com 37.895 toneladas perdidas.

A cebola também teve perdas significativas: 3.805 toneladas, comprometendo toda a área plantada registrada nos municípios afetados.

Já na fruticultura, as perdas chegaram a 6.966 toneladas. Os citros concentraram praticamente todo o impacto, com destaque para a laranja e a bergamota. Foram 493 produtores atingidos, o equivalente a quase a totalidade dos produtores de frutas contabilizados no levantamento.

O tabaco registrou o maior volume de perdas entre as culturas avaliadas. Segundo o relatório, foram 40.060 toneladas perdidas em uma área de 2.847 hectares. Ao todo, 788 produtores foram afetados. Além dos danos à produção, 16 estufas de cura sofreram avarias.

Produção de leite com dificuldades

A pecuária também foi impactada pelos eventos climáticos. O levantamento contabilizou a morte de 43 bovinos de corte, 25 bovinos de leite e 51 suínos, além da perda de 17,4 toneladas de peixes e de 30 caixas de apicultura.

Com estradas danificadas e dificuldades de acesso às propriedades rurais, 192.806 litros de leite deixaram de ser coletados por dia. O volume acumulado não comercializado chegou a mais de 2,3 milhões litros, afetando 1.788 produtores.

Mais de 100 mil hectares de pastagens também sofreram impactos, com perdas médias de produtividade entre 26% e 27%, comprometendo a alimentação dos rebanhos e aumentando os custos de produção.

VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Leia no Itatiba1 →