ITATIBA1

Sobrevivente de outros terremotos dá relato sobre tragédia na Colômbia: 'Muito, muitíssimo mais forte'

Terremoto na Colômbia: entenda como é feito trabalho de resgate nos escombros

G1 — Brasil · 2026-08-13T07:01:56.000Z

Terremoto na Colômbia: entenda como é feito trabalho de resgate nos escombros

A Colômbia é um dos países com maior atividade sísmica da América Latina. Segundo o Serviço Geológico Colombiano (SGC), são cerca de 80 terremotos por dia. A maioria, entretanto, é imperceptível para a população. Mas o tremor da última segunda-feira (10) foi muito mais forte que todos os outros já presenciados pelo colombiano Andrés Salinas, de 34 anos.

Morador da cidade de Cali - uma das mais afetadas pelo abalo -, ele contou ao g1 que estava parado no sinal vermelho quando sentiu algo bater no pneu de trás de sua motocicleta. Virou-se para conferir se outro veículo tinha amassado a traseira, mas não viu nada. Voltou-se para frente e percebeu que as placas da rua, o semáforo, as árvores da calçada: tudo estava balançando.

✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp

AO VIVO: Veja as últimas notícias do terremoto em tempo real

“As pessoas começaram a sair dos carros porque não era possível andar daquela maneira. Os ônibus que estavam ali perto também chacoalharam. E isso durou uns quatro minutos”, relatou.

Devido ao encontro das placas tectônicas de Nazca, Sul-Americana e do Caribe, tremores são recorrentes no país. O que muda é a frequência e a intensidade, que variam conforme a área e as características de cada evento.

Andrés afirma que já vivenciou outros terremotos. Alguns leves, que passariam despercebidos a não ser pelos móveis que escorregam sozinhos ou pelos lustres que balançam sem a circulação do ar. Outros são mais dramáticos, como o que ele presenciou na capital Bogotá, quando ainda morava lá, em 2023. Na ocasião, algumas telhas saíram do lugar e janelas se estilhaçaram, sem nenhuma vítima fatal ou qualquer dano mais profundo.

“Desta vez foi muito, muitíssimo mais forte”, afirmou.

'Se tivesse durado mais 5 segundos, não teria sobrado nada': colombiano relata terremoto que matou mais de 100

'Foi desesperador', diz brasileira que viveu terremoto durante férias na Colômbia

Influenciador grava momento em que terremoto atinge aeroporto na Colômbia

Profissional autônomo, ele disse ter a sorte de não ter sofrido nada além do susto. Nenhuma das pessoas na rua se acidentou, e ele comemora que não conheça ninguém entre as mais de 200 mortes já confirmadas. Ainda assim, o dano é visível pela vizinhança.

“Minha vizinha sofreu um grande impacto, uma parede caiu. É a parte bem próxima a minha casa, praticamente na minha janela. Não tinha ninguém naquele quarto, na hora. Caso contrário, teria sido algo muito grave”, contou.

Depois do tremor, foram formados grupos de ajuda e de resgate entre os próprios civis. Andrés afirmou que as pessoas foram orientadas a permanecer em casa caso não estivessem envolvidas nas operações de auxílio, para manter as ruas livres para a circulação de ambulâncias, bombeiros e forças de segurança.

Ele contou ter visto uma grande movimentação de militares em Cali. O prefeito, Alejandro Eder, estabeleceu um toque de recolher durante a noite como medida para evitar saques diante dos danos provocados pelo terremoto.

Tremor foi sentido em toda Colômbia

O terremoto de magnitude 7,4 teve efeitos devastadores nas regiões próximas a seu epicentro, como as cidades de Cali e Pereira. Na capital Bogotá, o efeito foi menor, mas perceptível.

A jornalista brasileira Aline Guedes, de João Pessoa (PB), passava as férias na capital colombiana junto de seu marido e da filha, de apenas cinco anos. Ela recebeu o alerta de terremoto no celular cerca de um minuto antes de sentir o chão estremecer.

“Como estava no quinto andar, senti bem forte”, contou.

Pessoas gesticulam enquanto procuram sobreviventes no local de um prédio que desabou após um terremoto em Pereira, Colômbia , em 11 de agosto de 2026

Segundo ela, o prédio começou a ser evacuado pela saída de segurança, e a família seguiu os outros moradores. O alarme sonoro de evacuação também foi acionado.

Ainda sem entender o que estava acontecendo, a filha do casal perguntava repetidamente: “Mamãe, papai, por que tudo está se mexendo?”. “O que é que está acontecendo?”. Aline disse que os próprios adultos demoraram alguns instantes para processar a situação.

Quando chegaram ao térreo, os pais explicaram à menina que se tratava de um terremoto e que eles precisavam deixar o prédio para ficar em segurança. O marido de Aline e a filha saíram descalços e de pijama. “Não deu tempo de pegar nada. Só fugir”, relatou.

Leia no Itatiba1 →