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Casal é preso em Caucaia (CE) suspeito de desviar mais de R$ 1 mi de clientes de banco.
G1 — Brasil · 2026-08-13T08:03:38.000Z
Casal é preso em Caucaia (CE) suspeito de desviar mais de R$ 1 mi de clientes de banco.
O casal preso por suspeita de desviar mais de R$ 1 milhão de clientes de um banco no Ceará mirava um perfil específico de vítimas: idosos com mais de 70 anos que tinham altos investimentos e pouca familiaridade com serviços digitais. A informação foi repassada pelo delegado Alan Araújo, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, da Polícia Civil do Ceará.
Conforme as investigações, a mulher, de 48 anos, era gerente de um banco em Fortaleza e desviava os valores das contas dos clientes para a empresa do companheiro, que tem 47 anos. O esquema criminoso aconteceu entre 2021 e 2026. A identidade dos suspeitos e o nome do banco não foram revelados.
Casal é preso por suspeita de desviar mais de R$ 1 milhão de clientes de banco
Casal preso por desvio de R$ 1 milhão vivia em imóvel de luxo no litoral
Segundo Alan, as vítimas desse caso eram dois idosos que faziam investimentos na agência bancária onde a suspeita de 48 anos era gerente. A polícia investiga se há mais vítimas ou suspeitos envolvidos no esquema criminoso.
"Ela trabalhava há mais de 10 anos no banco. Desde 2021, ela começou a fazer esse acesso indevido na conta do cliente e fazer essas remessas para outras contas, sem autorização do cliente. A partir do momento que o cliente percebeu, ele fez o registro do boletim de ocorrência e, posteriormente, a gente recebeu a notificação formal do banco informando essa situação", disse Alan ao g1.
Ainda segundo o delegado, a ex-gerente pediu demissão neste ano, antes de o caso vir à tona. A suspeita, segundo ele, escolhia vítimas que tinham aplicações de longo prazo e pouco acompanhamento das movimentações bancárias.
"As vítimas eram idosos. Acho que o modus operandi era esse, inclusive. Essas pessoas tinham investimentos de longo prazo no banco e não costumavam ficar consultando. Ainda mais idosos que às vezes não costumam acessar internet banking, aplicativo, e acabam confiando no agente do banco. Quando ele atentou em olhar, viu que estava faltando", descreveu o delegado.
Dois veículos, aparelhos celulares e cerca de R$ 18 mil em espécie foram apreendidos com o casal.
A primeira denúncia foi feita por um dos idosos prejudicados. Depois, a segunda vítima procurou a polícia. Em seguida, o próprio banco comunicou os desvios. "A gente recebeu tanto da instituição financeira quanto das vítimas", confirmou o delegado.
Alan explica que o esquema funcionava da seguinte maneira:
A suspeita, que era gerente bancária, usava o cargo para acessar as contas das vítimas sem autorização;
Depois, transferia o dinheiro para contas intermediárias, abertas por ela para dificultar a identificação da fraude;
Em seguida, esse dinheiro era enviado para empresas do companheiro, de 47 anos, através de transferências comuns ou pagamentos de boletos;
Os desvios eram variados, segundo o delegado. Em alguns casos, chegaram a cerca de R$ 100 mil em uma única retirada.
Casal foi preso em imóvel de luxo
Casal vivia em casa de luxo em condomínio fechado no litoral do Ceará.
Os suspeitos foram presos nesta terça-feira (11) em um imóvel de luxo na Praia do Cumbuco, em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.
Imagens da polícia mostram a residência luxuosa onde morava o casal. O local tem dois andares e área de lazer e piscina. Segundo a polícia, foi realizado o sequestro judicial do imóvel.
Na ação policial, também foram apreendidos dois veículos, aparelhos celulares e cerca de R$ 18 mil em espécie.
"Agora a gente vai começar a analisar o material que foi apreendido, que foram os aparelhos celulares, e também a análise da quebra do sigilo fiscal financeiro. Vamos fazer essa análise financeira em todo o patrimônio dos investigados, no CNPJ das empresas envolvidas", explica o delegado Alan Araújo.
Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido em um apartamento no bairro São Gerardo, em Fortaleza.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de valores de até R$ 1,3 milhão em contas bancárias e a restrição judicial de veículos dos investigados e de empresas por eles administradas.
"Em paralelo, como houve a prisão, a gente tem que concluir o inquérito policial no prazo de 10 dias. Se houver denúncia do Ministério Público, eles já começam a responder a ação penal, enquanto a gente vai continuar a análise dos elementos para subsidiar futuras fases, se for o caso", concluiu o investigador.
Após as capturas, os investigados foram conduzidos à sede da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos. Os suspeitos estão à disposição do Poder Judiciário.